Economia, Investimentos e Produtos Financeiros
Economizar, investir e aplicar em produtos financeiros. Essa é a abordagem adotada por brasileiros na gestão de seu dinheiro. Em 2025, 33% da população economizou, 24% investiu e 10% direcionou recursos a produtos financeiros.
Os dados foram coletados na 9ª edição do Raio-X do Investidor, uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha. O estudo se baseou em uma amostra de 5.832 entrevistas realizadas em 2025.
A metodologia empregada no levantamento prevê que as respostas sejam espontâneas, fundamentadas na percepção dos entrevistados sobre o tema. Isso resulta na distinção entre "investir" e "investir em produtos financeiros".
Durante coletiva de imprensa realizada no dia 16, o superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi, destacou que a concepção de investimento para muitos brasileiros é "tudo que eu coloco meu dinheiro e espero algum retorno".
Quando indagados sobre seus investimentos, vários participantes mencionaram que consideram gastos como investimentos, como educação dos filhos, viagens, procedimentos estéticos, carros, entre outros.
Uma resposta frequentemente apresentada, que se aproxima do conceito de "investimento" segundo especialistas, foi a aquisição de imóveis. "A percepção geral de investimento envolve tudo o que melhora a vida de uma pessoa, mesmo que não se trate de um produto financeiro", afirmou Billi.
Poupança, Caixinha ou Conta Rendeira?
A diferença entre a compreensão pública dos termos financeiros e o uso que profissionais do setor financeiro atribuem a esses termos se evidencia nas respostas sobre reserva de emergência e "poupança".
Marcelo Billi relatou que muitas pessoas não consideram a “poupança” como um investimento ou aplicação financeira; para elas, "poupança" refere-se ao ato de guardar dinheiro.
Na análise qualitativa da pesquisa, participantes que afirmaram não investir, mas sim economizar, disseram que guardam seu dinheiro em "poupanças", "cofrinhos" ou "caixinhas", além de contas bancárias, sejam elas rendilheiras ou não. Contudo, para essa parcela da população, isso não era visto como um investimento, mas sim como uma "poupança", que igualmente se encaixaria como uma reserva de emergência.
Esse desencontro de compreensão é fruto da expectativa de que todos se tornem planejadores financeiros, separados entre aplicações de curto, médio e longo prazo. Entretanto, "as pessoas não vivem o dinheiro assim", explica Billi.
A ideia de reservar recursos financeiros é mais comum entre os brasileiros: 70% afirmam ter algum tipo de reserva. A maioria (24%) declarou que guarda dinheiro para um período entre um mês e cinco meses, enquanto apenas 9% mantêm valores suficientes para mais de um ano.
Os 10% de Investidores
Conforme os dados da Anbima, na 9ª edição do Raio-X do Investidor, o brasileiro apresenta preferências que perduram ao longo das gerações.
Os produtos financeiros mais mencionados, de forma espontânea, ao serem questionados sobre onde pretendem investir ou continuar investindo no próximo ano, são a poupança e imóveis.
A “caderneta de poupança” é o produto financeiro mais conhecido, com 17% dos entrevistados mencionando espontaneamente, 22% indicando que já utilizam e 20% afirmando que pretendem usar ou continuar usando.
Por sua vez, a resposta referente a "imóveis" foi bem menos expressiva, com 7% mencionando espontaneamente, 3% afirmando que utilizam como "produto financeiro" e 13% dizendo que irão usar ou continuar a usar nos próximos anos.
É importante esclarecer que o termo "usar" ou "comprar" um imóvel frequentemente refere-se à intenção de adquirir um imóvel próprio como investimento, não necessariamente com a perspectiva de reforma e revenda ou locação.
Nos dados de conhecimento espontâneo, após a poupança, os três produtos financeiros mais citados foram: títulos privados (como LCI, LCA, CDB e outros; 24%), ações (10%) e fundos de investimento (9%).
O Destaque das Criptomoedas
Entre os investimentos efetivamente realizados, as criptomoedas se destacam, com uma proporção acima (4%) de investimentos tradicionais, como ações (2%) e títulos públicos (2%).
A geração Z é a que mais investe em criptomoedas, e Billi acredita que essa tendência faz sentido no contexto do dia a dia dessa faixa etária. "Esses jovens têm tudo em um ambiente digital de jogos: roupas, patrimônio e dinheiro virtual. Para eles, moedas digitais são algo natural, que compreendem e com o qual se identificam", explica.
No entanto, a geração Z é a que menos mantém recursos na poupança.
Além da vantagem financeira e da transparência oferecida pela tokenização de ativos, Billi acredita que essa será uma tendência no futuro. "Não digo que isso ocorrerá a curto prazo, pois essa geração ainda não é a principal detentora de riqueza. Mas isso mudará, e nos encaminharemos para um mundo de ativos tokenizados e digitalizados. Precisamos nos preparar para o futuro", afirma.
Investidores em 2026
Levando em conta o conceito mais abrangente de "investir", em 2025, o Brasil contava com 60,6 milhões de investidores, mantendo um percentual estável em relação ao ano anterior, correspondente a 37%.
Para o presente ano, Anbima e Datafolha estimam que 8,7 milhões de brasileiros pretendem começar a investir, enquanto 66,6 milhões ainda não consideram essa possibilidade.
Billi observa que a educação financeira no Brasil evoluiu significativamente desde a pandemia. Contudo, ressalta que a comunicação no âmbito financeiro ainda apresenta falhas e é pouco acessível, caracterizada pelo uso excessivo de termos específicos, siglas pouco compreensíveis e uma percepção enraizada de que investimento é algo restrito aos mais abastados.
A popularização de “caixinhas”, cofrinhos e contas rendilheiras representa uma evolução importante, conforme Billi. Enquanto um fundo de investimento pode parecer abstrato e distante, com suas complexas análises e documentos, a "caixinha" torna o conceito mais tangível, permitindo que as pessoas identifiquem um objetivo específico para seus economias.
"A pessoa entende que pode colocar o dinheiro ali, ele ficará guardado e renderá. Essa familiaridade gera segurança mesmo sem que saibam qual é a aplicação financeira subjacente", complementa Billi.
Ele enfatiza que os próximos passos devem se concentrar na oferta de soluções compreensíveis, não produtos de difícil assimilação. "Na Anbima, nossa preocupação é garantir a segurança dessas soluções. Sabemos qual produto financeiro está por trás da caixinha e devemos assegurar que seja seguro e não exponha o investidor a riscos indevidos", conclui.
Fonte: www.moneytimes.com.br