Advertência da Pimco sobre Créditos de Baixa Qualidade
A Pimco, uma gestora global de ativos que possui $2,27 trilhões em ativos sob gestão, alerta os investidores de renda fixa para evitarem créditos de baixa qualidade. A empresa divulgou, em sua perspectiva para 2026, que "o ciclo de perdas de crédito já começou". De acordo com o relatório elaborado pelo consultor econômico global Richard Clarida, pelo diretor de investimentos de renda fixa global Andrew Balls e pelo diretor de investimentos Dan Ivascyn, "após anos de retornos sem esforço, o ciclo de inadimplências está se reafirmando, e esperamos perdas significativamente maiores em créditos de baixa qualidade, como empréstimos alavancados e empréstimos diretos privados". A Pimco considera isso como o início de uma tendência secular na qual a qualidade e a seleção de crédito serão mais importantes do que nunca.
Mudanças no Cenário Econômico
As variações nos retornos entre as classes de ativos e na economia global serão impulsionadas pela geopolítica, pela política doméstica e pela política industrial, incluindo a enorme expansão da inteligência artificial, o aumento dos gastos com defesa e investimentos em energia.
Retornos e Risco
Entretanto, os spreads de crédito continuam estreitos em todo o mercado de títulos, incluindo no segmento de alto rendimento e crédito privado. Quando os spreads de crédito estão apertados, os investidores recebem menos recompensa por assumir mais risco de crédito. A Pimco não interpreta essa situação como um sinal de força, mas sim como um indicativo de complacência. O relatório afirma que "o custo da complacência aumentou significativamente". Portanto, "os investidores não podem mais confiar em suposições ultrapassadas sobre globalização, garantias políticas e volatilidade contida".
Construindo Portfólios Resilientes
A empresa acredita que os investidores podem construir portfólios resilientes sem precisar recorrer a riscos excessivos. As oportunidades "permanece abundantes" devido ao reset geracional nos rendimentos dos títulos que se iniciou há alguns anos. Assim, "a renda fixa de alta qualidade pode mais uma vez oferecer níveis de rendimento competitivos em comparação com os retornos de ações de longo prazo, com volatilidade substancialmente mais baixa e um forte potencial em uma variedade de cenários, particularmente em momentos de recessão", comentaram Clarida, Balls e Ivascyn. Além disso, os títulos podem atuar como um lastro durante episódios de aversão ao risco nos mercados financeiros.
Oportunidades de Alto Convictividade
A Pimco identifica algumas áreas que apresentam "oportunidades de alto convicção". Primeiramente, a empresa demonstra interesse por títulos de médio prazo devido ao seu atrativo equilíbrio entre rendimento e risco, além do efeito de roll-down, que se refere ao envelhecimento dos títulos e sua descida na curva de rendimento. "O segmento de cinco a dez anos das curvas de rendimento globais parece bem compensado em relação tanto ao caixa de curto prazo quanto à extremidade longa, onde as dinâmicas fiscais e a incerteza dos prêmios de prazo sugerem cautela", afirmaram.
Títulos Lastreados em Hipotecas
Os títulos de hipotecas emitidos por agências também se destacam para a Pimco, considerando que seus spreads permanecem amplos em relação à história, e apresentam alta qualidade de crédito e dinâmicas de oferta e demanda em melhoria. "Essa combinação pode oferecer uma fonte atrativa de renda e diversificação", observaram Clarida, Balls e Ivascyn.
Títulos Soberanos e Diversificação
Adicionalmente, a Pimco se mostra favorável a títulos soberanos globais devido à divergência dos caminhos monetários entre os países. Os títulos podem oferecer diversificação e fortalecer os retornos ajustados ao risco ao longo do tempo. A equipe vê oportunidades de seleção ativa de países, incluindo aqueles em mercados emergentes que possuem políticas críveis e fundamentos robustos, além de posicionamentos de curva que estavam em grande parte ausentes na era de flexibilização sincronizada das taxas de juros.
Papel dos Títulos Vinculados à Inflação
Por fim, os títulos indexados à inflação e uma seleção de ativos reais podem desempenhar um papel importante na composição da carteira. "Com a inflação apresentando riscos crescentes e os riscos geopolíticos relacionados à energia elevados, os rendimentos reais (ajustados à inflação) que são positivos em padrões históricos podem ajudar a proporcionar um amortecedor significativo contra a volatilidade", destacou a Pimco. "O ouro, em particular, continua a servir como um reserva de valor neutra em um mundo de confiança parcial nas moedas fiduciárias".
Fonte: www.cnbc.com