Impacto Econômico da Guerra no Irã
Previsões do OECD
De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), o impacto da guerra no Irã não está poupando nenhuma das principais economias globais. Contudo, a previsão é de que o Reino Unido enfrente o maior impacto econômico entre todas as nações desenvolvidas.
Em seu mais recente relatório econômico, que revisa as previsões de crescimento e inflação apresentadas em dezembro, a OECD fez ajustes significativos nas expectativas para o Reino Unido. A previsão atual é que a inflação no país atinja 4% este ano, o que representa um aumento de 1,5 pontos percentuais em relação à previsão anterior. Além disso, a expectativa para o crescimento em 2026 é de apenas 0,5%, uma redução de 0,5 pontos percentuais em comparação com a última revisão.
Comparação com o G7
Essas revisões foram as mais drásticas feitas pela OECD em relação às principais economias globais, conforme foi divulgado em sua perspectiva econômica intermediária publicada na quinta-feira. Entre os países do grupo G7, apenas os Estados Unidos devem registrar uma inflação mais alta neste ano, com a OECD estimando que o índice de preços no país chegue a 4,2%.
O conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irã já teve um impacto significativo na economia global, levando os bancos centrais a rebaixar as previsões de crescimento e a elevar as expectativas de inflação em decorrência do aumento dos preços internacionais de petróleo e gás.
Desafios para a Economia Global
A OECD observou que o conflito no Oriente Médio está testando a resiliência da economia global, com a perspectiva "cercada por alta incerteza". O crescimento econômico foi sustentado por um forte ímpeto nos investimentos relacionados à tecnologia e por taxas de tarifas mais baixas do que se pensava anteriormente. Porém, o bloqueio do Irã à maioria das remessas de energia através do Estreito de Ormuz, juntamente com danos à infraestrutura energética da região, gerou um aumento vertiginoso nos preços da energia e provocou interrupções no fornecimento global de energia e em outras commodities importantes, como os fertilizantes.
A OECD destacou que esse aumento nos custos está pressionando a demanda e contribuindo para as pressões inflacionárias.
Exposição do Reino Unido
O Reino Unido é mais vulnerável ao choque dos preços globais de energia do que muitas outras nações, dado que o país importa a maior parte de seu petróleo e gás natural e possui instalações de armazenamento de gás limitadas. O último índice de preços ao consumidor, publicado no início desta semana, mostrando que a inflação estava inalterada em 3% em fevereiro, agora é esperado que aumente.
Consequências para a Política Monetária
A perspectiva de crescimento reduzida e a trajetória de inflação em alta criam um problema para o Banco da Inglaterra, que antes do início da guerra, esperava-se que cortasse as taxas de juros nesta primavera, atualmente estabelecidas em 3,75%. Esse corte, caso ocorresse, seria um alívio bem-vindo para tomadores de empréstimos e empresas. Contudo, a guerra colocou em xeque essas expectativas quanto à redução das taxas, e alguns economistas afirmam que aumentos nas taxas podem estar por vir caso o conflito se prolongue além do esperado.
A OECD alertou que os bancos centrais "precisam permanecer vigilantes e garantir que as expectativas de inflação permaneçam bem ancoradas", acrescentando que "ajustes na política monetária podem ser necessários se as pressões sobre os preços se ampliarem ou se as perspectivas de crescimento enfraquecerem substancialmente".
Medidas do Governo Britânico
O governo britânico anunciou que irá ajudar aqueles que estão sendo mais afetados pelos aumentos nos preços da energia. No entanto, a Ministra das Finanças, Rachel Reeves, afirmou nesta semana que não haverá medidas abrangentes para apoiar os lares com suas contas de energia.
Os mercados financeiros observam atentamente o governo trabalhista do Reino Unido em busca de indícios de indisciplina fiscal. Reeves reiterou que suas "regras fiscais", que limitam o endividamento do governo e a redução da dívida nacional, são "sólidas" e não será realizada qualquer flexibilização em resposta à guerra no Irã.
Fonte: www.cnbc.com