Cenário Econômico e Taxas de Juros
Expectativas para a Economia
O sócio da gestora de fundos Occam, Petrônio Cançado, descarta a possibilidade de uma crise de crédito iminente, embora reconheça que a taxa de juros em 15% indica uma desaceleração da economia para 2026. Em sua análise, Cançado afirma que podem surgir problemas, mas que estes devem ser pontuais e não generalizados.
Impacto da Selic no Crédito
Cançado destaca que a taxa Selic é o fator que exerce maior influência sobre o mercado de crédito. Ele observa que a percepção geral é de que os juros estão excessivamente altos, algo amplamente compartilhado. Essa análise foi feita em uma entrevista ao programa Capital Insights.
Programação do Capital Insights
O Capital Insights é um programa que, em parceria com a CNN Money e a Broadcast, realiza entrevistas semanais com especialistas do mercado financeiro. O foco das conversas é discutir o cenário econômico, tanto do Brasil quanto global, e o programa vai ao ar todas as quintas-feiras, às 19h, na CNN Money.
Projeções de Inflação e Selic
O especialista prevê que os cortes na Selic devem começar apenas em março. Além disso, Cançado espera um recuo marginal da inflação entre 2025 e 2026, com projeção de índice ligeiramente acima de 4,5%. Ele acredita que o mercado de trabalho continuará aquecido nesse período.
Credibilidade do Banco Central
Segundo Cançado, a possibilidade de redução da Selic dependerá da credibilidade que o Banco Central tem conseguido conquistar junto ao mercado. Ele observa que a postura conservadora do atual presidente do Banco Central, Galípolo, está ajudando a aumentar a confiança dos investidores, o que pode acelerar a possibilidade de uma queda mais rápida nas taxas de juros. Cançado projeta que a taxa de juros básica deve estar em 13% ao final de 2026.
Emissão de Papéis Privados
Desafios para Pequenas Empresas
O especialista, que lidera a área de crédito na Occam, enfatiza que, com a atual taxa de juros, a emissão de papéis de dívida privada está restrita principalmente às grandes empresas. Ele observa que as pequenas empresas são as mais afetadas pela situação econômica atual, indicando um cenário desafiador para essas entidades.
Spread de Crédito e Impacto dos Juros Altos
Cançado também comenta que os spreads pagos pelas grandes companhias estão bastante baixos, resultado das taxas de juros elevadas. Ele acrescenta que, enquanto no passado as grandes empresas pagavam spreads mais altos, atualmente esse custo é um desafio principalmente para as empresas menores ou aquelas pertencentes a setores mais impactados pelos juros altos.
Perspectivas de Recuperação
Na avaliação de Cançado, o pior momento da economia já teria passado. Ele acredita que a situação econômica para 2026 é mais promissora se comparada ao cenário que se apresentava no início do atual ano, especialmente após meses de novembro e dezembro de 2024, que foram particularmente difíceis para o mercado de crédito.
Desempenho no Mercado de Crédito
Resultados de 2025
O especialista afirma que o ano de 2025 foi bastante positivo para o crédito, enfatizando que a Occam decidiu investir em debêntures de infraestrutura ao longo desse período. Cançado reconhece que a isenção fiscal foi um fator crucial para o crescimento desse segmento, embora considere que o mercado de crédito seria mais saudável sem esses incentivos.
O Futuro dos Títulos Isentos
Ele afirma que, em algum momento, a isenção de impostos sobre títulos se encerrará, o que terá implicações para o mercado. Essa mudança pode afetar o comportamento dos investidores e a dinâmica do crédito.
Perspectivas para a Bolsa de Valores
Valorização das Ações
Cançado menciona que a percepção de que os papéis estavam subavaliados foi um dos fatores que levaram à valorização aproximada de 30% acumulada no ano na bolsa. Ele aponta que, para 2026, os setores financeiro e de utilidades (utilities) são considerados as melhores apostas.
Preferências de Investimento
Dentre as preferências de investimento da Occam, destacam-se empresas como BTG, Nubank, Equatorial, Copel e Sabesp, que, segundo Cançado, apresentam boas iniciativas para os próximos anos.
Questões Fiscais e Investimentos Estrangeiros
Desafio Fiscal do Brasil
Cançado salienta que um dos principais problemas que o Brasil enfrenta atualmente reside na questão fiscal. Ele observa que a continuidade do ingresso de investidores estrangeiros no país está fortemente ligada à política monetária adotada pelos Estados Unidos.
Incertezas na Política Monetária dos EUA
Ele explica que a disparidade nas opiniões do Banco Central americano em relação à política monetária pode levar a decisões menos consensuais, o que impactaria diretamente a redução das taxas de juros. Essa situação torna o futuro do investimento mais incerto, sendo um fator a ser monitorado pelos investidores.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


