Descarbonização dos Portos: Uma Necessidade Estratégica
A descarbonização dos portos e terminais marítimos no Brasil deixou de ser uma meta de longo prazo e se tornou uma necessidade estratégica imediata. Essa avaliação é feita por Mauro Sammarco, que ocupa a presidência do Conselho do Instituto Brasileiro de Infraestrutura e também preside a Associação Comercial de Santos. Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Sammarco destacou a pressão que as empresas enfrentam, tanto em decorrência das metas internacionais de redução de emissões quanto pelas demandas de mercados e cidades portuárias afetadas pela poluição.
Pressão por Descarbonização
Ele afirmou: “As empresas sentem uma pressão, uma necessidade urgente de fazer esforços para descarbonização”. O Porto de Santos já apresenta movimentos em direção a essa meta, especialmente entre os terminais de contêineres, onde equipamentos movidos a diesel estão sendo substituídos por veículos elétricos. Exemplos citados por Sammarco incluem guindastes portuários e equipamentos de pátio, que estão sendo adaptados para reduzir o uso de combustíveis fósseis.
Eletrificação de Cais
Um outro aspecto considerado crucial é o fornecimento de energia elétrica em terra para navios atracados, uma prática conhecida como eletrificação de cais. Esta ação permite que as embarcações desliguem seus geradores a diesel enquanto estão no porto. Sammarco enfatizou: “O navio, quando está atracado no cais, não está rodando seu motor principal, mas está rodando geradores. Isso está gerando poluentes para aquela região portuária”.
Ele relatou que o país já está avançando em projetos nesse sentido, com iniciativas no Porto do Pecém e na Portonave, em Navegantes. Contudo, a discussão acerca de ajustes regulatórios e da participação de empresas de geração e distribuição de energia é ainda uma realidade no Brasil para atender à demanda dos navios.
Outros Desafios Ambientais
Na visão do executivo, a agenda ambiental relacionada aos portos abrange outros temas, como o tratamento de água de lastro e a incrustação no casco das embarcações, que podem facilitar o transporte de organismos entre diferentes regiões. Ele mencionou que a regulação da água de lastro é uma atribuição da Marinha, de acordo com convenções internacionais, e que em Santos há discussões sobre uma norma adicional proposta pela autoridade portuária local.
Expansão Ferroviária
Sammarco ainda destacou que a expansão ferroviária deve ser parte essencial na transição para uma logística mais eficiente e sustentável. Ele observou que, historicamente, o Brasil tem acumulado atraso ao priorizar o transporte rodoviário em detrimento do ferroviário. “Infelizmente, o país fez uma opção no passado por deixar de investir em ferrovias”, afirmou.
O executivo apontou que a produção nacional de grãos, que ultrapassa 350 milhões de toneladas, coloca pressão sobre um sistema logístico ineficiente para transportar cargas do Centro-Oeste e áreas do Matopiba até os pontos de escoamento. Em meio a isso, Sammarco observou que as concessões ferroviárias, incluindo a Ferrogrão e projetos de ligação bioceânica, são iniciativas positivas para diversificar os meios de transporte no Brasil.
Uso da Cabotagem
A cabotagem foi identificada como um modal que ainda está subutilizado no Brasil. Sammarco atribui isso a uma combinação de fatores culturais e regulatórios, que incluem a preferência histórica pelo transporte rodoviário e a tributação sobre o combustível usado na navegação costeira. Para ele, “precisamos ter benefícios para poder usar esse modal que traz uma grande eficiência”.
Competição Entre Portos
Ao abordar a competição entre os portos brasileiros, Sammarco observou que Santos deve continuar como um porto dominante no transporte de contêineres, devido à sua proximidade com o maior mercado consumidor do país, o estado de São Paulo. Porém, para o transporte de grãos, ele sugere que os investimentos no Arco Norte são economicamente e logisticamente sensatos. A possibilidade de escoar grãos pela costa do Pacífico, segundo o executivo, pode reduzir o tempo de viagem até a China, diminuir os custos de frete, além de elevar a competitividade do Brasil em comparação ao mercado americano.
Fonte: timesbrasil.com.br


