Prisão de Deputado Estadual em Operação da Polícia Federal
A Polícia Federal deteve nesta terça-feira, 5, o deputado estadual Thiago Rangel, do partido Avante, durante a quarta fase da operação Unha e Carne. Essa operação investiga um esquema de fraudes envolvendo contratos da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, com indícios de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis administrada pelo grupo sob investigação.
Mandados de Prisão e Busca
Agentes federais estão dando cumprimento a um total de sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro e nas cidades de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Todas as ordens foram emitidas pelo Supremo Tribunal Federal. O parlamentar tem espaço garantido para se manifestar sobre as acusações.
Direcionamento de Contratos e Lavagem de Dinheiro
As investigações revelam indícios de um esquema que direcionava contratos firmados por escolas estaduais a empresas previamente selecionadas e vinculadas ao crime organizado. Parte dos recursos desviados, segundo a Polícia Federal, era direcionada para contas associadas a postos de combustíveis controlados pelo grupo investigado. Nesses locais, o dinheiro desviados era misturado a receitas legítimas, o que visava dificultar a rastreabilidade de sua origem.
Thiago Rangel já havia sido alvo da Operação Posto de Midas em outubro de 2024, quando foi suspeito de fraudar licitações e realizar lavagem de dinheiro mediante a mesma rede de postos de combustíveis. Naquela oportunidade, a Polícia Federal identificou 18 postos de combustíveis e 12 empresas ligadas ao parlamentar. Durante esse período, o patrimônio declarado por Rangel teria se elevado de R$ 224 mil para R$ 1,9 milhão.
Antes de sua atuação na Assembleia Legislativa do Rio, Rangel foi eleito vereador em 2020 em Campos dos Goytacazes. Além disso, exerceu funções no Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro e no Departamento de Transportes Rodoviários do Estado.
Histórico de Prisões Relevantes na Operação
A operação Unha e Carne já conta com um histórico de alvos de alto perfil ao longo de suas fases. Na primeira fase da operação, realizada em dezembro de 2025, foi preso Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele foi novamente detido em março de 2026, a mando do STF, sob a suspeita de vazar informações sigilosas em benefício do Comando Vermelho.
Na segunda fase, também em dezembro de 2025, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi preso sob a suspeita de ter repassado dados de outra investigação federal.
Integração da Operação com Força-Tarefa
A operação é parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, que foi criada em conformidade com o acórdão da ADPF 635 do STF. O intuito é garantir uma atuação coordenada da Polícia Federal para combater os principais grupos criminosos no estado do Rio de Janeiro. O foco das ações está voltado para a asfixia financeira dessas organizações e na interrupção de suas conexões com agentes públicos.
Os indivíduos sob investigação podem responder a diversas acusações, incluindo organização criminosa, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que possam ser verificados durante o processo de investigação.
Fonte: timesbrasil.com.br