Três mortes relacionadas a possível surto de hantavírus
Três mortes foram associadas a um possível surto de hantavírus em um cruzeiro de luxo no último domingo, 3 de setembro. Até o momento, um caso foi confirmado e outros cinco estão sob investigação, conforme informações fornecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Estado de saúde dos passageiros afetados
Um dos passageiros que apresentaram complicações está internado em estado grave em uma unidade de terapia intensiva na África do Sul. A OMS destacou que não há motivo para pânico ou restrições em relação a viagens. O risco para a população em geral permanece considerado baixo.
Detalhes sobre o cruzeiro
O incidente ocorreu a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia, na Argentina, com destino à Praia, a capital de Cabo Verde. Devido ao possível surto, os passageiros não conseguirão desembarcar na localidade final da viagem, tendo em vista a recusa das autoridades de Cabo Verde. Atualmente, a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pela operação do navio, está avaliando a possibilidade de desembarque nas Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol. No total, cerca de 149 pessoas de 23 nacionalidades estão a bordo do cruzeiro.
De acordo com informações da Reuters, o valor das cabines varia entre 14 mil euros (aproximadamente R$ 81 mil) e 22 mil euros (cerca de R$ 127 mil).
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um vírus transmitido por roedores, conforme o que afirmam os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). A contaminação de humanos ocorre principalmente pela inalação de partículas suspensas que provêm da urina, fezes ou saliva dos animais que abrigam o vírus. Em situações mais raras, o hantavírus pode ser propagado através de mordidas ou arranhões de roedores e de uma pessoa para outra.
Doenças causadas pelo hantavírus
O hantavírus pode provocar duas doenças distintas. A primeira é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPHC, na sigla em inglês), que é mais comum nas Américas. Os sintomas iniciais dessa condição incluem fadiga, febre e dores musculares, seguidos de dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. A evolução para sintomas respiratórios pode levar a uma taxa de mortalidade em torno de 38%, segundo dados do CDC.
A segunda doença possível é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS, na sigla em inglês), que é considerada mais grave e predominante na Europa e na Ásia. Neste caso, os sintomas podem incluir dores de cabeça intensas, dor nas costas e no abdômen, febre, calafrios, náuseas, além de visão turva. Em algumas situações, o paciente pode apresentar vermelhidão no rosto ou nos olhos, bem como erupções cutâneas. Os sintomas tardios podem envolver pressão arterial baixa, hemorragia interna e insuficiência renal aguda. A taxa de mortalidade na HFRS varia entre 5% e 15%.
No momento, não existe um tratamento específico para o hantavírus. Portanto, os pacientes recebem cuidados de suporte, que incluem repouso, hidratação e tratamento sintomático.
Dados sobre outros casos de hantavírus
A estimativa é que anualmente ocorram cerca de 150 mil casos de HFRS em todo o mundo. Esses casos são mais frequentes na Europa e na Ásia, com cerca de metade dos registros geralmente ocorrendo na China, conforme um relatório dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH).
No Brasil, entre os anos de 1993 e 2024, foram confirmados 2.377 casos de hantavirose, especificamente da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. De acordo com o Ministério da Saúde, 937 desses casos resultaram na morte do paciente infectado. A maioria, cerca de 70%, dos pacientes foi infectada em regiões rurais.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
Fonte: www.moneytimes.com.br