Os mercados estão obcecados pelo Estreito de Ormuz. Por que isso importa menos do que você imagina?

Previsões e Desafios do Mercado de Energia

Prever os preços da energia é uma tarefa complexa em circunstâncias normais, mas a situação se torna ainda mais desafiadora em tempos de guerra. A atual conflitualidade, que também acarreta uma significativa desaceleração no transporte marítimo em um dos canais mais importantes do mundo, torna essa previsão particularmente difícil.

Mesmo os especialistas mais bem informados e respeitados do setor de energia estão enfrentando um cenário de incerteza, fazendo suposições sobre o futuro. A dinâmica do conflito atual intensifica a dificuldade: saber quando e como a guerra chegará ao fim poderia trazer um pouco mais de clareza para o mercado. No entanto, neste momento, é admissível reconhecer a incerteza, pois, francamente, ainda não temos respostas definitivas.

Bloqueio dos Portos Iranianos

O bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos ao redor do Estreito de Ormuz teve início há menos de uma semana. Quando a apreensão sobre esse bloqueio foi anunciada, muitos temeram que a situação poderia se agravar, desencadeando uma resposta ainda mais agressiva do Irã, ou de suas forças armadas, que poderiam atacar o tráfego marítimo, os portos ou mesmo cidadãos. Felizmente, até agora, a situação permanece relativamente calmo. Porém, é importante ressaltar que podemos estar a uma única ação, seja um ataque com drone, um míssil fora de curso ou uma explosão de mina no Hormuz, de uma escalada significativa de conflitos. Um ataque direto a um navio de guerra americano certamente faria os preços do petróleo dispararem. Este é um momento de grande tensão e incerteza.

A Importância do Estreito de Ormuz

Embora a relevância do Estreito de Ormuz tenha diminuído em relação ao que era nas últimas semanas, ainda é um ponto crucial para mais do que apenas o comércio de petróleo. Nos últimos anos, tanto a Arábia Saudita quanto os Emirados Árabes Unidos tomaram medidas estratégicas investindo na construção de oleodutos de backup. Essas infraestruturas, com uma capacidade impressionante de 7 milhões de barris por dia na Arábia Saudita e cerca de 1,5 milhão nos Emirados, resultaram em uma diminuição do fluxo de petróleo enviado por navios através do Estreito pela metade.

Há várias preocupações além da questão do petróleo, incluindo a possibilidade de escassez de fertilizantes, combustíveis para aviação, outros produtos refinados e até mesmo hélio, que é utilizado na fabricação de semicondutores. Mesmo que a navegação no Estreito retorne rapidamente aos níveis anteriores à guerra – algo que, vale ressaltar, é uma expectativa geralmente não considerada – pode demorar meses para que haja uma normalização das cadeias de suprimento relacionadas à energia. É correto afirmar que este é um período de incertezas sem precedentes. De fato, estou ciente de duas coisas:

Primeiro, o mapa de tráfego marítimo ao vivo do MarineTraffic.com é, neste momento, o mais relevante para os mercados globais.

Segundo, esta guerra terá um fim. E após esse fim, quais serão as próximas etapas? A atuação dos Estados Unidos continuará conforme o padrão estabelecido antes do conflito, ou seguirá uma nova trajetória buscando se firmar como potência energética mundial?

Perspectivas dos Investidores

Muitos investidores estão apostando na segunda opção. Entretanto, os Estados Unidos já alcançaram um recorde de produção de petróleo e atualmente não observamos um aumento significativo nas atividades de perfuração, o que indica que as grandes empresas ainda não estão prontas para investir mais.

Existem, no entanto, empresas menores que são ágeis o suficiente para incrementar sua produção. Contudo, teremos que aguardar até o final do mês, quando ConocoPhillips, ExxonMobil e Chevron divulgarão suas atualizações sobre lucros e investimentos (datas listadas abaixo no calendário).

O Que Fazer Agora?

Diante de todas essas incertezas e variáveis, o que deve fazer um investidor? As possibilidades de investimento nesse momento são diversas.

Investimentos em Segurança Energética

Após conversar com investidores e especialistas do setor de energia, um tema tornou-se claro: investir nas empresas que estão contribuindo para a segurança energética dos Estados Unidos.

Tom Lee, fundador e CEO da Fundstrat, sugere que os investidores mantenham o foco no prêmio de longo prazo, priorizando três tipos de segurança: segurança soberana, cibersegurança e segurança energética. O executivo enfatiza ainda a importância do desenvolvimento do setor energético, avaliado em trilhões de dólares. Ele e sua equipe têm uma visão otimista sobre a GE Vernova (GEV), uma empresa baseada em Boston que tem se destacado em diversas frentes dentro do setor energético, abrangendo desde gás natural até energia eólica. Contudo, é importante mencionar que o preço da ação da GE Vernova está cerca de US$ 70 acima do preço-alvo médio, que é de US$ 917, com uma valorização de 51% neste ano. É razoável esperar por possíveis atualizações de analistas em breve.

Lee também vê potencial na empresa de oleodutos ONEOK (OKE), que atualmente está cotada a US$ 84,84 e está aproximadamente US$ 12 abaixo da média das estimativas do mercado, que é de US$ 92,53. Ele ainda destaca a Texas Pacific Land (TPL), uma empresa peculiar que, segundo a empresa de pesquisa FactSet, possui apenas quatro analistas acompanhando seu desempenho. Dentre estes, um deles possui uma rara recomendação de venda, enquanto outro classificou a ação como em subpeso. Lee, no entanto, parece indiferente a essas recomendações, talvez por considerar a recente queda de 23% em relação aos seus máximos.

O CEO da Fundstrat também demonstra forte confiança na gigante do setor, Quanta Services (PWR), que é referência em linhas de transmissão de energia.

Tom Hulick, da Strategy Asset Managers, está alinhado com a visão de Lee em relação ao setor de oleodutos, recomendando a Kinder Morgan (KMI) para seus clientes. Hulick acredita que nunca houve um momento tão favorável para empresas de transporte de petróleo e gás e não demonstra preocupação ao ver suas ações próximas aos máximos históricos. O executivo elogia a KMI e sua vasta rede de quase 80.000 milhas de oleodutos, considerando-a uma "infraestrutura energética fundamental".

Outras Ações a Considerar

Aqui estão algumas outras ações relacionadas ao setor de energia que merecem atenção dos investidores. Essas são as 10 ações de energia com maior potencial de valorização, de acordo com os preços-alvo consensuais de analistas.

Fonte: www.cnbc.com

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