A produção brasileira de alumínio primário cresceu 8,5% em 2025, alcançando 1,18 milhão de toneladas, o maior volume registrado desde 2013. Essas informações fazem parte do Anuário Estatístico de 2025, elaborado pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), que foi divulgado na última segunda-feira, dia 13.
Conforme a entidade, esse crescimento ocorreu em um ano marcado pela imposição de tarifas pelo governo americano e por mudanças nas cadeias globais de suprimentos. Apesar disso, a indústria nacional conseguiu preservar investimentos, produção e empregos ao longo do período.
Faturamento e investimentos avançam no setor de alumínio
De acordo com o levantamento realizado, o faturamento do setor atingiu R$ 168 bilhões, apresentando uma alta de 10,6% em comparação a 2024. Os investimentos brutos também tiveram aumento, somando R$ 6,8 bilhões, superior aos R$ 6,1 bilhões registrados no ano anterior.
Além disso, a arrecadação tributária do setor chegou a R$ 34,8 bilhões, conforme a ABAL. O setor manteve aproximadamente 508 mil empregos, diretos e indiretos, ao longo do ano.
Anuário Estatístico: um relatório anual publicado pela ABAL, que reúne dados consolidados sobre produção, comércio exterior, consumo e emprego da cadeia produtiva de alumínio no Brasil.
Ainda segundo o documento, o Brasil encerrou 2025 com um superávit comercial de US$ 3,3 bilhões na balança do setor. Este foi o sétimo resultado positivo consecutivo e o segundo melhor desempenho nos últimos 17 anos, de acordo com as informações fornecidas pela associação.
Importados ganham espaço no mercado nacional
Por outro lado, o Anuário aponta uma mudança de cenário para o setor. O consumo doméstico de produtos transformados totalizou 1,883 milhão de toneladas, apresentando uma leve queda de 0,5% em relação ao ano anterior.
Enquanto isso, o consumo de produtos de origem nacional recuou 1,3%, ao passo que as importações de semimanufaturados e manufaturados aumentaram em 5,9%, conforme indicado pela ABAL. Assim, a participação dos produtos importados no mercado interno subiu de 11,2% para 12%.
Semimanufaturados: referem-se a produtos de alumínio que passaram por etapas iniciais de processamento industrial, mas que ainda não atingiram o formato final para consumo, como chapas e perfis.
A China representou 26,9% das importações brasileiras do setor em 2025, segundo o levantamento. Para a ABAL, o saldo comercial continua positivo, porém cada vez mais sustentado em matérias-primas, enquanto produtos de maior valor agregado estão perdendo espaço para concorrência externa.
Segmentos de consumo têm resultados mistos
Entre os mercados consumidores, o segmento de eletricidade apresentou o maior crescimento do ano, com uma expansão de 10,2%, impulsionado pelos leilões de transmissão e distribuição promovidos pela ANEEL, conforme relatado pela ABAL.
Em contrapartida, o segmento de embalagens, que é responsável por um terço do consumo nacional, cresceu 0,7%. O setor de transportes recuou 0,8%, a construção civil apresentou uma queda de 3,4%, os bens de consumo tiveram uma retração de 6,6% e máquinas e equipamentos registraram uma diminuição de 10,5%, conforme apontado no Anuário.
No que se refere ao setor de transportes, a associação destaca um aspecto específico. Apesar da crescente eletrificação veicular no Brasil, uma parcela significativa dos modelos elétricos comercializados no país é fabricada com um baixo conteúdo local, o que limita o impacto positivo dessa transição sobre a indústria nacional de alumínio.
Panorama global reforça posição do Brasil
Conforme informações da ABAL, o Brasil possui uma combinação de ativos que poucos países têm simultaneamente. O país é o quarto maior produtor mundial de bauxita, ocupa a terceira posição na produção de alumina e é o nono maior produtor de alumínio primário.
A entidade também ressalta que o Brasil atende cerca de 57% de seu consumo com alumínio reciclado, um índice que é mais do que duas vezes superior à média global.
Janaina Donas, presidente executiva da ABAL, afirmou que a transição energética também traz à tona uma disputa por cadeias de valor. De acordo com ela, o sucesso será de quem conseguir transformar recursos estratégicos em produtos, tecnologia e inovação, em vez de se limitar a produzir ou comercializar matérias-primas.
A executiva enfatizou que o desafio do setor reside em converter movimentos como a transição energética, a eletrificação e o progresso da economia circular em mais investimentos, produção e empregos no país.
Fonte: timesbrasil.com.br