Economia exportadora baseada em ativos reais
De acordo com Thiago Picanço, que é sócio e responsável pela área de Wealth Management da Reach Capital, um dos principais diferenciais do Brasil é a estratégia conhecida como “Halo Trade” (Heavy Assets, Low Obsolescence). Essa abordagem de investimento enfatiza ativos pesados e com baixa obsolescência.
Enquanto a economia global lida com disrupções impulsionadas pela Inteligência Artificial, o Brasil se destaca por oferecer segurança por meio de sua economia real, destacando setores como a mineração e o agronegócio, que são vistos como defensivos e essenciais.
A posição do Brasil como grande exportador de alimentos também estabelece boas relações comerciais com diversas regiões do mundo, incluindo países árabes, chineses, indianos, europeus e americanos. Isso confere uma segurança institucional que atrai grandes investidores.
Além disso, a localização geopolítica do Brasil é considerada vantajosa em comparação a outros países emergentes. Em relação a nações como China, Turquia ou Índia, o Brasil é frequentemente percebido como um destino de investimento mais previsível e menos exposto a conflitos geográficos diretos.
A transparência e a regulamentação do mercado financeiro brasileiro também têm sido pontos positivos para os investidores procedentes de centros financeiros como Nova York e Londres. Esses investidores notam que o Brasil apresenta um nível de acesso à informação e digitalização bancária acima da média dos mercados emergentes, conforme apontado por Picanço.
Outro fator significativo que atrai capital estrangeiro é o mercado de renda fixa, que oferece altos retornos em reais. Em meio a um cenário global onde muitos países enfrentam uma elevada dívida, é desafiador conseguir ganhos sem expor-se a riscos substanciais; no entanto, o Brasil disponibiliza altos rendimentos em títulos públicos sem a necessidade de alavancagem.
As melhores oportunidades no país
Para investidores interessados no Brasil, as oportunidades estão divididas em diferentes horizontes de investimento. Na categoria de renda fixa, os títulos prefixados são considerados atrativos para o curto e médio prazos, enquanto os títulos vinculados à inflação, como o IPCA+, são recomendados como uma forma de proteção para investimentos de longo prazo.
No setor de renda variável, a primeira onda de capital estrangeiro tem se concentrado nas variáveis macroeconômicas, direcionando recursos para o índice Ibovespa B3 e para grandes empresas da bolsa, como Vale e Petrobras. Contudo, à medida que essas empresas se valorizam, a expectativa é que os próximos investidores procurem empresas menores que são líderes em seus respectivos setores, as quais possuem mais espaço para crescimento e valorização. Picanço sugere que o capital estrangeiro está “namorando com o Brasil”. Se o país conseguir demonstrar sua estabilidade política e fiscal em um horizonte de médio a longo prazo, esses investidores poderão realizar análises mais aprofundadas para diversificar seus portfólios além das grandes corporações.
Além disso, o agronegócio e o setor industrial continuam sendo destinos importantes para capital estável, com destaque para a crescente presença da China no mercado consumidor local.
O impacto do câmbio na rentabilidade
Um aspecto essencial que não pode ser negligenciado por investidores estrangeiros ao alocar recursos no Brasil é o impacto das flutuações cambiais na rentabilidade final de suas carteiras. Como os investimentos em títulos públicos, ações ou fundos estão denominados em reais, o retorno efetivo para aqueles que residem fora do Brasil dependerá da taxa de câmbio no momento da repatriação do capital investido.
Por um lado, um investidor estrangeiro se sente atraído pela alta taxa de juros que oferece retornos elevados em comparação com o que é normalmente encontrado na Europa ou nos Estados Unidos. No entanto, uma desvalorização significativa da moeda brasileira em relação ao dólar ou ao euro pode reduzir consideravelmente esse ganho nominal.
Por outro lado, se o real se valorizar durante o período de investimento, o aplicador poderá usufruir de um lucro em duplicidade, incluindo tanto o rendimento do ativo em si quanto o ganho cambial ao converter os rendimentos para sua moeda de origem. Assim, a avaliação do risco cambial e a utilização de mecanismos de proteção, conhecidos como hedge, são passos essenciais para assegurar que a atratividade do mercado brasileiro se converta em lucros reais na conta final.
Indicadores para monitorar
Para acompanhar a evolução da economia brasileira, os investidores devem atentar para indicadores chave que são disponibilizados por autoridades oficiais.
As cotações das taxas de câmbio podem ser consultadas no site do Banco Central, onde está disponível um sistema de pesquisa por data ou período.
A inflação no Brasil é medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é divulgado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essa informação pode ser acessada diretamente no site do IBGE.
Os investidores também devem acompanhar a dinâmica de juros através da taxa Selic, que é gerenciada e atualizada pelo Banco Central do Brasil e conta com um sistema robusto de dados abertos. O histórico das taxas pode ser consultado no site do Banco Central. Para informações sobre as datas das próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), que é responsável por definir a política de juros, é possível acessar o calendário disponível no mesmo site.
O crescimento da economia é medido pelo PIB (Produto Interno Bruto), também calculado pelo IBGE, e as informações mais atuais podem ser encontradas no portal oficial do instituto. Por fim, as métricas relacionadas ao emprego, que são fundamentais para entender o consumo interno, podem ser obtidas da PNAD Contínua do IBGE e do Novo CAGED, vinculado ao Ministério do Trabalho. Um menu com os dados principais está acessível online, e os dados do CAGED referentes a fevereiro também podem ser consultados no site.
Fonte: borainvestir.b3.com.br


