Por que o seguro de vida se tornou essencial na estratégia dos investidores de alta renda — e também é relevante para pequenos investidores.

Por que o seguro de vida se tornou essencial na estratégia dos investidores de alta renda — e também é relevante para pequenos investidores.

by Rafael Martins
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Crescente Adoção de Seguros de Vida

A adesão a seguros de vida tende a aumentar, pois esses produtos não são vistos como investimentos tradicionais que visam gerar lucro, mas sim como elementos fundamentais em uma estratégia de proteção financeira e preservação de patrimônio. Nas gestoras de patrimônio, onde o modelo de consultoria é comum para atender clientes de alta renda, é frequente a existência de uma equipe dedicada ao segmento de seguros.

Para Guilherme Pires, planejador financeiro, especialista em seguros e sócio da Forum Investimentos, o mercado banalizou os seguros ao longo dos anos, principalmente devido à venda casada de produtos de baixa qualidade oferecidos por instituições financeiras. Essa situação gerou uma rejeição em muitos investidores.

A Importância do Modelo Consultivo

A popularização do modelo consultivo pode, aos poucos, transformar esse cenário, pois oferece uma abordagem que vai além da mera análise da carteira de investimentos. Pires ressalta que, ao adotar uma visão holística que considera o patrimônio total, a renda, os objetivos, os riscos e as transições de vida, o consultor consegue identificar vulnerabilidades reais e estruturar proteções que sejam coerentes com um planejamento de longo prazo. Assim, “o seguro deixa de ser um adereço e passa a ocupar um lugar central no planejamento”.

Seguro de Vida e Sua Relevância para Altos Ricos

Os seguros de vida são vistos como um componente essencial na gestão financeira de clientes de alta renda, funcionando como uma reserva de liquidez imediata para a família. Imagine um investidor que possui R$ 10 milhões em patrimônio, distribuídos entre imóveis, ativos de investimento e saldos bancários. Após seu falecimento, a família não tem acesso a esses bens até que o inventário seja realizado, processo que pode ser dispendioso devido ao valor total da herança. Os familiares enfrentam custos com impostos e advogados, além de não poder contar com dinheiro ou a venda dos bens, que muitas vezes demora a ser concretizada. Assim, mesmo possuindo riquezas, a família pode enfrentar dificuldades financeiras enquanto lida com o luto.

Por esse motivo, os profissionais recomendam seguros de vida em tais casos. Essas apólices são isentas de Imposto de Renda e Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e são impenhoráveis, ou seja, não são afetadas por dívidas. Além disso, não precisam ser incluídas no inventário, permitindo que a família receba a indenização após o falecimento, sem enfrentar grandes burocracias.

De acordo com as regras estabelecidas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), o prazo para que as seguradoras paguem a indenização é de até 30 dias após a entrega completa da documentação exigida.

Pires aponta que “mesmo não sendo um investimento tradicional, o seguro é um instrumento financeiro estratégico e insubstituível no planejamento patrimonial.” Nas gestoras de patrimônio, ele desempenha funções que não são cumpridas por nenhum outro produto financeiro.

Seguro para Todos os Perfis

Entretanto, isso não significa que tais produtos sejam relevantes apenas para aqueles com altos patrimônios. Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, observa que o raciocínio é inverso para quem possui pouco ou médio patrimônio. “Enquanto o cliente de alta renda utiliza o seguro para proteger o patrimônio que já existe, os que têm menos usam o seguro para compensar aquilo que ainda não tiveram tempo de construir”, explica.

Para a maioria dos brasileiros, o maior ativo é a capacidade de trabalho e a geração de renda ao longo das décadas seguintes. Portanto, é preciso assegurar essa capacidade.

O seguro de vida, assim, atua como um alicerce que garante que, na ausência do provedor, a família receba um capital imediato que possibilite a manutenção do padrão de vida, o pagamento de dívidas ou a garantia do futuro educacional dos filhos.

É possível contratar um seguro de vida voltado a diversas situações. Entre as opções estão a cobertura dos custos de velório, a formação acadêmica dos filhos em caso de falecimento do provedor, além dos gastos fixos em caso de acidentes ou invalidez. Também existem soluções mais sofisticadas, como a aquisição de participação de um sócio falecido, a continuidade das obrigações de uma empresa e a proteção de menores de idade, incluindo pensões vitalícias.

As seguradoras destacam que, nos últimos anos, a indústria evoluiu em direção à personalização, permitindo que os clientes tenham flexibilidade para construir um plano de acordo com suas necessidades e condições de pagamento.

Avanços na Cultura de Educação Financeira

Os especialistas concordam sobre os benefícios dos seguros de vida, mas ressaltam a necessidade de avançar na cultura de educação financeira no Brasil para que esses produtos se tornem mais populares. Edson Cerqueira, planejador financeiro certificado pela Planejar, enfatiza que “não é um hábito do brasileiro, nem uma preocupação”. Nos Estados Unidos ou na Europa, cerca de 60% da população possui seguro de vida, enquanto até o primeiro semestre de 2025 apenas 18% da população brasileira tinha algum seguro de vida contratado, conforme dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e da Susep.

Crescimento do Mercado de Seguros em Vida

O mercado de seguros de vida e previdência experimentou um crescimento significativo após a pandemia de Covid-19. Essa expansão foi impulsionada, entre outros fatores, pela instabilidade financeira enfrentada por muitos brasileiros devido ao aumento do desemprego e a queda da renda. A pandemia também trouxe a questão da mortalidade, que é um tabu cultural no Brasil, para mais perto da realidade de muitas pessoas.

Com o crescimento do setor nos últimos anos, também aumentaram as modalidades com cobertura em vida. Esses produtos não cobrem apenas a morte, mas também podem ser acionados em situações de problemas de saúde ou invalidez, bem como afastamentos temporários do trabalho.

Bernardo Castello, CEO do Bradesco Vida e Previdência, liga essa mudança ao aumento da pejotização no Brasil. Na empresa, as indenizações em vida já correspondem a mais de 50% do total pago aos segurados anualmente.

Castello afirma que “o Brasil é um país com cada vez mais autônomos. Temos uma grande massa de trabalhadores que, se enfrentarem problemas, precisarão recorrer ao sistema público de saúde, já que não estão vinculados a nenhuma entidade de classe.” Ele cita o exemplo de um motorista de aplicativo que, após sofrer um acidente de trânsito e ficar incapaz de dirigir, perde a capacidade de gerar renda. Sem um plano de saúde privado, esse profissional teria que debitar suas despesas de saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto perde sua remuneração.

Essa dinâmica se torna ainda mais complicada em casos de invalidez permanente. Com a cobertura em vida, o segurado não depende apenas do INSS ou de suas economias.

Guilherme Hinrichsen, vice-presidente comercial da Icatu Seguros, ressalta que “hoje os produtos são sofisticados. Todos devem ter pelo menos um bom plano funerário, especialmente o pequeno investidor, que pode ser onerado pelas despesas de enterro. Mas a cobertura para doenças graves, utilizáveis em vida, também é altamente recomendada.”

Marcelo Tomei, vice-presidente comercial da Metlife Brasil, define que o seguro em vida serve como uma extensão da reserva de emergência, protegendo a renda de quem está em processo de construção de patrimônio contra imprevistos. Essa é uma tendência crescente, acompanhada por esforços de desmistificação do produto.

As seguradoras têm introduzido soluções relacionadas à saúde e bem-estar, em paralelo com a educação financeira e a digitalização. Atualmente, 60% dos seguros de vida individuais vendidos na Metlife incluem algum tipo de cobertura em vida, e 71% dos prêmios pagos em 2024 foram utilizados por segurados em vida.

Tomei afirma ainda que “é necessário que o seguro de vida deixe de ser visto como algo relacionado à morte e passe a ser entendido como uma ferramenta de proteção e cuidado do bem-estar e da saúde ao longo de toda a vida.”

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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