Reestruturação Financeira da Raízen
A Raízen (RAIZ4) anunciou, nesta quinta-feira (28), os detalhes relativos à sua proposta de reestruturação financeira que está sendo negociada com credores. Um dos elementos mais significativos do plano é a conversão de 45% da dívida reestruturada em ações da empresa, o que será feito ao preço de R$ 0,25 por ação.
Detalhes da Negociação
Essa questão foi abordada nos materiais que a companhia compartilhou com grupos de credores financeiros durante o processo de recuperação extrajudicial. Essas informações foram posteriormente divulgadas ao mercado através de um processo chamado de “blowout”, que tem como objetivo tornar públicas informações previamente compartilhadas em negociações privadas.
A proposta especifica que “45% da dívida total reestruturada” será convertida em ações da Raízen ao preço estipulado de R$ 0,25 cada. Os credores receberão unidades compostas por uma ação ordinária (ON) e uma preferencial (PN).
De acordo com os materiais apresentados, a dívida total da Raízen chega a R$ 75,3 bilhões, sendo que R$ 65,4 bilhões estão sujeitos à recuperação extrajudicial. Isso implica que aproximadamente R$ 29,4 bilhões poderão ser convertidos em ações da companhia ao preço estabelecido de R$ 0,25.
Fontes do mercado observam que essa informação pode esclarecer a pressão recente sobre as ações da empresa, já que o plano de reestruturação pode resultar em uma diluição significativa para os acionistas atuais. Às 11 horas, as ações preferenciais da empresa apresentavam uma queda de 19,05%, alcançando o valor de R$ 0,34.
Aporte Financeiro e Conversão de Dívida
Além da conversão da dívida em ações, a proposta também inclui um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, que ocorrerá após o fechamento da operação, também ao preço de R$ 0,25 por ação. O material ainda menciona um aporte adicional potencial de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos.
Os 55% restantes da dívida reestruturada seriam convertidos em novos instrumentos financeiros que estariam vinculados às operações de Raízen Energia e Raízen Combustíveis.
Mudanças na Governança da Raízen
A proposta de reestruturação financeira também inclui mudanças significativas na governança da companhia após a conclusão do processo.
Conforme os materiais apresentados, o conselho de administração passaria a contar com sete membros, sendo quatro indicados pelos credores e três pelos atuais acionistas que contribuíram. A presidência do conselho ficaria sob a responsabilidade de um representante dos credores.
Além disso, a proposta sugere a criação de um comitê de credores que terá poderes de supervisão para monitorar a implementação do plano e acompanhar decisões consideradas materiais.
A Raízen busca argumentar ao longo do processo que seus ativos operacionais se mantêm sólidos, enquanto o problema principal reside na estrutura financeira da empresa.
Segundo a companhia, o mercado brasileiro de combustíveis continua a ser sustentado pela dependência do transporte rodoviário e pela lenta eletrificação da frota nacional. A previsão é de que veículos elétricos representem apenas 5,8% da frota brasileira até o ano de 2033.
Expectativas de Melhoria no Setor de Distribuição de Combustíveis
Outro ponto crucial da argumentação apresentada aos credores é a expectativa de uma melhora estrutural no setor de distribuição de combustíveis, impulsionada por um endurecimento regulatório em relação a fraudes tributárias e adulterações.
A Raízen afirmou que a expansão da participação de mercado dos distribuidores independentes foi, em grande parte, impulsionada por práticas ilegais nos últimos anos. A empresa informa que cerca de 20 pontos percentuais dos 41% de participação das distribuidoras independentes estão relacionados a operadores considerados irregulares.
Além disso, a companhia argumenta que operações recentes da ANP, Receita Federal e outros órgãos reguladores poderão favorecer as grandes distribuidoras, possibilitando uma recuperação de até 13 pontos percentuais de market share e a expansão de uma margem de R$ 74 por metro cúbico no setor.
Os documentos também destacam melhorias recentes em indicadores operacionais, como ganho de participação de mercado, redução das despesas operacionais, gerais e administrativas (SG&A, na sigla em inglês) e recuperação do Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) por unidade.
Planos Estratégicos da Companhia
Em termos estratégicos, a Raízen reforça seus planos de expansão em áreas consideradas de maior margem, como combustíveis premium, conveniência, lubrificantes e bioenergia.
A empresa sinaliza que sua linha de produtos Shell V-Power já corresponde a aproximadamente 20% do mix de gasolina da rede Shell no Brasil, enquanto o aplicativo Shell Box gerou movimentações de R$ 10,8 bilhões em transações.
A companhia também está apostando no crescimento global da demanda por etanol e combustível sustentável de aviação (SAF), afirmando que o Brasil se encontra “estrategicamente posicionado” para incrementar as exportações de biocombustíveis.
De acordo com a companhia, o aumento da demanda global por etanol exigirá uma ampliação da oferta brasileira.
Fonte: www.moneytimes.com.br

