Preços devem aumentar com a redução nos abates no Brasil.

Mercado de Boi Gordo

O mercado de boi gordo inicia o quarto trimestre de 2025 em um período de transição. Após meses de intensa atividade nos confinamentos, os preços do boi gordo sofreram a influência de um elevado volume de abates, especialmente em estados que são conhecidos pela sua alta tecnologia na pecuária, como Mato Grosso (MT), Goiás (GO) e São Paulo (SP).

No entanto, com o término da safra de confinamento, esperado para breve, estima-se que haja um ajuste na oferta, o que pode proporcionar uma valorização gradual das cotações até o final do ano.

Fundamentos Estruturais Positivos

O Brasil continua a ser um destaque no comércio global de carnes, sustentado por uma demanda internacional robusta e pela reorganização de seus fluxos comerciais devido ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essa redireção das exportações para mercados como China, México e Rússia tem reforçado a resiliência do setor, mesmo diante de barreiras externas.

Adicionalmente, é importante ressaltar a observação feita em julho sobre a “triangulação” da carne brasileira, que tem sido enviada para os Estados Unidos através de países como Paraguai e Argentina.

A crise sanitária provocada pelo surto de bicheira, conhecido como "New World Screwworm" (NWS), no México, adiciona uma camada de complexidade e oportunidade ao contexto atual. A possibilidade de uma ameaça ao rebanho norte-americano pode aumentar a dependência do México em relação às importações brasileiras, fortalecendo o papel do Brasil como fornecedor estratégico em um mercado global cada vez mais restrito.

Dinâmica de Preços e Abates

Durante o mês de setembro, os preços do boi gordo enfrentaram uma pressão de baixa, refletindo o alto número de abates, especialmente de animais que estavam em confinamento. Os estados de Mato Grosso, Goiás e São Paulo foram os que apresentaram as maiores quedas nos preços. Por outro lado, o Mato Grosso do Sul (MS) manteve um prêmio em relação ao mercado de São Paulo. Na região do Pará (PA), os preços se mantiveram estáveis pelo segundo mês consecutivo.

Os abates totais atingiram a marca de 10,8 milhões de cabeças no terceiro trimestre, representando o maior volume desde o início da série histórica. Apesar deste aumento, o abate de fêmeas caiu para 4,8 milhões, um número inferior aos 5,3 milhões registrados no segundo trimestre. Em abril, observou-se, pela primeira vez desde 1997, que o abate de fêmeas superou o de machos.

A média diária de abates federais de machos apresentou crescimento desde abril, enquanto a de fêmeas mostrou uma queda até setembro, atingindo o menor nível do ano. Com a lotação dos confinamentos atingindo seu ápice em outubro, espera-se que os abates diminuam até o final do ano, o que pode contribuir para a recuperação dos preços.

Concentração Regional e Confinamentos

No terceiro trimestre, Mato Grosso liderou a lista de abates sob inspeção federal, seguido por Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia, São Paulo e Pará. De acordo com dados do Censo de Confinamento da DSM-Firmenich, o Brasil deverá registrar 8,5 milhões de cabeças confinadas em 2025, o que representa 24% do total de abates estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Mato Grosso concentra 2,1 milhões dessas cabeças, seguido por São Paulo com 1,3 milhão, Goiás com 1,1 milhão e Mato Grosso do Sul com 0,96 milhão.

Exportações em Alta

O ano de 2025 tem se mostrado excepcional para a carne bovina brasileira. Todos os meses, até agosto, apresentaram volumes e receitas superiores aos registrados em 2024, que já havia sido um ano recorde. Até agosto, a receita acumulada alcançou aproximadamente US$ 10 bilhões, em comparação com US$ 8 bilhões no mesmo período de 2022.

O preço médio de exportação também apresentou recuperação, atingindo US$ 5,21 por quilo, o segundo maior valor desde 2018, perdendo apenas para 2022, quando o preço foi de US$ 5,91 por quilo. O aumento das tarifas nos Estados Unidos sobre a carne brasileira resultou em uma diminuição dos embarques para aquele país, mas ao mesmo tempo abriu novas possibilidades para destinos como China, Filipinas, Rússia e México.

Impactos do Surto de Bicheira no México

Em 21 de setembro, um novo caso de NWS foi confirmado na localidade de Sabinas Hidalgo, no estado de Nuevo León, México, que está situado próximo à fronteira com os Estados Unidos. O USDA considera a contenção da praga uma prioridade de segurança nacional, o que tem resultado no fechamento da fronteira para importações de gado mexicano desde maio.

A entrada da NWS no Texas poderia ter consequências devastadoras sobre o rebanho norte-americano. O histórico de surtos registrado entre 1970 e 1975, especialmente em 1972, serve como um alerta para a situação atual. Essa crise sanitária pode alterar de forma significativa os fluxos globais de carne bovina, fazendo com que o Brasil se consolide como um fornecedor-chave.

Análise Técnica – BGI V25

O contrato futuro do boi gordo (BGI) tentou romper a resistência cotada em 326,55, mas perdeu força ao encontrar a média móvel de 200 períodos. Após uma queda de aproximadamente 11% desde seu pico, o contrato encontrou suporte em 307,81. A superação do nível de 313,28 pode sinalizar uma possível retomada na alta, enquanto uma nova perda de 307,81 reforçaria um viés de baixa.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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