Petrobras (PETR4) prevê queda de 1,8% em investimentos para US$ 109 bilhões nos próximos 5 anos; plano indica redução nos dividendos.

Petrobras (PETR4) prevê queda de 1,8% em investimentos para US$ 109 bilhões nos próximos 5 anos; plano indica redução nos dividendos.

by Ricardo Almeida
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Investimentos da Petrobras

A Petrobras (PETR4) aprovou um total de investimentos de US$ 109 bilhões para o período entre 2026 e 2030. Esse montante representa uma redução de aproximadamente 1,8% em comparação com o plano quinquenal anterior, que abrangeu os anos de 2025 a 2029. Essa diminuição nos investimentos é influenciada pela queda nos preços do petróleo, o que afeta o compromisso da empresa com a disciplina do capital e o controle dos gastos.

Impacto nos Projetos

A diminuição programada nos investimentos não afeta a divisão de Exploração e Produção de petróleo. Na realidade, essa área poderá até receber aportes adicionais em cinco anos, dependendo do valor do petróleo. A redução de gastos concentrou-se especialmente em projetos relacionados a energias de baixo carbono e iniciativas de descarbonização, conforme informou a companhia em um comunicado ao mercado.

O montante aprovado está em conformidade com uma reportagem da Reuters, que destacou que o conselho de administração da empresa estava considerando um valor de US$ 109 bilhões. Esse é o primeiro recuo no investimento da estatal em seu plano plurianual desde o anúncio feito em 2020, durante o auge da pandemia de Covid-19.

Do total aprovado, cerca de US$ 91 bilhões estão destinados a projetos em andamento. Entretanto, esse valor pode ser reduzido para US$ 81 bilhões caso o preço do petróleo permaneça abaixo das expectativas, configurando um novo mecanismo que proporcionará segurança à financiabilidade do plano. "Avaliações trimestrais, considerando as projeções de fluxo de caixa e a estrutura de capital, determinarão a continuidade desses projetos e a possível priorização", salientou a companhia.

Uma fonte próxima à Petrobras, que preferiu não se identificar, mencionou que, caso o preço do petróleo Brent fique abaixo de US$ 63, se a produção não seguir as estimativas ou se outras variáveis ocorrerem, os investimentos poderão ser cortados.

Projeções de Preço de Petróleo

As novas premissas do plano projetam que o preço do Brent, referência internacional para o petróleo, se mantenha em US$ 63 por barril em 2026, uma queda em relação aos US$ 77 do plano anterior. Para os anos seguintes, o preço médio projetado é de US$ 70.

Além dos US$ 91 bilhões em projetos atuais, há mais US$ 18 bilhões alocados para projetos que estão em andamento, totalizando os recursos previstos. A Petrobras aposta em investimentos de US$ 19,4 bilhões para 2026, alcançando um pico de US$ 21 bilhões em 2027. Esse montante, porém, deve cair para US$ 20,5 bilhões em 2028, US$ 16,1 bilhões em 2029 e US$ 14,3 bilhões em 2030. Ao comparar, o pico de investimentos no plano anterior estava estimado em US$ 20,9 bilhões para 2028.

Redução de Custos

A companhia também se comprometeu a aumentar a eficiência na alocação de seu capital e implementou medidas que visam otimizar custos, com uma economia estimada de US$ 12 bilhões nos gastos operacionais entre 2025 e 2030. Isso representa uma redução média anual de 8,5% em relação ao plano anterior. Para atingir esse objetivo, a Petrobras elencou diversas iniciativas, como a redução de gastos em plataformas inativas, otimização na logística aérea e marítima, assim como melhorias nas intervenções em poços e inspeções submarinas.

No contexto de um ambiente desafiador relacionado aos preços do petróleo, a companhia demonstrou uma postura mais cautelosa em relação à remuneração destinada aos acionistas. De acordo com o relatório, os dividendos ordinários estão projetados entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões para o período do plano, inferior à previsão anterior, que chegava a até US$ 55 bilhões. A previsão de dividendos extraordinários foi totalmente eliminada, ao passo que antes poderia alcançar até US$ 10 bilhões.

Pico de Produção

Apesar da redução nos investimentos, caso o mercado de petróleo se mantenha estável, a área de Exploração e Produção poderá aumentar seus aportes, uma vez que a empresa busca acelerar sua capacidade de produção. A Petrobras elevou os investimentos na Exploração e Produção de petróleo e gás (E&P) em US$ 1 bilhão em comparação com o plano anterior, totalizando US$ 78 bilhões para os próximos cinco anos.

Nesse contexto, a companhia projeta atingir um pico de produção de 2,7 milhões de barris de óleo por dia (bpd) em 2028, o que representa um aumento de 200 mil bpd em relação à meta de 2026. Para o ano de 2025, a produção de petróleo deve crescer 100 mil bpd em relação aos 2,4 milhões de bpd previstos.

Em termos de produção total, considerando petróleo e gás, a expectativa é que o pico de produção alcance 3,4 milhões de barris equivalentes por dia (boed) em 2028 e 2029, com uma margem de variação estimada de 4% para mais ou para menos.

Para fomentar essa produção nos próximos anos, a Petrobras planeja adicionar oito novos sistemas de produção até 2030, com sete deles já contratados. A Petrobras atua como operadora de todos esses campos, exceto o Raia, que é operado pela Equinor. O crescimento significativo no campo de Búzios, na Bacia de Santos, será crucial, uma vez que a empresa planeja concluir a instalação de 11 plataformas do tipo FPSO até 2027, com o início da operação das unidades já contratadas P-78, P-79, P-80, P-82 e P-83, além de estar em processo de licitação para uma 12ª unidade de produção, a P-91.

Refino e Cortes em Outras Energias

Os investimentos em Refino, Transporte e Comercialização estão estimados em cerca de US$ 20 bilhões, o que representa um valor estável se comparado com o estabelecido no plano anterior. Esses recursos serão destinados a projetos que visam ampliar a capacidade de processamento da Petrobras de 1,8 milhão bpd para 2,1 milhões bpd até 2030, resultando em um acréscimo de 320 mil bpd, incluindo os projetos que estão sob avaliação.

No que se refere à área de Gás e Energias de Baixo Carbono, a Petrobras indicou que os investimentos totais serão de US$ 9 bilhões, o que representa uma diminuição em relação aos US$ 11 bilhões previstos no plano anterior. A Área Corporativa também teve seus aportes reduzidos para US$ 2 bilhões, em comparação com os US$ 3 bilhões que eram esperados anteriormente.

Além disso, a Petrobras reduziu os recursos alocados para descarbonização operacional para US$ 4,3 bilhões no horizonte do novo plano, resultando em uma redução de US$ 1 bilhão em relação ao programa anterior. Outro corte significativo foi observado nos investimentos em energias de baixo carbono, onde os valores foram revisados para US$ 3,1 bilhões, comparação aos US$ 5,7 bilhões previstos anteriormente. Por outro lado, os investimentos em biocombustíveis aumentaram para US$ 4,8 bilhões, em comparação com US$ 4,3 bilhões no plano anterior, enquanto o investimento em etanol permanece em US$ 2,2 bilhões, embora a empresa não tenha anunciado acordos com usinas desde o ano passado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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