Os melhores aplicativos e contas internacionais para viajar em 2026 – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

Os melhores aplicativos e contas internacionais para viajar em 2026 – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

by Rafael Martins
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A forma de realizar pagamentos no exterior evoluiu, transformando-se de um simples detalhe operacional em um componente estratégico do planejamento financeiro. Embora os cartões de crédito internacionais continuem a ser amplamente utilizados, as contas globais e os cartões multimoeda estão ganhando destaque no mercado financeiro. O uso de dinheiro em espécie, por sua vez, perdeu parte de sua importância.

Por que o cartão de crédito tradicional costuma sair mais caro?

Apesar da comodidade proporcionada pelo cartão de crédito internacional, este método costuma acumular custos que podem não ser evidentes no momento da compra. Segundo Manuel Beaudroit, CEO da belo, uma carteira global especializada em pagamentos internacionais, o problema não reside apenas no uso do cartão, mas na falta de compreensão do custo real associado à conversão de moeda.

Beaudroit destaca que pequenas taxas que se acumulam ao longo da viagem podem impactar significativamente o orçamento do viajante. Muitas vezes, essa situação é percebida apenas quando a fatura do cartão é recebida.

Diego Endrigo, planejador financeiro certificado pela Planejar, aponta três fatores principais que elevam o custo das operações com cartões de crédito. O primeiro é o Incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre compras internacionais, conforme as normativas da Receita Federal. O segundo elemento é o spread cambial, que é a diferença entre o preço de compra e o preço de venda, sendo um acréscimo aplicado pela instituição financeira sobre a cotação do dólar. Por último, a conversão da compra não acontece na data da compra, mas, sim, na data de fechamento da fatura, o que pode afetar o valor final.

Esses fatores fazem com que o consumidor enfrente o risco da variação cambial. Caso o dólar suba entre a data da compra e o fechamento da fatura, o custo final será maior. A combinação desses elementos pode resultar em um valor significativamente superior ao dólar comercial.

Desde que o IOF foi igualado a 3,5% para operações internacionais, tanto no crédito quanto no débito, essa realidade mudou. Carlos Castro, também planejador financeiro pela Planejar, observa que essa mudança altera a dinâmica tradicional dos custos.

“A ideia de que o cartão de crédito é invariavelmente mais caro devido ao IOF não se aplica mais automaticamente. A diferença de preços agora se concentra muito mais no spread”, argumenta Castro.

O spread, que representa a margem que as instituições financeiras adicionam sobre a cotação, pode variar entre 1% e 5%, dependendo do banco ou da fintech. Este fator é considerado um dos principais responsáveis pelas diferenças de custo.

Contas globais e cartões multimoeda: como funcionam

As contas globais permitem que os clientes adquiram moeda estrangeira previamente e mantenham saldo em dólar ou outras moedas, utilizando um cartão de débito vinculado a esse saldo. As mais conhecidas no mercado incluem a Wise e a Nomad.

A grande vantagem dessas contas está na previsibilidade de custos. Segundo Endrigo, “o imposto aplicado na aquisição da moeda é menor do que aquele que incide no cartão de crédito, e a cotação é fixada no momento da conversão”. Isso garante ao cliente a certeza do que pagou, elimando o risco de flutuações no valor até a data de fechamento da fatura.

Castro complementa afirmando que, com um cartão multimoeda de débito, a taxa de câmbio é estabelecida no momento em que os recursos são enviados.

“Em termos de planejamento financeiro, a certeza proporcionada pelo cartão de débito é superior àquela do cartão de crédito, uma vez que o câmbio já é garantido”, declara o planejador financeiro.

Ademais, os custos tendem a ser mais transparentes, uma vez que a taxa aparece já embutida na cotação exposta no aplicativo. No entanto, os cartões de débito geralmente não oferecem a opção de parcelamento e, em muitos casos, os programas de recompensas são limitados.

Dados internos da plataforma belo indicam que a previsibilidade e a diminuição de taxas podem resultar em uma economia de 5% a 12% no custo total da viagem. Isso representa uma economia que pode alcançar até R$ 1.200 em um orçamento total de R$ 10 mil.

Comprar dólar aos poucos faz sentido?

Para aqueles que já têm uma viagem agendada, a prática de adquirir moeda fracionadamente é frequentemente recomendada. Diego Endrigo propõe a estratégia do câmbio médio. “Ao dividir as compras ao longo do tempo, o viajante evita a concentração de exposição a um único momento de alta do dólar”, esclarece.

Entre as estratégias práticas sugeridas, estão:

  • Compra programada mensal;
  • Definição de metas de valores a serem acumulados;
  • Acompanhamento do cenário econômico;
  • Uso combinado de conta global e investimentos atrelados ao dólar.

O foco, segundo Endrigo, não deve ser a tentativa de prever o câmbio, mas a minimização da volatilidade média da exposição ao dólar.

Vale a pena manter saldo em dólar rendendo?

Além de viagens, manter uma parte do patrimônio em uma moeda forte pode ser uma estratégia válida para diversificação. Algumas contas internacionais oferecem rendimento sobre o saldo mantido, e também existe a opção de investir em ativos dolarizados.

Carlos Castro ressalta que “independentemente de planejamentos de viagem, é recomendável que parte do portfólio de investimentos esteja descorrelacionada e, portanto, possivelmente alocada no mercado internacional”. Essa estratégia sugere que o dólar pode atuar como uma proteção contra a desvalorização do real.

Entretanto, é importante considerar alguns fatores antes de decidir por manter recursos no exterior. A liquidez é um deles, sendo crucial compreender os prazos de resgate e a disponibilidade dos fundos em situações necessárias. Também existe o risco institucional, dado que contas internacionais muitas vezes não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, exigindo uma avaliação criteriosa da solidez da instituição.

Outro aspecto a ser analisado é a tributação. Ganhos cambiais e eventuais rendimentos podem ser tributáveis no Brasil. Por fim, é relevante verificar o ambiente regulatório e a segurança jurídica da instituição escolhida, garantindo que ela possua as devidas autorizações para operar.

Segundo Endrigo, o dólar deve ser encarado como uma ferramenta estratégica de planejamento, e não meramente como uma reserva financeira sem um objetivo previamente definido.

O que considerar ao escolher um app ou conta global em 2026

Dentre as soluções mais utilizadas pelos brasileiros estão a Wise e a Nomad, além de outras fintechs que também oferecem cartões internacionais e contas multimoeda.

Na hora de realizar uma escolha, é importante comparar:

  • Transparência na formação da taxa de câmbio;
  • Nível do spread;
  • Facilidade operacional do aplicativo;
  • Segurança regulatória;
  • Custos totais envolvidos na operação.

Num cenário de dólar volátil e com uma crescente percepção sobre custos “invisíveis”, como IOF e spread, efetuar pagamentos no exterior deixou de ser uma simples questão de conveniência.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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