Quais varejistas lucram e perdem com os altos preços dos combustíveis? Deutsche Bank esclarece.

Quais varejistas lucram e perdem com os altos preços dos combustíveis? Deutsche Bank esclarece.

by Patrícia Moreira
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Aumento dos Preços de Combustíveis na Indústria

Conforme os preços dos combustíveis continuam a subir, as empresas que atendem a clientes de maior renda podem estar em uma posição mais favorável para enfrentar essa situação, de acordo com um relatório do Deutsche Bank. O conflito em andamento no Oriente Médio tem impactado as cadeias de suprimento global de energia nas últimas semanas, resultando em uma elevação nos contratos futuros do petróleo Brent, que ultrapassaram novamente a marca de $110 por barril na última sexta-feira.

Impactos no Setor de Varejo

Os analistas do Deutsche Bank destacaram em uma nota de sexta-feira que o preço do diesel agora está acima de $5 por galão pela primeira vez desde 2022, o que pode ter efeitos indiretos sobre o setor de varejo nos Estados Unidos. A analista Krisztina Katai mencionou: "Reconhecemos a significativa incerteza em torno da duração e do impacto do conflito no Oriente Médio. A exposição às receitas do Oriente Médio em nossa cobertura é limitada; a questão mais relevante é o risco das pressões de custo decorrentes do aumento dos preços do diesel e dos custos dos insumos, o que pode sobrecarregar de forma significativa os orçamentos das famílias norte-americanas e intensificar estresses já visíveis entre os grupos de consumidores nos Estados Unidos."

Empresas Menos Impactadas pelos Preços do Petróleo

Para identificar as empresas cuja linha de receita é menos afetada pelo aumento dos preços do petróleo, Katai comparou a correlação das vendas nas mesmas lojas em relação às movimentações nos preços dos combustíveis nos últimos cinco anos. Conforme ela descreveu: "Varejistas e marcas cujas bases de clientes têm uma renda média mais alta historicamente demonstraram uma relação positiva entre os preços do petróleo/combustível e as vendas nas mesmas lojas." Este grupo inclui empresas como Ulta Beauty, Costco Wholesale e Casey’s General Stores.

Por outro lado, lojas de desconto, como BJ’s Wholesale Club e Burlington Stores, apresentam uma correlação negativa em relação aos preços do gás, segundo Katai. A analista observou que isso confirma as suspeitas de que, à medida que os preços dos combustíveis aumentam, os consumidores de baixa renda tendem a reduzir suas compras.

O Comportamento do Consumidor em Relação aos Preços do Gás

Katai acrescentou que o Sprouts Farmers Market também apresenta uma relação inversa às mudanças nos preços do gás, o que ela atribui à sua característica de ser um destino secundário para compras. Em um cenário de preços mais altos de combustíveis, os consumidores estão mais propensos a consolidar suas viagens e permanecer mais próximos de casa.

Empresas com Maior Exposição Internacional

Algumas empresas têm uma maior exposição à Europa, Oriente Médio e África, como a Birkenstock. Segundo o Deutsche Bank, cerca de 37% de sua receita é proveniente dessas regiões do mundo. A fabricante de sandálias é seguida pela VF Corp, Ralph Lauren e Nike, que têm 34%, 30% e 27% de exposição à região EMEA, respectivamente.

Potenciais Desafios para as Marcas Globais

Katai ressalta que todas as marcas e varejistas globais podem enfrentar impactos negativos devido à valorização do dólar americano, e há riscos adicionais de que os consumidores europeus sejam submetidos a uma pressão crescente. O conflito também pode afetar outras commodities, incluindo matérias-primas à base de petróleo e fibras sintéticas como poliéster e nylon.

Estoques e Mitigação de Riscos

No entanto, a analista observou que a maioria das marcas globais está com um estoque considerável, representando pelo menos dois trimestres de produtos acabados, o que ajuda a mitigar o risco de pressões sobre suas margens de lucro no curto prazo. "Especificamente, Amer Sports e Birkenstock possuem mais de 200 dias de estoque de produtos acabados disponíveis, seguidos de perto por Ralph Lauren com 195 dias," afirmou Katai. "Nike e Lululemon, em nossos cálculos, têm um pouco mais de um quarto de estoque de produtos acabados."

— Reportagem de Michael Bloom, da CNBC.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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