A Transição de Warren Buffett na Berkshire Hathaway
Warren Buffett deixou seu cargo de CEO da Berkshire Hathaway no dia 31 de dezembro, mas continua a trabalhar em colaboração com seus colegas todos os dias.
A Nova Função de Buffett
O investidor de 95 anos, que liderou a empresa, com sede em Omaha, Nebraska, por seis décadas, está tecnicamente aposentado, mas ainda ocupa o cargo de presidente. Ele vai ao escritório diariamente e permanece envolvido nas decisões de investimento, conforme declarou à apresentadora Becky Quick, da CNBC, em uma entrevista no dia 31 de março. O novo CEO da empresa é seu sucessor escolhido, Greg Abel. Durante a entrevista, Buffett afirmou: "Eu não farei nenhum [investimento] que Greg considere inadequado."
O Legado de Buffett
Enquanto foi CEO, Buffett transformou a Berkshire Hathaway de uma empresa têxtil em declínio em um conglomerado global, conseguindo um retorno geral de mais de cinco milhões por cento durante seu mandato. Ele e seu sucessor se comunicam quase todos os dias, segundo Abel, que comentou sobre a dinâmica em "Squawk Box" no dia 5 de março. "Se eu estou em Omaha, estamos sempre nos conectando," afirmou Abel. "Se estou viajando, como foi o caso ontem, geralmente faço uma ligação para saber o que ele está percebendo, ouvindo e como ele se sente. Portanto, se não for todos os dias, é a cada dois dias."
Dinâmica do Trabalho
Buffett e Abel não responderam imediatamente ao pedido da CNBC Make It por mais comentários sobre a relação de trabalho deles. No entanto, essa situação destaca uma dinâmica incomum: um líder tendo um segundo ato dentro de sua empresa. De acordo com Amy Gallo, especialista em dinâmicas de trabalho e autora do livro "Getting Along: How to Work with Anyone (Even Difficult People)", uma conexão entre um ex-líder e um novo líder pode trazer tanto desafios quanto vantagens significativas.
"Você não perde esse conhecimento institucional," afirma Gallo. "Você tem um líder que esteve à frente da organização, que sabe o que é necessário para gerenciar essa empresa, e que conhece o que funcionou no passado e o que não funcionou."
Desafios e Vantagens
Se seu ex-chefe agora se reporta a você — e, claro, se eles estiverem confortáveis com essa disposição — eles podem ajudar a posicioná-lo como "a pessoa certa para assumir, que tem as habilidades e que levará a organização para o próximo nível de sucesso," diz Gallo.
Por outro lado, você pode enfrentar dificuldades para mostrar aos outros colaboradores que realmente está no controle, observa Gallo. "Você pode sentir que está sendo undermined (subestimado). Você pode sentir que as pessoas não o respeitam," diz Gallo. "Você pode ficar com a impressão de que não está fazendo um trabalho tão bom quanto o líder anterior fez."
Para a maioria das pessoas, a chave para lidar com essa situação de maneira eficaz — e, provavelmente, se tornar um líder melhor no processo — envolve mitigar os aspectos negativos enquanto aproveita ao máximo os aspectos positivos, afirma Gallo.
Gerenciando Relações de Trabalho
Abordagem Profissional
Assim como ao ser promovido em relação a um amigo ou ao dar um feedback construtivo ao seu gerente, tornar-se o chefe do seu ex-chefe pode ser complicado. Em muitas situações, a dinâmica é "mais propensa a ser disruptiva e problemática do que realmente útil," diz Zoe Fragou, psicóloga organizacional e especialista em desenvolvimento de liderança.
Um ex-chefe pode sentir tristeza, perda de identidade, ansiedade ou uma sensação avassaladora de incerteza. Ao mesmo tempo, o novo líder pode ter dificuldades para compensar excessivamente e "recalibrar" suas relações profissionais, explica Fragou. "O risco reside em ambos os extremos: compensar demais ao afirmar domínio rapidamente pode romper a confiança, enquanto a evitação e a adiamento de decisões difíceis para proteger antigas conexões afeta a credibilidade," acrescenta.
Além disso, um ex-CEO pode não conseguir abandonar sua mentalidade executiva de forma repentina, observa Muriel Wilkins, CEO da Paravis Partners, empresa de consultoria em liderança e autora do livro "Leadership Unblocked."
"Os dois grandes problemas que isso pode ocasionar," diz Wilkins, "são estabelecer seu próprio nome como o novo CEO e atrasar algumas das decisões que você gostaria de tomar, ou, francamente, você pode sentir pressão para tomar certas decisões que não acredita serem necessárias naquele momento."
A Importância do Autoconhecimento
A melhor maneira de lidar com um ex-líder que agora se reporta a você, segundo Fragou, é manter um ego saudável, "fundamentado em autoconsciência genuína, respeito próprio e capacidade comprovada." Se ambos conseguirem cultivar essas qualidades, provavelmente criarão uma excelente disposição de trabalho, afirma ela.
Considere seu subordinado direto como um parceiro, colega ou conselheiro próximo, e não como um concorrente, aconselha Wilkins. "Eu não acho que você deva tratar isso de forma diferente do que faria em outra relação de trabalho, onde a higiene adequada exige que se contrate o que a relação vai ser antes que os pontos problemáticos surjam," diz Wilkins.
Flexibilidade na Liderança
Não existe uma abordagem única para liderar um ex-chefe, observa Wilkins. "Os melhores líderes têm a capacidade de se transformar, pois entendem que sua capacidade de transformar uma organização é limitada pela capacidade de se transformar a si mesmos," afirma ela.
Fonte: www.cnbc.com


