De acordo com informações recentes divulgadas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) no início de dezembro, os ativos de renda fixa demonstraram uma captação líquida de R$ 162,5 bilhões em 2025, consolidando-se como o segmento que mais atraiu recursos no mercado financeiro.
Por outro lado, os fundos de ações, que são destinados a investimentos na Bolsa de Valores brasileira, conhecida como B3, enfrentaram um saldo negativo, apresentando um declínio de R$ 52,8 bilhões em captação líquida no mesmo período. Essa diminuição reflete uma diminuição no interesse dos investidores por esse tipo de ativo.
Ainda que a renda fixa ofereça segurança e bons rendimentos, é necessário adotar cautela. Aspectos como a marcação a mercado — que indica o preço pelo qual um título poderia ser vendido antes de seu vencimento —, variação cambial e taxas de juros podem gerar oscilações nos preços dos títulos de renda fixa ao longo do tempo.
Além disso, a previsão de queda da Selic, que pode finalizar 2026 em 12,13%, segundo o relatório Focus, tem potencial para influenciar a atratividade de novas aplicações em renda fixa.
O E-Investidor consultou especialistas para orientar investidores na planejamento de suas carteiras de investimentos com antecedência, com o objetivo de equilibrar segurança e retorno, para aqueles que têm a intenção de viver de renda fixa a partir de 2026.
Como planejar suas finanças para viver de renda fixa em 2026
O primeiro passo para iniciar o planejamento de renda fixa em 2026 é determinar a renda líquida mensal que será necessária para manter o padrão de vida desejado. Em seguida, é necessário observar o patrimônio que será necessário para atingir essa meta (veja as projeções a seguir). De acordo com Lucas Ghilardi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, “ou seja, o planejamento deve começar pela quantificação da renda e do patrimônio exigido, e não pela escolha de produtos financeiros”.
Após a definição dos objetivos, o próximo passo é estruturar a estratégia para atingi-los. No áudio a seguir, Antônio Sanches, analista de research da Rico, apresenta os principais enfoques para transformar o objetivo financeiro em um plano viável.
Na prática, isso envolve três ações que devem ser executadas ainda em 2025:
- Mapear as despesas reais, ou seja, analisar o custo mensal que a renda precisará cobrir;
- Construir ou reforçar a reserva de emergência, para evitar depender de resgates forçados;
- Montar uma carteira com vencimentos e indexadores variados, já considerando a geração de renda recorrente, e não apenas a rentabilidade do capital.
Quanto investir para viver de renda fixa
Uma pesquisa realizada pela Economatica, levando em consideração um IPCA de 4,87%, fez uma simulação do patrimônio necessário, investido ao longo de um ano, para alcançar uma renda mensal de R$ 5 mil em títulos de renda fixa. A seguir, estão os resultados da simulação.
De acordo com Henrique Soares, planejador financeiro CFP pela Planejar, um dos principais mitos sobre viver de renda fixa é a crença de que isso exige um patrimônio elevado. “É viável sustentar um padrão de vida com renda fixa, principalmente em um país como o Brasil, que historicamente apresenta juros altos. No entanto, isso requer um patrimônio adequado ao custo de vida, disciplina nas retiradas e uma expectativa realista”, observa.
Quais produtos de renda fixa priorizar para gerar renda recorrente?
Para aqueles que desejam viver de renda fixa, é recomendável construir uma carteira focada na geração de renda recorrente, que una previsibilidade de fluxo de caixa, proteção contra a inflação e diversificação de riscos. Cada tipo de produto desempenha um papel específico nessa estratégia e contribui de modo complementar para o equilíbrio geral da carteira.
Conforme explanado pelos especialistas, os ativos pós-fixados de alta liquidez, como o Tesouro Selic e CDBs com liquidez diária, funcionam como uma reserva de caixa. Eles oferecem flexibilidade para atender despesas inesperadas e permitem ajustes na carteira sem a necessidade de vender ativos de longo prazo em momentos desfavoráveis.
Os títulos pós-fixados que são atrelados ao CDI, como CDBs, LCIs e LCAs, mesclam liquidez relativamente alta, baixo risco de mercado e remuneração condizente com o nível de juros da economia. Esses ativos costumam formar a base de estabilidade da carteira e podem servir como uma fonte imediata de renda.
Os títulos que estão indexados à inflação, como Tesouro IPCA+, debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, são essenciais para assegurar que o poder de compra seja preservado ao longo do tempo. Eles garantem que a renda gerada acompanhe a inflação, evitando a desvalorização futura.
“A meta não é o produto isolado, mas a combinação entre liquidez, proteção e eficiência tributária para gerar renda previsível”, reforça Soares.
Quais riscos devem ser considerados
A renda fixa, embora geralmente considerada mais segura do que a renda variável, também envolve riscos que precisam ser levados em consideração pelos investidores. Entre esses riscos, destacam-se:
- Risco de crédito, que diz respeito à possibilidade de o emissor não efetuar os pagamentos;
- Risco de mercado, que resulta de oscilações nas taxas de juros, influenciando o preço dos títulos;
- Risco de liquidez, que se refere à dificuldade de vender o ativo antes do prazo de vencimento;
- Risco de inflação, que pode comprometer o ganho real;
- Risco de reinvestimento, que ocorre quando os recursos precisam ser reaplicados em um ambiente de juros mais baixos.
No áudio a seguir, o analista Sanches explica por que a renda fixa não está isenta de riscos e quais precauções são essenciais ao investir.
Para minimizar os riscos em renda fixa, especialistas sugerem diversificar a carteira, priorizar títulos que contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição —, verificar a classificação de crédito do emissor e escolher prazos que estejam de acordo com os objetivos financeiros do investidor.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br