United e American Airlines: Uma Mega Fusão à Vista com a Possível Participação da Azul – Times Brasil

Proposta de Fusão entre United Airlines e American Airlines

O CEO da United Airlines, Scott Kirby, apresentou ao governo Trump uma proposta para a fusão entre a American Airlines. Se concretizada, essa fusão resultaria na maior companhia aérea do mundo, com uma receita superior a US$ 100 bilhões e uma frota de mais de 2.800 aeronaves. A união das duas empresas concentraria cerca de 9% do mercado aéreo global, colocando a Delta em segundo lugar, com 4,3% do mercado.

A combinação da United e American controlaria mais de um terço do mercado aéreo dos Estados Unidos. No mercado de ações, a United é avaliada em aproximadamente US$ 31 bilhões, enquanto a American vale cerca de US$ 7,4 bilhões. No pregão de terça-feira (14), as ações da American subiram 8%, encerrando um ciclo de três dias de queda, enquanto os papéis da United tiveram um avanço de 2,1%. A Delta, que não participa das negociações, também teve um crescimento de 6,9%.

Encontro na Casa Branca

A proposta surgiu durante um encontro com o presidente Donald Trump no dia 25 de fevereiro, que originalmente tinha como pauta a reforma do Aeroporto Internacional Washington Dulles, localizado em Washington DC. Foi nesse contexto que Kirby introduziu a ideia da fusão. No entanto, não está claro se as conversas subsequentemente avançaram ou se há um processo formal de avaliação em andamento.

Kirby argumentou que uma companhia combinada teria uma posição mais forte nas rotas internacionais, uma vez que as empresas estrangeiras respondem pela maior parte da capacidade de assentos nos voos de longa distância com os Estados Unidos como origem ou destino, apesar de os passageiros americanos constituírem a maioria dos viajantes.

Desafios Antitruste

O tamanho da proposta é um dos elementos que torna essa fusão altamente controversa. “Mesmo o regulador antitruste mais permissivo deveria impedir uma fusão tão evidentemente anticoncorrencial”, afirmou Ganesh Sitaraman, professor da Faculdade de Direito de Vanderbilt.

O advogado antitruste Andre Barlow, do DBM Law Group, enfatiza que esse acordo poderia reduzir os “Big Four” do setor para apenas um “Big Three”, criando um jogador dominante no mercado. “Eu não tenho certeza de que esse acordo possa ser concretizado. O governo Trump tem preocupações com acessibilidade, e essa fusão reduziria as opções disponíveis”, disse Barlow à Reuters.

O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, declarou à CNBC que existe “espaço” para fusões no setor e que Trump “gosta de ver grandes negócios ocorrerem.” No entanto, Duffy ponderou que seria necessário desinvestir parte dos ativos. Para que a operação se concretizasse, seria necessária a aprovação do Departamento de Transportes, do Departamento de Justiça e do próprio Trump.

William Kovacic, diretor do centro de direito da concorrência da Universidade George Washington, foi mais objetivo. “Os sobreposições em várias rotas e em diversas áreas metropolitanas, como Chicago, são inúmeras. Nenhuma quantidade de desinvestimento resolveria isso”, afirmou Kovacic à Reuters.

Impactos nas Tarifas

Um dos principais pontos de preocupação dos analistas diz respeito aos preços. As tarifas aéreas já estão apresentando um aumento significativo: voos domésticos de curta distância na Delta e na United mostraram alta de 30% a 35% nas tarifas mais baratas na semana encerrada em 4 de abril, em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme levantamento do banco UBS. Na American, o incremento foi de cerca de 10%.

No contexto de viagens realizadas com antecedência de quatro semanas, os aumentos nas tarifas chegam a 20% a 25% nas três grandes companhias. Uma fusão, segundo analistas, poderia elevar ainda mais essas cifras.

Movimento de Consolidação no Setor

Essa proposta de fusão não ocorre em um vazio, já que quase 60% dos investidores consultados pelo Citi no início de 2026 acreditavam que um grande evento de fusão ou aquisição poderia ser provável no setor aéreo ao longo do ano. Em janeiro, a Allegiant anunciou a compra da Sun Country por aproximadamente US$ 1,5 bilhão. Em março, a JetBlue iniciou o processo de consulta com assessores para explorar a sua venda a um concorrente.

Desempenho das Ações Recente

Desde o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irã no final de fevereiro, as ações de ambas as companhias enfrentaram quedas significativas. Durante esse período, a American viu suas ações recuarem 14,1%, enquanto a United registrou uma queda de 10,4%. No acumulado de 2026, as ações da United caíram 15%, enquanto as da American recuaram 27%.

O aumento nos preços do querosene de aviação, impulsionado pelas tensões no Estreito de Ormuz, pressiona as margens operacionais do setor. Empresas que têm uma estrutura financeira mais robusta podem se beneficiar desse cenário.

Desde o início dos conflitos, o preço do querosene de aviação aumentou cerca de 90%. O petróleo Brent também submeteu-se a um aumento superior a 50% nesse mesmo período.

A American enfrenta cerca de US$ 35 bilhões em dívidas, além de esforços para reconquistar clientes corporativos após estratégias que não foram bem recebidas. A companhia também lida com a insatisfação dos pilotos com a gestão de Robert Isom, que atualmente ocupa o cargo de CEO.

A United anunciou que reduzirá a capacidade a partir de maio, priorizando voos fora dos horários de pico. As demais companhias têm seguido um ritmo mais lento em tal abordagem. Para a United, um acordo desse porte poderia proporcionar uma liderança clara sobre a Delta Air Lines, que exerce domínio no setor em termos de lucratividade e receita premium.

Histórico de Rivalidade e Fusões

A rivalidade entre Kirby e a American não é recente. Antes de assumir a presidência da United, ele foi presidente da American e deixou essa posição ao perceber que não chegaria à função de CEO. Desde então, as duas companhias têm travado uma intensa disputa, especialmente pelo controle do aeroporto O’Hare, localizado em Chicago.

Antitruste refere-se ao conjunto de leis que proíbem práticas empresariais que possam limitar a concorrência. Nos Estados Unidos, tanto o Departamento de Justiça quanto a Comissão Federal de Comércio têm a autoridade para bloquear fusões que resultem em uma concentração excessiva no setor, prejudicando os consumidores com tarifas mais altas ou opções de serviços limitadas.

Companhia Mercado Global Valor de Mercado Parceira no Brasil
United Airlines 4,7% US$ 31 bilhões Azul (~8%)
American Airlines 4,3% US$ 8 bilhões Gol (parceria) / Azul (em negociação)
Delta Air Lines 4,3% US$ 47,1 bilhões LATAM (joint venture + ações)
Fontes: Jefferies, Wall Street

Contexto no Brasil

No Brasil, a possível fusão adquire uma nova dimensão. Ambas as companhias estão expandindo suas operações no mercado doméstico, cada uma associada a uma companhia nacional diferente.

A United possui uma participação de aproximadamente 8% na Azul, resultante de um investimento de US$ 100 milhões, que foi aprovado pelo Cade em fevereiro de 2026. A companhia também possui uma exposição indireta à holding Abra Aviação, que controla a Gol Linhas Aéreas.

A American, por sua vez, mantém uma parceria histórica com a Gol e um programa de fidelidade conjunto. Além disso, está negociando um aporte de US$ 100 milhões para integrar a base acionária da Azul, uma transação atualmente sob análise do Cade.

A Delta completa esse cenário. Com uma joint venture em operação desde outubro de 2022 e participação acionária na LATAM, a Delta registrou um crescimento de 88% na capacidade no corredor que liga a América do Norte à América do Sul em três anos de operação.

No tráfego específico entre Brasil e EUA, o número de passageiros aumentou de 797 mil em 2022 para 2 milhões em 2024.

Portanto, o mercado doméstico brasileiro se tornou uma extensão da competição que as “Big Three” americanas estão travando no cenário global.

Fonte: timesbrasil.com.br

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