Aumento das Tarifas Aéreas nos EUA: Um Cenário Desfavorável para os Viajantes
Tarifas de Viagem em Alta
Independentemente de como os preços voláteis dos combustíveis se comportem ao longo deste ano, não é esperado que os viajantes encontrem passagens aéreas mais baratas. Em junho, as tarifas aéreas nos Estados Unidos aumentaram 26,5% em comparação ao ano anterior, segundo dados recentes do governo.
Os líderes da aviação afirmam que os consumidores continuam a realizar reservas, mesmo após os preços das passagens terem sido elevados. Eles comunicaram a analistas de Wall Street que esperam manter esse poder de fixação de preços pelo menos até o final deste ano, se não por mais tempo.
A Experiência de Viajantes
A viajante Marjorie Aran relatou que ela e seu marido pagaram juntos US$ 800 para viajar de Nova York a Chicago em classe econômica pela United Airlines, esta semana, para visitar a filha. Aran observou que anteriormente a viagem para Chicago custava apenas algumas centenas de dólares e, ao ser questionada sobre a possibilidade de cancelar uma viagem devido às tarifas, respondeu que não. "Nós podemos pagar."
As companhias aéreas confiam que essa situação se aplica a milhões de consumidores. Por exemplo, a tarifa média de uma viagem de ida da Southwest Airlines, no segundo trimestre, foi de US$ 225,61, em comparação a US$ 186,65 durante o mesmo período em 2025.
O CEO da Southwest Airlines, Bob Jordan, comentou que "apesar dos altos preços de combustíveis, estamos vendo uma demanda realmente forte", durante a transmissão do programa CNBC "Squawk on the Street" no final de julho.
Projeções de Custos e Demanda
A United Airlines espera pagar cerca de US$ 6 bilhões a mais por combustível este ano em relação ao que previu no início de 2026. A American Airlines também antecipou um aumento de custos semelhante de US$ 6 bilhões, com ambas as companhias apresentando um aumento superior a 50% em relação a 2025. Apesar do aumento no custo, ambas as empresas afirmam que a demanda continua forte, mesmo que isso signifique repassar os custos aos consumidores por meio de tarifas mais altas.
Tendências no Mercado Aéreo
O Chief Commercial Officer da United, Andrew Nocella, mencionou que a companhia observou um impacto "mínimo a inexistente" na demanda em relação aos preços elevados, uma tendência que espera que continue. A expectativa é que a receita unitária, em comparação anual, aumente ainda mais e ultrapasse o incremento do segundo trimestre.
As companhias aéreas estão ansiosas para recuperar não apenas os bilhões de dólares que gastaram a mais com combustíveis, mas também para cobrir os custos mais altos de mão de obra, manutenção e outras despesas operacionais básicas, como taxas de aeroporto que vêm aumentando.
O CEO da United, Scott Kirby, alertou que "os custos de mão de obra aumentaram drasticamente" e que os custos de manutenção estão "fora do comum", afirmando que esses são fatores que todas as companhias aéreas enfrentam.
Volatilidade no Setor
Aumentos Surpreendentes nos Custos de Combustíveis
A recente alta nos custos de combustível — a segunda maior despesa das companhias aéreas, depois da folha de pagamento — foi um desafio para a indústria. As companhias aéreas fizeram ajustes em seus horários, o que pode significar menos voos por dia ou semana em determinadas rotas, resultando em menos opções para os clientes e, consequentemente, em tarifas mais altas.
De acordo com dados da S&P Global Energy Platts, os preços do combustível para jatos diminuíram desde os altos históricos de abril, mas ainda estão cerca de 50% acima desde 28 de fevereiro, quando os ataques dos EUA e de Israel ao Irã provocaram um conflito militar prolongado, bloqueando um importante canal de transporte.
Impactos Financeiros
A United informou que seus custos com combustível aumentaram US$ 575 milhões no início de julho até a metade do mês, afetando negativamente os ganhos ajustados do terceiro trimestre.
Além disso, para demonstrar a seriedade com que as companhias aéreas estão lidando com a incerteza nos mercados de combustível, a Southwest enviou um barco carregando mais de 12 milhões de galões de combustível para jato por meio do Canal do Panamá, da cidade de Houston a Los Angeles, em maio. Essa foi a primeira vez que a companhia enviou combustível de Texas para outro destino nos EUA por via marítima.
Variedade nos Preços
Na segunda-feira, o combustível de aviação na Costa do Golfo dos EUA estava sendo negociado a cerca de US$ 3,60 por galão; embora tenha caído de US$ 4,78 em abril, os preços variam conforme a localização e a disponibilidade local. A volatilidade associada a cessar-fogos intermitentes com o Irã também complicou o agendamento e a precificação dos voos.
Impactos sobre o Consumidor
Crescimento das Maiores Companhias Aéreas
Com os aumentos nas tarifas e nos custos de combustível, as quatro maiores companhias aéreas dos EUA — American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Southwest Airlines — têm ampliado sua participação no mercado americano. Dados da Cirium revelam que essas companhias detêm 82,1% dos assentos operados por companhias aéreas norte-americanas em 2026, um aumento em relação aos 80,7% do ano anterior e os 79,7% de 2022.
Esse aumento ocorre mesmo com a Southwest, a companhia que transporta mais passageiros domésticos, tendo crescido pouco neste ano.
Concorrência Reduzida
A ampliação da participação das grandes companhias também é em parte resultado da diminuição da concorrência de algumas rivais menores. A Spirit Airlines, conhecida por ser uma companhia de baixo custo, enfrentou falência em maio, eliminando milhões de assentos do mercado de forma abrupta.
Os problemas da Spirit se acumularam ao longo dos anos: os custos aumentaram devido a despesas com mão de obra, e muitos de seus jatos Airbus foram paralisados devido a um defeito no motor da Pratt & Whitney. A companhia aérea já havia solicitado proteção contra falência pela segunda vez em menos de um ano, sendo criticada por alguns analistas por não ter feito o suficiente na primeira vez para cortar custos. A empresa foi encerrada antes do amanhecer do dia 2 de maio, após não conseguir um acordo com os credores, incluindo um possível resgate governamental.
Mudanças em Companhias Menores
Algumas companhias aéreas de baixo custo estão moderando seu crescimento ou reduzindo operações para economizar, enquanto os preços dos combustíveis permanecem altos. A Cirium relatou que a Avelo está encolhendo e que a Allegiant e a Sun Country, que concluíram sua fusão em maio, estão em situação semelhante.
Entretanto, a JetBlue Airways, a Frontier Airlines e a Breeze Airways — uma startup criada pelo fundador da JetBlue — estão planejando expansões.
A CEO da JetBlue, Joanna Geraghty, destacou que, apesar da expectativa de melhora nos lucros na segunda metade do ano, a companhia continuaria a manter uma capacidade conservadora, dada a incerteza no cenário geopolítico e a volatilidade nos preços do combustível.
Expectativas de Crescimento
A JetBlue prevê um aumento na receita unitária de até 16,5% no trimestre atual. A Frontier, agora a maior companhia aérea de baixo custo dos Estados Unidos, também está desfrutando de um aumento no poder de precificação. Sua receita média de passagens no segundo trimestre foi de US$ 63,04, um aumento em relação a US$ 40,94 do ano anterior, embora sua receita não relacionada a passagens, que abrange taxas de assentos e outras cobranças, tenha caído em 1% em relação ao ano anterior.
Com planos de elevar a capacidade em até 18% neste trimestre e de expandir mais 7% no quarto trimestre, a Frontier está se ajustando a um quadro financeiro desafiador. De acordo com o CEO Jimmy Dempsey, "a energia na companhia é voltada para nos trazer de volta à lucratividade".
A Frontier, junto com a JetBlue e a Allegiant, planeja introduzir assentos de primeira classe nos próximos meses, visando atender aos clientes que buscam opções mais espaçosas e dispostos a pagar mais por esse conforto.
Desafios Futuros
Avaliação Pós-Verão
Os próximos meses, quando o intenso movimento de viagens de verão se dissipar, serão decisivos para revelar até onde as companhias aéreas podem repassar custos adicionais aos clientes. O verão tem apresentado um padrão de demanda cada vez mais fraco em agosto em comparação aos anos anteriores. No entanto, as companhias também observam que para viagens internacionais, os consumidores estão reservando mais frequentemente no outono e em outros períodos tradicionalmente menos concorridos, buscando evitar multidões, preços altos e calor excessivo.
As verificações de passageiros em aeroportos estão mostrando uma queda de 0,5% em relação ao ano passado até 24 de julho, e uma redução de 2,6% nas quatro semanas que se encerraram naquele dia, segundo David Vernon, analista de aviação da Bernstein, em nota enviada na segunda-feira.
Um viajante chamado Justin Wittekind, de 27 anos, que retornava a Ontario, Califórnia, de Nova York, mencionou que pagou cerca de US$ 340 na United. Ele indicou que, para um voo de ida e volta, estaria disposto a pagar até US$ 400, embora não fosse a opção ideal.
Ainda assim, os dados e testemunhos de passageiros sugerem que a relação entre tarifas aéreas e demanda poderá definir o comportamento futuro no mercado de aviação.
Fonte: www.cnbc.com