Desempenho das Ações da Suzano (SUZB3)
As ações da Suzano (SUZB3) têm enfrentado um ano desafiador. Desde o final de fevereiro, os papéis acumulam uma queda superior a 20%, apresentando um desempenho que fica abaixo do Ibovespa, que apresenta uma alta de 3%. Além disso, o desempenho da Suzano está abaixo do observado em outras empresas do setor local, que caíram cerca de 10%, e também em relação ao mercado internacional, onde a queda média é de 14%.
Fatores que Influenciam a Performance
Essa fraqueza no desempenho das ações é interpretada pelo Bradesco BBI como resultado de três principais fatores:
Valorização do Real: A alta da moeda brasileira pressiona os resultados de empresas exportadoras, impactando diretamente a Suzano.
Preocupações com Excesso de Oferta: Há um aumento nas preocupações em relação a um possível excesso estrutural de oferta no mercado global de celulose, o que tem gerado incertezas entre os investidores.
- Dúvidas sobre Estratégia de Alocação de Capital: Investidores têm levantado questionamentos sobre a estratégia da empresa em relação à alocação de capital. Essa preocupação é intensificada pela ausência de uma política formal de dividendos, a execução limitada de recompras de ações e um foco maior em aquisições, como a da Kimberly-Clark.
A situação se torna ainda mais complicada devido à volatilidade do cenário global, especialmente em decorrência do conflito no Oriente Médio.
Recomendações do Bradesco BBI
Apesar desse cenário desafiador, o Bradesco BBI decidiu manter a recomendação de compra para as ações da Suzano (SUZB3), com um preço-alvo de R$ 73 para o final deste ano. Esta expectativa é fundamentada na previsão de geração de caixa robusta, mesmo em cenários conservadores de preços de celulose e câmbio.
O banco observa: “Embora existam desafios no curto prazo, consideramos que a assimetria risco-retorno permanece atraente, uma vez que parte significativa dessas preocupações já parece estar refletida nos múltiplos atuais, com a ação negociando em torno de 5 vezes o EV/Ebitda, um nível bem abaixo da sua média histórica”.
Perspectivas Futuras
Além disso, de acordo com as análises do Bradesco BBI, as perspectivas para o próximo ano são favoráveis. Com os preços atuais de câmbio e celulose, a Suzano deverá apresentar uma geração de caixa estimada em apenas 2% do seu valor de mercado em 2026. Entretanto, essa porcentagem aumenta significativamente, saltando para cerca de 23% em 2027, à medida que a operação da empresa se torna mais visível.
O banco ainda destaca a proteção parcial via hedge cambial, que pode possibilitar uma geração de caixa via derivativos estimada em R$ 1,5 bilhão em 2026 e R$ 3,6 bilhões em 2027.
- Com supervisão de Maria Carolina Abe
Fonte: www.moneytimes.com.br


