Captação de Fundos em Janeiro
Janeiro iniciou o ano com uma mensagem clara dos investidores brasileiros: o capital não permaneceu parado durante o período de férias. A indústria de fundos observou uma captação líquida de R$ 75,3 bilhões no mês, uma das maiores entradas mensais recentes. Esse resultado é impulsionado principalmente pela renda fixa, no entanto, os multimercados demonstraram um desempenho surpreendente ao resgatar a atenção do mercado, conforme indica levantamento realizado pela Anbima.
O resultado aponta para uma abertura de ano sólida para os gestores, em um cenário ainda caracterizado por taxas de juros altas e uma busca por maior previsibilidade no ambiente econômico.
Renda Fixa: Protagonismo e Atração de Recursos
Atrações da Renda Fixa
A classe de renda fixa se destacou como a grande protagonista do mês, conseguindo atrair R$ 57,4 bilhões em entradas líquidas, o que representa mais de 75% da captação total da indústria. Dentre os diferentes tipos dentro dessa categoria, o grupo com Duração Baixa Grau de Investimento foi o grande destaque. Esse fundo é formado majoritariamente por investimentos em títulos de crédito privado que apresentam baixo risco e vencimentos mais curtos, como debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs) com boa classificação de risco, atingindo captação de R$ 48,4 bilhões.
Por outro lado, o fundo Duração Livre Crédito Livre, que proporciona maior flexibilidade na gestão da carteira, tanto em termos de prazo quanto de qualidade de crédito, captou R$ 9,6 bilhões no mesmo período.
Resgates na Renda Fixa
Em contrapartida, o fundo de Duração Baixa Soberano, que é composto predominantemente por títulos públicos federais que variam de pós-fixados a curto prazo, registrou resgates líquidos de R$ 14 bilhões. Esse movimento pode indicar uma possível migração de recursos para estratégias que oferecem maior exposição a crédito privado ou uma maior liberdade na gestão dos ativos por parte dos gestores. Em termos de desempenho, o fundo Duração Livre Crédito Livre apresentou uma alta de 1,78% em janeiro, enquanto o fundo Duração Baixa Grau de Investimento teve um retorno de 1,18% no mesmo mês.
Multimercados e Ações: Cenário em Mudança
Captação dos Fundos Multimercados
Além da renda fixa, janeiro trouxe indícios de uma mudança no perfil de comportamento dos investidores. Os fundos multimercados voltaram a apresentar uma captação líquida significativa, com entradas totalizando R$ 17,3 bilhões, o melhor resultado desde junho de 2021. Dentro dessa categoria, o fundo de Investimentos no Exterior, que detém o maior patrimônio, conseguiu um ganho de R$ 11 bilhões. O tipo Livre também se destacou, atraindo R$ 6,1 bilhões em captação no período. As rentabilidades desses fundos foram de 1,32% e 1,84%, respectivamente.
Performance das Ações
No que diz respeito à classe de ações, o saldo continuou negativo. O fundo Ações Livre registrou uma saída líquida de R$ 1,3 bilhão, enquanto o fundo Ações no Exterior teve uma entrada de R$ 513 milhões. No acumulado do ano, os fundos de ações enfrentaram um resgate líquido de R$ 2,4 bilhões. Não obstante, o desempenho das ações foi o principal destaque da categoria em janeiro. As rentabilidades variaram entre 4,36% e 16,19%, com o fundo Mono Ação à frente em termos de ganhos. O fundo Ações Livre, que ocupa a segunda posição em patrimônio, apresentou um avanço de 6,98% no mês.
Além disso, entre os fundos estruturados, os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) reportaram uma saída líquida de R$ 2,6 bilhões, enquanto os FIPs (Fundos de Investimento em Participações) mostraram uma captação positiva de R$ 924,9 milhões.
Análise do Comportamento do Investidor
O cenário apresentado em janeiro sugere que os investidores ainda permanecem concentrados na renda fixa, mas estão gradualmente demonstrando uma maior disposição para diversificar seus investimentos, especialmente por meio de fundos multimercados e estratégias que oferecem exposição internacional às suas carteiras.
Fonte: www.moneytimes.com.br


