Queda na imigração não autorizada prejudica crescimento do emprego, revela estudo do Fed de San Francisco.

Queda na imigração não autorizada prejudica crescimento do emprego, revela estudo do Fed de San Francisco.

by Ricardo Almeida
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Desaceleração no Crescimento do Emprego nos EUA

A queda recente na imigração não autorizada nos Estados Unidos resultou em uma desaceleração do crescimento do emprego, especialmente nos setores de construção civil e manufatura. Essas tendências provavelmente continuarão, de acordo com uma nova pesquisa elaborada pelo Federal Reserve de São Francisco, divulgada nesta terça-feira, dia 17.

O estudo avaliou o aumento rápido de imigrantes não autorizados a partir de 2021 e identificou a desaceleração que teve início em março de 2024. Os resultados mostram que o crescimento do emprego local aumentou inicialmente, mas depois diminuiu, acompanhando as tendências de imigração. As conclusões dessa pesquisa podem ter implicações significativas para as perspectivas do mercado de trabalho e para a acessibilidade da habitação, especialmente considerando a propensão do governo anterior de Donald Trump em reprimir a imigração.

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As revisões dos dados sobre o emprego, divulgados na semana passada, mostraram que a economia dos EUA adicionou apenas 181.000 empregos em 2025, um número que representa uma fração dos 1,459 milhão de empregos adicionados em 2024, o último ano completo do mandato do ex-presidente Joe Biden. Economistas atribuíram a desaceleração à queda acentuada na imigração não autorizada, e este estudo serve para concretizar essa relação, por meio de uma análise minuciosa do influxo de trabalhadores não autorizados e seu impacto nos mercados de trabalho locais.

De acordo com os economistas do Fed, Daniel Wilson e Xiaoqing Zhou, “Em média, os locais que experimentaram as maiores desacelerações na imigração não autorizada viram as maiores desacelerações no crescimento do emprego nos setores da construção, manufatura e outros serviços”.

Os autores acrescentaram que “o efeito para o setor de construção é particularmente notável, pois sugere que a redução no fluxo de trabalhadores imigrantes não autorizados nos últimos meses pode estar desacelerando a construção residencial, e, consequentemente, diminuindo o crescimento da oferta de moradia.”

O governo Trump alega que a diminuição da imigração não autorizada trará benefícios aos trabalhadores norte-americanos, além de tornar a habitação mais acessível ao reduzir a demanda por casas.

O estudo conclui que “o crescimento do emprego nos EUA enfrentará pressão descendente contínua, enquanto persistir a diminuição do fluxo de trabalhadores imigrantes não autorizados”.

Impacto da Inteligência Artificial sobre os Juros

A presidente do Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, ressaltou nesta terça-feira que a instituição deve conduzir uma análise aprofundada dos dados disponíveis para determinar se a inteligência artificial (IA) está, de fato, impulsionando o crescimento da produtividade. Isso é crucial para entender se o crescimento econômico mais rápido pode ocorrer sem provocar inflação, uma condição que, caso se confirme, levaria o FED a implementar uma política monetária mais restritiva.

O governo Trump argumenta que essa situação já está em andamento, e alguns economistas sugerem que um aumento nos investimentos em IA poderia impulsionar ainda mais o crescimento da produtividade. Eles sustentam que isso pode criar um cenário econômico capaz de crescer com mais rapidez do que nos períodos anteriores, mesmo com a inflação se mantendo em níveis moderados.

Mary Daly mencionou que, até o momento, “a maioria dos estudos macroeconômicos relacionados ao crescimento da produtividade apresenta evidências limitadas quanto ao impacto significativo da IA”. Ela apontou que isso pode ocorrer porque ainda é prematuro observar mudanças relevantes associadas aos investimentos realizados por empresas em setores distintos.

Ou, segundo Daly, “pode simplesmente ser que ainda não tenhamos alcançado todos os resultados esperados” e que seja necessário um período de tempo mais longo para que as transformações se tornem evidentes em toda a economia.

Para que o Federal Reserve consiga responder adequadamente às questões relacionadas ao crescimento econômico e suas possíveis consequências, a instituição deve conduzir uma análise minuciosa, semelhante à realizada na década de 1990 sob a liderança do então presidente Alan Greenspan. Naquela época, Greenspan acreditava que os dados sobre produtividade não refletiam com precisão os impactos dos investimentos em computadores e software que estavam revolucionando, então, a economia.

Daly mencionou que Greenspan defendeu a manutenção das taxas de juros estáveis, ao invés de aumentá-las para conter a inflação. Ele se mostrou correto em sua análise na época, segundo a presidente do Fed de San Francisco.

Para avaliar se um fenômeno similar está ocorrendo atualmente em relação à IA, Daly enfatizou que o Fed precisará examinar dados nacionais, bem como dialogar com empresas, a fim de compreender a direção que a economia está tomando.

“A disposição de confrontar o que sabemos e o que não sabemos é essencial para formular políticas adequadas e duradouras que atendam a todos os americanos”, concluiu Daly.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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