Rali de 160% da Alphabet no ano reflete o valor de possuir a maior parte do ecossistema de IA.

Rali de 160% da Alphabet no ano reflete o valor de possuir a maior parte do ecossistema de IA.

by Patrícia Moreira
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Resultados da Alphabet no Mercado

Performance da Alphabet e o avanço sobre a Nvidia

Sundar Pichai, CEO da Alphabet Inc., participou da conferência Bloomberg Tech, ocorrida em San Francisco, na Califórnia, no dia 4 de junho de 2025. Recentemente, a Alphabet superou brevemente a Nvidia em capitalização de mercado durante o pregão após o fechamento das ações. Essa é uma realização significativa para uma empresa que, nos primeiros dias do crescimento da inteligência artificial, era considerada em grande risco.

O valor das ações da Alphabet aumentou cerca de 160% no último ano, impulsionado por uma nova perspectiva em Wall Street, que acredita que a Google está bem posicionada no cenário da inteligência artificial. Essa percepção se baseia em diversos fatores, incluindo os modelos desenvolvidos internamente pela empresa, sua imensa rede de distribuição e sua unidade de nuvem, que tem recebido um fluxo considerável de receitas de outras empresas em crescimento no setor de IA.

Comparação com outras empresas de tecnologia

Dentro do grupo de outras sete empresas que valem um trilhão de dólares nos Estados Unidos, a Broadcom, que atua como designer de chips, foi a que apresentou o melhor desempenho nos últimos 12 meses, com suas ações subindo 107%. De acordo com Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management, "o Google é uma das duas empresas de IA mais bem posicionadas, pois detém a maioria das partes fundamentais, incluindo chips, modelos, infraestrutura e distribuição. Além disso, é uma empresa lucrativa."

Análise após o relatório de ganhos da Alphabet

Após a divulgação do relatório de ganhos da Alphabet na semana passada, os analistas do JPMorgan destacaram as ações da empresa como sua "principal escolha no setor de tecnologia", ressaltando um "trimestre destacado", crescimento acelerado e um backlog na nuvem que quase dobrou, atingindo US$ 462 bilhões. Os analistas da Mizuho elevaram suas estimativas de preço, observando que as previsões de consenso ainda subestimam significativamente a receita e o lucro operacional da Google Cloud nos próximos dois anos.

A Alphabet encerrou a semana com uma capitalização de mercado de US$ 4,8 trilhões, ficando atrás apenas da Nvidia, que possui uma capitalização de US$ 5,2 trilhões. As duas empresas trocaram de lugares momentaneamente após o fechamento do mercado na terça-feira, em decorrência de um relatório que indicava que a desenvolvedora de modelos de IA, Anthropic, se comprometeu a gastar US$ 200 bilhões na Google Cloud nos próximos cinco anos para a aquisição de 5 gigawatts de poder computacional.

Diversificação das fontes de receita da Google

Para os investidores, essa movimentação representa mais uma evidência de que a Google possui diversas maneiras de gerar receita e se manter competitiva no setor. As iniciativas incluem Gemini e DeepMind para modelos de IA e pesquisa, Google Cloud para computação, unidades de processamento tensorial (TPUs) como alternativa à Nvidia, além da capacidade de integrar recursos de IA no Google Search, YouTube e Android.

Preocupações dos Analistas

Temores em relação à dependência da Anthropic

Apesar do desempenho positivo da Alphabet, alguns analistas expressam ceticismo. Uma das principais preocupações diz respeito à quantia que parte do backlog pode estar relacionada à Anthropic, uma startup que consome muito capital e tem uma avaliação alta, tendo levantado bilhões de dólares da Google, e que, por sua vez, utiliza uma parte significativa desse capital para contratar serviços de nuvem e TPUs da própria Google.

Se o compromisso de US$ 200 bilhões da Anthropic for levado em conta em relação ao backlog da nuvem da Alphabet, pode representar mais de 40% da futura receita contratada.

Comparações com a Oracle

Relação com o caso da Oracle

Gil Luria, analista da D.A. Davidson, afirmou que a situação atual é similar ao que ocorreu com a Oracle, cuja ação disparou em setembro, após a empresa reportar um aumento do backlog de quase 360%. No entanto, logo ficou claro que a maior parte desse aumento advinha de um único contrato com a OpenAI. Luria observa que "o Google fez isso da mesma forma que a Oracle fez", apontando que a Alphabet anunciou um aumento significativo no backlog sem esclarecer que a maior parte desse crescimento era decorrente de um único acordo com a Anthropic.

Reações à falta de transparência

O Google não comentou a respeito dessa situação, referindo-se apenas aos comentários de Anat Ashkenazi, CFO, durante a última teleconferência sobre resultados. A Oracle sofreu penalidades no mercado depois que os investidores perceberam que uma parte considerável do crescimento de seu backlog estava ligada à OpenAI, resultando em uma queda de cerca de 50% no valor das suas ações ao longo de cinco meses. A Microsoft também enfrentou questionamentos semelhantes sobre sua exposição à OpenAI.

Luria ressalta a concentração do risco nas principais provedores de nuvem, sendo que Microsoft, Oracle, Amazon e Google somam cerca de US$ 2 trilhões em reported backlog. Quase metade disso, segundo Luria, é oriunda de compromissos de OpenAI e Anthropic, que buscam financiamento dessas mesmas empresas.

Perspectivas sobre os riscos e benefícios

Munster compreende a preocupação, mas não a compartilha, especialmente no que diz respeito à Google e à Anthropic. Munster comentou que "o acordo não deixa dúvida de que estamos nos estágios iniciais da inteligência artificial." Ele enfatizou que, mesmo que os casos de uso sejam limitados no momento, a demanda por computação é exponencial, e a Google está posicionada para aproveitar essa oportunidade. Mesmo que a Anthropic enfrente dificuldades, Munster acredita que outras empresas de IA eventualmente a substituirão.

Vantagens Competitivas da Google

Avanços em silício personalizado

Na visão de Munster, a Google possui uma vantagem clara e emergente em silício personalizado. A Mizuho estima que aproximadamente US$ 61 bilhões do backlog da nuvem da Google até 2027 podem derivar da venda de seus TPUs, sendo que grande parte dessa receita deverá ser contabilizada já no próximo ano. Isso proporciona aos investidores que buscam uma alternativa à Nvidia outra opção para se engajar no mercado de hardware de IA, uma tendência que tem ganhado força em Wall Street, já que ações de empresas como Advanced Micro Devices, Intel e Micron mais que dobraram neste ano.

Demanda pelos chips

A demanda que a Google e a Amazon, que fabrica o chip Trainium, têm observado para suas unidades de chips proprietários provém, segundo Luria, de suas empresas parceiras. Luria afirmou que "quando a Google e a Amazon destacam a demanda por seus chips proprietários, boa parte dessa demanda é interna, não orgânica."

Riscos futuros para a Google

Para Munster, a maior ameaça ao desempenho contínuo da Google está vinculada ao fato de as ações já estarem precificando ganhos futuros. Ele compara essa situação ao que ocorre atualmente com a Nvidia, que mesmo apresentando um crescimento expressivo não tem visto suas ações serem recompensadas pelos investidores.

Analistas previa-se que a Nvidia mostrará um crescimento de receita de 78% quando divulgar seus resultados financeiros no final deste mês, de acordo com a LSEG; no entanto, suas ações subiram apenas 15% neste ano, ligeiramente acima do desempenho do Nasdaq. Munster observou que "o maior risco de se ter ações da Google é que a empresa não tenha a oportunidade de mudar a narrativa com os investidores."

Expectativas para a I/O da Google

O panorama aumenta a pressão sobre a empresa para apresentar resultados durante o Google I/O, que ocorrerá em menos de duas semanas. A Google precisa oferecer clareza sobre sua estratégia com o Gemini e demonstrar que pode gerar receita sustentável a partir do ecossistema mais amplo de IA.

A Google passou de um cenário de atraso em inteligência artificial para se tornar um vencedor em infraestrutura em um tempo relativamente curto. Agora, prevê gastos de capital de até US$ 190 bilhões este ano, mais do que o dobro de seu investimento projetado para 2025. Para que os investidores consigam retorno sobre esse investimento, a Google não pode se dar ao luxo de falhar.

Os analistas da Argus mencionaram em um relatório pós-ganhos que "os riscos associados aos gastos em capex da Alphabet são proeminentes." No entanto, ainda assim, eles atribuíram uma recomendação de compra às ações, considerando a habilidade da empresa de arcar com essas despesas uma "vantagem competitiva."

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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