Os preços do ouro apresentaram uma recuperação significativa na terça-feira, dia 3, acompanhados por ganhos consideráveis nas cotações da prata e da platina, enquanto os metais preciosos pareciam encontrar estabilidade após duas sessões de quedas acentuadas.
Às 10h25, no horário de Brasília, o ouro à vista registrou um aumento de 5,8%, alcançando US$ 4.931,00 por onça. Os contratos futuros de ouro para abril avançaram 6,4%, atingindo o valor de US$ 4.952,34 por onça. O preço da prata à vista disparou mais de 14%, subindo para US$ 88,338 por onça, enquanto a platina à vista avançou 5,9%, fixando-se em US$ 2.230,10 por onça.
Ouro se recupera após forte queda de máximas históricas
No dia anterior, o ouro havia alcançado uma baixa de US$ 4.400 por onça, eliminando quase US$ 1.200 em relação à máxima histórica registrada na semana passada. Essa forte queda foi impulsionada por uma realização agressiva de lucros, sucedendo a indicação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o ex-governador do Federal Reserve, Kevin Warsh, seria o próximo presidente do banco central.
Embora essa indicação tenha dissipado uma importante fonte de incerteza nos mercados, reduzindo, assim, a demanda por ativos considerados refúgio, a expectativa é de que Warsh é visto como menos moderado do que os investidores haviam antecipado. Contudo, sinais de estabilização foram observados no fechamento da segunda-feira, com o ouro à vista encerrando a sessão bem acima dos mínimos do dia.
Analistas do ANZ destacaram em uma nota que “uma maior estabilização será determinada pela mentalidade do mercado de varejo. A demanda física desse setor tem se mostrado forte nos últimos meses e pode fornecer um contexto favorável para vendas alavancadas no mercado institucional”. Afirmaram, ainda, que os fundamentos que sustentam o ouro permanecem inalterados.
Os analistas do ANZ também mencionaram que “as compras de ouro por bancos centrais devem permanecer robustas em meio a tensões nas relações internacionais, enquanto preocupações sobre a independência do Fed e o aumento dos prêmios de risco relacionados a ativos americanos podem intensificar a volatilidade, sustentando a demanda por ouro até 2026”.
Por outro lado, o ING adotou uma postura mais cautelosa, observando que riscos ainda permanecem no curto prazo. “Os riscos de queda nos próximos meses persistem, dado que os ganhos acumulados no ano estão quase totalmente revertidos; alguns investidores podem seguir realizando lucros”, indicou o banco em um comunicado. “Na ausência de mudanças significativas nos fundamentos, a correção parece mais um recuo temporário do que um novo padrão de tendência. A volatilidade, portanto, deverá se manter elevada.”
O ouro valorizou-se “demasiado demais, demasiado depressa” – BCA Research
Apesar da recente recuperação, alguns estrategistas emitiram alertas sobre a forte valorização dos metais preciosos e industriais, que podem indicar sinais de especulação excessiva. Peter Berezin, estrategista-chefe global e diretor de pesquisa da BCA Research, advertiu que os preços podem ter subido “demais, muito rápido”.
Em uma recente comunicação aos investidores, Berezin delineou um cenário de longo prazo no qual o ouro poderia, hipoteticamente, perder a maior parte de seu valor. Ele argumentou que as razões atuais para essa valorização estão ligadas a preocupações legítimas sobre a desvalorização da moeda, mencionando o aumento do déficit orçamentário dos EUA, a expansão do endividamento e a alta participação estrangeira em ativos americanos, o que torna o dólar vulnerável, especialmente à medida que alguns investidores estão reduzindo suas reservas.
Ao mesmo tempo, os bancos centrais estrangeiros continuam a acumular ouro. Berezin apontou que “embora o volume físico de compras de ouro tenha diminuído, o valor do dólar continua a aumentar”.
No entanto, ele também observou que os principais indicadores de inflação ainda não valida a narrativa de desvalorização. As expectativas de inflação a longo prazo mantêm-se relativamente estáveis, enquanto o Bitcoin — frequentemente denominado “ouro digital” — não acompanhou a valorização recente.
Cobre se estabiliza após recente queda
No que diz respeito ao setor de metais básicos, os preços do cobre também registraram alta na terça-feira, recuperando-se de uma recente fraqueza. Os contratos futuros de cobre de referência na Bolsa de Metais de Londres (LME) registraram aumento de 4%, alcançando US$ 13.451,00 por tonelada, enquanto os contratos futuros na COMEX tiveram um ganho de 4,3%, alcançando US$ 6,0780 por libra.
As perdas sofridas pelo cobre foram significativamente menos severas do que aquelas observadas nos metais preciosos, refletindo uma perspectiva ainda otimista em relação à demanda, especialmente devido à expansão da capacidade de geração de energia e à contínua construção de data centers. Analistas do ANZ relataram que compradores chineses aproveitaram os preços reduzidos na semana anterior, além de aumentar seus estoques em antecipação ao feriado do Ano Novo Lunar.
Sendo o maior importador mundial de cobre, a expectativa é que a China continue a ser uma fonte importante de demanda, especialmente enquanto o governo de Pequim prosseguir com a implementação de medidas adicionais de estímulo à economia.

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