Aumento dos Preços do Cobre
Os preços do cobre registraram uma forte alta este ano, atingindo múltiplos recordes históricos, impulsionados por interrupções no fornecimento e pelo aumento da demanda devido a temores relacionados às tarifas nos Estados Unidos. A expectativa é que esse rally continue até 2026.
Expectativas do Mercado
Analistas da Citi projetam que os preços do cobre, também conhecido como metal vermelho, devem ascender com base na demanda mais robusta, impulsionada pelos setores de transição energética e inteligência artificial. A eletrificação, a expansão de redes elétricas e a construção de data centers requerem grandes quantidades deste metal para fios, transmissão de energia e infraestrutura de resfriamento.
Conforme a Citi, os déficits projetados de cobre resultantes de um fornecimento mineiro restrito, juntamente com o contínuo "acúmulo" do metal nos Estados Unidos devido a oportunidades de arbitragem, devem contribuir para o aumento dos preços. "Esperamos que os Estados Unidos acumulem o estoque global de cobre e, em um cenário otimista, que reduzam ainda mais os estoques já escassos fora do país," disseram os analistas.
Previsões de Preço
A corretora prevê que o cobre pode atingir a marca de $13.000 por tonelada no início de 2026, e até mesmo $15.000 no segundo trimestre do próximo ano. De forma similar, Andrew Glass, CEO da Avatar Commodities, afirma que os preços do cobre devem alcançar "novos altos estratosféricos", especialmente com o acúmulo físico nos Estados Unidos, que continua a afetar a disponibilidade internacional do metal. Segundo ele, o rally atual reflete uma "distorsão altamente irregular", motivada principalmente pela expectativa de tarifas, ao invés de fundamentos tradicionais de oferta e demanda. Além disso, Glass acrescentou que a demanda por cobre na China tem decepcionado nos últimos meses.
Pressão sobre os Setores de Energia
Ewa Manthey, especialista em commodities do ING, que prevê aumento dos preços para até $12.000 por tonelada no segundo trimestre do próximo ano, observou que os preços cada vez mais elevados do cobre devem pressionar as margens em setores que consomem muita energia. Os preços à vista do metal, considerados um indicador antecipado da economia global, atingiram um novo pico na sexta-feira, alcançando $11.816 por tonelada na London Metals Exchange, com os contratos futuros para 3 meses encerrando a $11.515.
Fatores de Tensão no Fornecimento
Uma quantidade significativa de aperto nos preços está relacionada às preocupações com tarifas sobre os fluxos de cobre refinado para os Estados Unidos. Natalie Scott-Gray, analista sênior de metais da StoneX, citou que "uma quantidade substancial de tensão diz respeito às preocupações com tarifas associadas aos fluxos de cobre refinado". Segundo dados fornecidos pela StoneX, os fluxos de cobre refinado para os Estados Unidos aumentaram cerca de 650.000 toneladas ao longo deste ano, elevando os estoques no país para aproximadamente 750.000 toneladas. Uma vez que os preços do cobre nos Estados Unidos são mais altos do que em outros lugares, os comerciantes têm um forte incentivo para enviar grandes quantidades do metal para o país, conforme mencionado por Scott-Gray.
Oferta Cada Vez Mais Restrita
Atualmente, o cobre cotado na London Metal Exchange estava sendo negociado a cerca de $11.515 por tonelada métrica para entrega em três meses, enquanto os futuros do cobre na COMEX dos Estados Unidos, para entrega em março, estavam cotados a aproximadamente $11.814 por tonelada métrica, criando oportunidades de arbitragem. Essa dinâmica de preços pressionou a oferta fora dos Estados Unidos, especialmente as reservas de cobre na London Metal Exchange, que é frequentemente descrita como o mercado de último recurso, absorvendo o excesso do metal quando a demanda é fraca e liberando-o quando a oferta se aperta em outros lugares. Os dados de inventário da LME são comumente interpretados como um barômetro da tensão mais ampla no mercado.
Uma proporção crescente dos estoques de cobre na LME tem sido reportada como atrelada aos chamados "warrants cancelados", o que significa que o metal foi reservado para entrega física a outros compradores e, consequentemente, está efetivamente indisponível no mercado, intensificando os temores de uma escassez de oferta. Dados publicados pela LME na última semana mostram que os estoques de cobre na bolsa estão em torno de 165.000 toneladas, com 66.650 toneladas, aproximadamente 40%, marcadas para entrega. Esses níveis de inventário estão quase 40% mais baixos em comparação com o início do ano.
Interrupções nas Minerações
O rally dos preços do cobre também é suportado por interrupções persistentes nas minas, que têm prejudicado as expectativas para o crescimento futuro da oferta. Em uma nota divulgada na quarta-feira, o Deutsche Bank caracterizou o ano de 2025 como "um ano fortemente afetado", com retrocessos na produção obrigando várias mineradoras a reduzirem suas estimativas de produção. Nos últimos dias, vários produtores de cobre importantes forneceram orientações atualizadas sobre a produção, reduzindo em cerca de 300.000 toneladas a produção de cobre prevista para 2026, conforme dados compilados pelo Deutsche Bank.
"De forma geral, vemos o mercado em um claro déficit, com a oferta mineira no seu ponto mais fraco no quarto trimestre de 2025 e no primeiro trimestre de 2026," disse o banco, antecipando preços máximos e uma forte tensão no mercado na primeira metade de 2026. O gigante do comércio de commodities Glencore reduziu sua previsão de produção para 2026, ajustando-a para uma faixa de 810.000 toneladas a 870.000 toneladas, devido à menor captação da principal mina chilena, Collahuasi, que é co-propriedade da Anglo American. O grupo minerador Rio Tinto também prevê que a produção de cobre no próximo ano deverá diminuir entre 800.000 toneladas e 870.000 toneladas, de acordo com informações da Reuters, em comparação com a previsão para este ano, que variava de 860.000 a 875.000 toneladas.
Fonte: www.cnbc.com


