Resultados Financeiros do Santander no Primeiro Trimestre de 2026
O Santander reportou um lucro líquido recorrente de 3,78 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa informação foi divulgada em um comunicado enviado ao mercado na manhã desta quarta-feira, 29. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, que estimava um lucro de 4 bilhões de reais, com base em consenso do BTG Pactual.
Desempenho Sob Pressão
O banco enfrentou um trimestre marcado por um aumento significativo na inadimplência, em decorrência de um cenário econômico caracterizado por taxas de juros elevadas e um forte endividamento tanto de famílias quanto de empresas. Outro ponto a ser considerado é que o primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco, devido ao número reduzido de dias úteis, o que impacta a margem de lucro com clientes. Adicionalmente, o alto nível de juros teve um efeito negativo sobre os resultados da tesouraria e comprometeu a margem com o mercado.
Margem Financeira e Resultados
Nesse contexto, a margem financeira bruta do Santander foi de 15,8 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, apresentando uma queda de 0,7%. Dentro desse segmento, a margem com o mercado registrou um resultado negativo de 771 milhões de reais, o que representa uma deterioração significativa em relação ao resultado positivo de 97 milhões de reais observado no mesmo período do ano anterior. Essa degradação era uma expectativa do mercado, especialmente devido ao aumento da taxa Selic: de 13,25% em janeiro de 2025 para 15% em janeiro de 2026.
Aumento da Inadimplência
A inadimplência acima de 90 dias aumentou em 0,6 ponto percentual, subindo de 2,8% no primeiro trimestre de 2025 para 3,3% no primeiro trimestre de 2026. A deterioração da carteira de crédito afetou tanto a pessoa física quanto a jurídica.
No segmento de pessoas físicas, o crescimento da inadimplência concentrou-se nas camadas de baixa renda, que foram as mais impactadas por um cenário econômico desafiador. Por sua vez, entre as pessoas jurídicas, a piora na qualidade do crédito ocorreu principalmente entre pequenas e médias empresas (PMEs), cuja inadimplência aumentou 1,4 ponto percentual em 12 meses, atingindo a marca de 6%.
Provisões para Devedores Duvidosos
Em função desse contexto, o banco decidiu aumentar as Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), que chegaram a 6,3 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, uma alta de 3,9% em relação aos 6,1 bilhões de reais registrados no quarto trimestre de 2025. Esse montante é destinado a cobrir possíveis calotes de clientes em relação a suas obrigações.
Impacto na Rentabilidade
Diante das adversidades no ambiente de crédito, a rentabilidade do banco também apresentou um recuo. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, em inglês) caiu de 17,4% no primeiro trimestre de 2025 para 16% no primeiro trimestre de 2026.
Considerações Finais
Em resumo, o Santander anunciou um resultado que ficou aquém das expectativas do mercado, pressionado pela deterioração da inadimplência, que afetou a carteira de crédito e elevou as provisões. Parte desse desempenho pode ser atribuída à sazonalidade tradicionalmente observada no primeiro trimestre, que é mais desafiador para as instituições financeiras, especialmente em um cenário caracterizado por juros elevados e um alto nível de endividamento das famílias.
Fonte: veja.abril.com.br


