Desempenho de Wall Street em Agosto
Agosto foi um mês favorável para Wall Street. O índice S&P 500 alcançou um novo recorde, ultrapassando a marca de 6.500 pela primeira vez. O benchmark registrou o quarto mês consecutivo de alta, com um aumento de quase 2%. O Dow Jones Industrial Average e o Nasdaq Composite também atingiram máximas históricas no mês passado. No entanto, a terça-feira, primeiro dia de negociação de setembro, promete ser desafiadora, uma vez que os investidores enfrentam uma série de preocupações ao longo do mês.
1. Possível perda de receita de tarifas
A mais recente preocupação em Wall Street surgiu de Washington, após uma decisão de um tribunal federal na sexta-feira que considerou ilegais a maioria das tarifas do presidente Donald Trump. "O poder central do Congresso para impor impostos, como tarifas, está exclusivamente reservado ao poder legislativo pela Constituição", declarou o tribunal. "As tarifas são um poder central do Congresso." Essa decisão não é apenas um revés político para Trump. O veredito também levanta questões sobre a necessidade de devolver o dinheiro já arrecadado com as tarifas, o que pode aggravar a já frágil situação fiscal dos EUA. "Se essa decisão for mantida, os reembolsos de tarifas existentes estão sobre a mesa, o que poderia causar um aumento na emissão de títulos do Tesouro e nos rendimentos", escreveu Ed Mills, da Raymond James.
2. Crescimento dos rendimentos de títulos
A incerteza em relação às tarifas dos EUA fez com que os rendimentos dos títulos aumentassem. O rendimento dos títulos de 30 anos subiu para 4,99%, próximo de níveis não vistos desde meados de julho. O rendimento do título de 10 anos chegou a quase 8 pontos-base mais alto, em 4,3%. As taxas no exterior também estão em ascensão. Preocupações sobre o orçamento do Reino Unido levaram o rendimento do Gilt de 10 anos ao seu nível mais alto desde 1998, segundo o Deutsche Bank. O rendimento de 10 anos da França também teve um aumento significativo, alcançando 3,6%, tocando níveis não vistos em mais de uma década, enquanto o país se prepara para um voto de desconfiança. Se os rendimentos ao redor do mundo continuarem a subir, isso pode pressionar o mercado de ações, tornando a renda de títulos mais atraente e aumentando os custos de capital para as empresas. "Uma nova onda de risco soberano está atingindo as economias europeias, sendo o Reino Unido e a França os mais vulneráveis à fragilidade fiscal, instabilidade política e falta de confiança no mercado de títulos", observou Ed Yardeni, presidente e estrategista-chefe de investimentos da Yardeni Research.
3. Drama na Reserva Federal
Wall Street também deve lidar neste mês com os esforços da administração Trump para destituir Lisa Cook de sua posição como governadora da Reserva Federal. Cook solicitou uma ordem de restrição temporária para impedir a demissão por parte de Trump. Contudo, uma audiência no tribunal em Washington, D.C., na semana passada, terminou sem uma decisão sobre o assunto.
4. Sazonalidade e relatório de empregos
Os investidores também terão que contornar ventos contrários sazonais, com um importante relatório econômico previsto para ser divulgado esta semana. Dados do Stock Trader’s Almanac mostram que o S&P 500 tem uma média de declínio de 0,7% em setembro, tornando-o historicamente o pior mês do ano para o benchmark. Nos últimos cinco anos, o desempenho do S&P 500 em setembro foi ainda pior, com uma média de 4,2% de queda nesse período. "A segunda metade de setembro é o pior período de duas semanas do ano, com um retorno médio de -1,38% desde 1928", destacaram os traders do Goldman Sachs, referindo-se apenas à parte final do mês. "No entanto, a primeira metade de setembro é mais moderada, com flutuações menores, o que acreditamos que irá ditar as negociações iniciais deste mês, em grande parte devido ao posicionamento atual." Além disso, o relatório de empregos dos EUA referente ao mês de agosto será divulgado nesta sexta-feira. Economistas consultados pela Dow Jones esperam um aumento de 75.000 empregos no mês passado, ligeiramente acima do ganho de 73.000 registrado em julho. No entanto, o número precisa estar na faixa "Goldilocks", nem muito forte nem muito fraco, para ser bem recebido pelo mercado. Se o número for demasiado forte, pode reduzir as expectativas de cortes de juros pela Reserva Federal. Se for muito fraco, levantará preocupações sobre a saúde da economia dos EUA.