Prévia da inflação indica piora nas expectativas e estourar o teto da meta do BC gera preocupação, afirmam economistas.

Desaceleração da Inflação e Sinais de Alerta para o Banco Central

Apesar da desaceleração observada na prévia da inflação em maio, economistas apontam que a análise qualitativa dos dados sugere uma deterioração nas condições entre os diversos grupos, o que pode acender um sinal de alerta para o Banco Central (BC).

IPCA-15: Dados Recentes

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) registrou um aumento de 0,62% neste mês, após uma alta de 0,89% em abril. No acumulado dos últimos 12 meses até maio, a inflação medida pelo IPCA-15 subiu de 4,37% em abril para 4,64% em maio, superando o teto da meta inflacionária estabelecida pelo BC, que é de 4,5%.

Fatores Contribuintes para a Alta da Inflação

Na perspectiva dos economistas, o aumento da inflação foi impulsionado, principalmente, pelo crescimento dos preços dos alimentos.

Composição ‘Ruim’ do IPCA-15

O economista Carlos Lopes, do Banco BV, tinha previsto uma alta de 0,65% para o IPCA-15, mas ressalta que, embora o número tenha sido menor que o esperado, a composição do índice é considerada “muito ruim”. Lopes destacam que o principal fator que elevou a inflação neste mês foi a alimentação no domicílio.

Ele explica que “há mais fatores climáticos influenciando os preços dos alimentos do que pressões de custo provenientes de fertilizantes e fretes resultantes do conflito no Oriente Médio, que já afetam os produtores, mas ainda não se refletem tanto para o consumidor final”.

O economista também mencionou a aceleração nos preços dos bens industriais e serviços nos meses recentes.

De maneira semelhante, o Itaú Unibanco, em um relatório, avaliou que, embora o aumento nos preços das passagens aéreas tenha sido menor do que o projetado, o IPCA-15 de maio superou as expectativas do banco em razão dos preços da alimentação no domicílio terem se mostrado mais robustos.

De acordo com o banco, “a leitura divulgada hoje indica que a qualidade da inflação continua a piorar, com um aumento nas pressões dos serviços e dos itens industriais, refletindo os efeitos altistas do aumento nos preços do petróleo, especialmente nos bens industriais”. O Itaú projeta uma inflação de 5,2% para o IPCA em 2026, com um balanço de riscos que se inclina de forma assimétrica para cima.

Projeções e Justificativas para o Aumento da Inflação

A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, prevê que o índice fechado de maio já acumule uma alta de 4,61% nos últimos 12 meses, ultrapassando o teto da meta inflacionária contínua do Banco Central. “Esse deve ser o primeiro mês em que a inflação ultrapassa o teto, e nossas projeções indicam que essa tendência deve se manter até o final do ano, com uma inflação de aproximadamente 4,8% ao final de 2026”, acrescenta.

Moreno argumenta que os principais fatores que pressionam a inflação continuam sendo os serviços e os preços subjacentes, além da expectativa de que uma possível depreciação da moeda contribua para um aumento inflação no segundo semestre.

“Em um horizonte de curto prazo, algumas medidas adotadas pelo governo, como subsídios e cortes de impostos, podem ajudar a conter parte do incremento dos preços. No entanto, as tensões no Oriente Médio e a consequente alta nos preços dos fertilizantes têm o potencial de impactar os preços dos alimentos, assim como a alta nos custos do petróleo que permanece como um fator de pressão sobre a inflação”, comenta a economista.

Caso a previsão do C6 se concretize, o excedente do teto da meta inflacionária por seis meses consecutivos exigiria que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enviasse uma carta ao ministro da Fazenda explicando os motivos pelos quais o IPCA não cumpriu a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Implicações do IPCA-15 para o Banco Central

Apesar da atenção que o número suscita devido a um qualitativo mais negativo, o cenário fundamental do C6 Bank indica que o Banco Central pode realizar um novo corte na taxa Selic de 0,25 ponto percentual em junho, reduzindo a taxa básica de 14,50% para 14,25% ao ano. A previsão é que a Selic feche em 13,5% até o final deste ano.

O economista sênior da Genial Investimentos, Gabriel Pestana, afirma que a leitura atual não altera, por ora, a perspectiva para a política monetária, mas deve resultar em uma inflação mais pressionada no curto prazo. A estimativa do economista é que a Selic atinja 13,25% ao final de 2026.

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Bath & Body Works (BBWI) supera expectativas de lucro no primeiro trimestre

Copasa: Redução da oferta no dia do anúncio com propostas em andamento é ‘mais grave do que ajuste de cronograma’

Petróleo cai mais de 4% e atinge o menor nível em um mês

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais