Pix se torna uma ferramenta de negociação dos EUA na disputa comercial com o Brasil - Times Brasil

Pix se torna uma ferramenta de negociação dos EUA na disputa comercial com o Brasil – Times Brasil

by Fernanda Lima
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O Papel do Pix nas Relações Brasil-Estados Unidos

O Pix tem se destacado nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, sendo considerado mais uma ferramenta de negociação do que um elemento decisivo para sanções contra o Brasil. Essa análise é de Gesner Oliveira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados.

Redução de Custos e Inclusão Financeira

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Gesner destacou que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, possui uma defesa sólida devido à sua contribuição na redução de custos de transação e na ampliação do mercado, além de promover a inclusão de consumidores no sistema financeiro.

O Brasil tem uma posição muito forte em relação ao Pix, porque ele realmente representa uma redução muito grande do custo de transação e, consequentemente, amplia o mercado”, afirmou Oliveira.

Análise Concorrencial do Pix

O economista argumenta que uma análise mais detalhada do concorrencial enfraquece a crítica de que o Pix atua como uma barreira ao mercado ou afasta concorrentes de maneira artificial. Segundo Gesner, há evidências de que o número de transações com empresas americanas utilizando o Pix é superior ao que se observaria sem a sua implementação.

Não é um sistema que feche o mercado, que restrinja o mercado ou que desloque de forma artificial concorrentes”, disse o professor. Ele acredita que a tese levantada pelos Estados Unidos não se sustenta perante uma análise mais rigorosa.

Negociações Comerciais Internacionais

Oliveira destaca que é comum existirem pleitos e pressões no comércio internacional. Contudo, no que diz respeito ao Pix, ele considera que o Brasil possui uma posição “inegociável”. O tema do Pix pode diferir de outras questões na agenda biliteral, onde concessões comerciais são frequentemente parte do jogo diplomático.

Na questão do Pix, nossa tese é sólida e deve prevalecer”, afirmou Gesner.

Impactos da Investigação

Gesner aponta que a investigação no âmbito da Seção 301 já tem gerado incertezas para empresas de tecnologia, bancos, instituições financeiras e meios de pagamento. Ele observa que essa disputa gera dúvidas sobre previsões de transações, crescimento de mercado e novos investimentos.

Apesar disso, ele não acredita que o caso represente uma barreira estrutural para o desenvolvimento das relações comerciais ou dos setores impactados pelo Pix. “É uma disputa importante que coloca um possível freio no avanço de investimentos em determinadas áreas”, disse.

O Pix como Instrumento de Barganha

De acordo com Gesner, tanto o Pix quanto outros temas levantados na investigação têm mais a função de enriquecer a agenda de negociação dos Estados Unidos, em vez de determinarem senão haverá ou não sanções ao Brasil.

Eles cumprem mais um papel de uma agenda de negociação do que propriamente a questão que vai decidir se haverá ou não uma sanção por parte dos Estados Unidos”, ressaltou o economista.

Contexto da Seção 301

Gesner lembra que a Seção 301 é uma ferramenta antiga da política comercial americana, utilizada para pressionar parceiros a dialogar bilateralmente. Segundo ele, essa estratégia é uma prática que já existia antes do governo de Donald Trump, mas se intensificou durante suas administrações.

Ele avalia que a discussão atual é menos técnica e mais baseada em estratégias de negociação. Nesse contexto, o Pix pode ser utilizado como uma forma de barganha a fim de facilitar concessões em outras áreas das relações comerciais.

Você muitas vezes quer uma concessão em um tema que não tem nada a ver com o Pix, mas o Pix serve para a barganha que poderá viabilizar uma determinada concessão em outro tema completamente diferente”, explica o professor.

Diversidade de Temas na Investigação

Gesner afirma que a amplitude dos temas incluídos na investigação indica uma tentativa de criar uma ampla gama de opções de negociação. Ele acredita que um diálogo entre o setor privado, as empresas e os consumidores pode auxiliar na identificação de concessões aceitáveis e reduzir conflitos.

Para o professor, promover uma agenda mais abrangente de integração comercial poderia ser mais eficaz do que a perpetuação de disputas bilaterais. Ele sugere que uma possível área de livre comércio nas Américas poderia ampliar os mercados e fortalecer a posição da região em face da concorrência com a Ásia e a União Europeia.

Talvez esses atritos e confrontos e negociações duras bilaterais possam eventualmente levar as partes a uma negociação mais ampla”, concluiu Gesner.

Fonte: timesbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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