Operação Cliente Fantasma da Polícia Federal
A Polícia Federal deflagrou, na última quarta-feira, dia 25 de fevereiro, a Operação Cliente Fantasma em São Paulo. A iniciativa tem como objetivo aprofundar as investigações relacionadas a uma instituição financeira suspeita de facilitar a lavagem de mais de R$ 25 bilhões, incluindo valores associados às maiores organizações criminosas do Brasil.
Alvos da operação
O foco da operação é o banco BMP, anteriormente conhecido como BMP Money Plus, que possui sua sede localizada na Avenida Paulista. Os agentes estão cumprindo mandados de busca e apreensão nas dependências da instituição, bem como realizando diligências nos endereços do presidente do banco e do responsável pelo setor de compliance.
A BMP comunicou que está colaborando ativamente com as autoridades durante o desenrolar da operação.
Irregularidades identificadas
Conforme informações da Polícia Federal, mesmo com a autorização regular para operar expedida pelo Banco Central, a instituição apresentava falhas significativas ao deixar de informar a identificação de seus clientes ao referido órgão regulador. Esse descumprimento integra a Resolução 179/2022 e outras normas que visam à prevenção da lavagem de dinheiro.
Os investigadores apontam que essas omissões possibilitaram a criação de um ambiente favorável à ocultação de informações sensíveis. Essa situação permitia que os clientes permanecessem “blindados” contra as quebras de sigilo bancário e bloqueios judiciais, o que dificultava a atuação das autoridades em relação a práticas ilícitas.
Comunicações não realizadas
O inquérito revela que o BMP não realizou as comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Essa falta de comunicação contribuiu para a ocultação e dissimulação da origem ilícita dos valores movimentados na instituição financeira.
Mandados e consequências legais
Nesta fase da operação, os mandados estão sendo cumpridos na sede da instituição, bem como nos endereços do presidente da empresa e do responsável pelo compliance. As ordens judiciais foram emitidas pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
Aqueles que estão sendo investigados poderão enfrentar acusações relacionadas à gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de capitais.
Desdobramentos da operação
A Operação Cliente Fantasma é um desdobramento da Operação Alcaçaria, que foi deflagrada em 2024. Nesse contexto, foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. Além disso, houve compartilhamento de provas da Operação TaiPan, que também ocorreu em 2024 e resultou em 38 mandados de busca e 16 mandados de prisão. Ambas as operações fazem parte de uma ampla frente de combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
Significado do nome da operação
De acordo com a Polícia Federal, o nome da operação faz alusão à prática adotada pela instituição financeira investigada, que mantinha contas e operações sem a devida identificação dos titulares perante o Banco Central. Essa estratégia resultou na criação de usuários que permaneciam “invisíveis” aos órgãos de controle financeiro, funcionando como verdadeiros fantasmas dentro do sistema, o que possibilitava a movimentação bilionária de valores ilícitos sem a devida fiscalização.
Posicionamento da BMP
A BMP se manifestou afirmando que está colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo todos os esclarecimentos necessários. A instituição está disponibilizando todas as informações sobre as operações anteriores de ex-clientes que estão sendo alvo de apuração. A companhia continua a operar seus produtos normalmente enquanto as investigações estão em andamento.
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Fonte: br.-.com


