Notificação sobre créditos de PIS/Cofins levanta incertezas bilionárias e derruba ações
No dia 16 de abril, a bolsa de valores brasileira registrou um momento de inquietude no setor de varejo alimentar, após a Receita Federal notificar aproximadamente 3 mil empresas devido a inconsistências no uso de créditos de PIS/Cofins. Esse movimento gerou uma pressão imediata sobre ações de empresas relevantes, como a Sendas Distribuidora (BOV:ASAI3) e o Grupo Mateus (BOV:GMAT3), reavivando preocupações fiscais e influenciando o sentimento dos investidores.
Pressão sobre o setor
A notificação pela Receita Federal reforça um risco que já estava sendo monitorado pelo mercado: a fragilidade jurídica na monetização desses créditos tributários. De acordo com análises realizadas por instituições financeiras, como o JPMorgan e o Banco BTG Pactual (BOV:BPAC11), esse episódio adiciona uma perspectiva negativa às expectativas do setor, especialmente em um contexto de juros elevados e cautela acentuada quanto ao fluxo de caixa.
Irregularidades na geração de créditos
Um dos principais pontos levantados pela Receita Federal diz respeito a práticas consideradas irregulares na geração de créditos, especialmente em operações nas quais não houve incidência prévia de PIS/Cofins — como na venda de produtos com alíquota zero ou tributação concentrada. No total, foram identificados mais de 55 mil pedidos de compensação com inconsistências, com o varejo alimentar sendo o setor mais exposto a essa situação.
Prazo para regularização
Apesar da gravidade dessa situação, a Receita optou por não implementar sanções imediatas. As empresas afetadas foram orientadas a revisar e regularizar suas informações até o dia 30 de junho de 2026, o que proporciona uma oportunidade para autorregularização e evita, por ora, impactos diretos em seu caixa. No entanto, o risco permanece: a não regularização pode resultar em devoluções de valores, imposição de multas e longas disputas judiciais.
Recursos em risco
Entre as empresas analisadas, a Sendas Distribuidora (ASAI3) é considerada a mais sensível à situação, com estimativas indicando que o impacto potencial pode variar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão em valor presente líquido, representando cerca de 8% a 9% do seu valor de mercado. Esses créditos já haviam sido destacados como um dos principais fatores de atenção após a divulgação do balanço financeiro do quarto trimestre de 2025.
Por outro lado, o Grupo Mateus (GMAT3) enfrenta um risco ainda mais direto em relação aos seus resultados financeiros. A companhia reconhece esses créditos no seu resultado trimestral, o que significa que qualquer revisão pode impactar negativamente suas margens e lucro, influenciando as projeções futuras.
Reação do mercado
No pregão do dia 16 de abril, as ações das empresas mencionadas reagiram de forma negativa à nova informação. As ações do Assaí (ASAI3) apresentaram uma queda de -7,58%, com cotação a R$ 9,39 após uma abertura em R$ 10,20, oscilando entre uma máxima de R$ 10,20 e uma mínima de R$ 9,36 — o que indica uma forte pressão vendedora ao longo do dia. O Grupo Mateus (GMAT3) também recuou -4,96%, sendo negociado a R$ 4,60, após uma abertura a R$ 4,90 e as oscilações entre R$ 4,59 e R$ 4,92, refletindo a cautela dos investidores diante do risco de revisão contábil.
Perfil das empresas
A Sendas Distribuidora (ASAI3), conhecida popularmente como Assaí Atacadista, atua no formato de atacarejo e é uma das principais redes de autosserviço alimentar em território brasileiro. O Grupo Mateus (GMAT3) é reconhecido como uma das maiores varejistas das regiões Norte e Nordeste, operando em atacado, varejo e eletrodomésticos. Ambas as empresas competem com grandes players do mercado, como Carrefour e GPA (BOV:PCAR3).
Percepção de risco regulatório
Embora não haja um impacto imediato sobre o caixa das empresas, a situação aumenta a percepção de risco regulatório no setor de varejo alimentar e pode manter as ações sob pressão no curto prazo. Assim, investidores devem prestar atenção às evoluções fiscais e eventuais revisões nos balanços financeiros das empresas afetadas.
Fonte: br.-.com
