Setor Agro sente efeitos da influência dos EUA e gera incertezas para 2026.

Incerteza no Comércio Internacional para 2026

A expectativa para o comércio internacional no setor do agronegócio em 2026 é de "incerteza", de acordo com Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo ela, o próximo ano deverá ser caracterizado por instabilidade geopolítica e decisões estratégicas dos Estados Unidos, as quais podem impactar o fluxo global de exportações.

A Dinâmica Comercial entre EUA e China

Sueme Mori pontuou que o foco principal de atenção está na dinâmica comercial entre os Estados Unidos e a China, particularmente em relação à soja e à proteína animal. Ela mencionou que os EUA têm divulgado compromissos comerciais e metas de compra. No entanto, a falta de transparência e a ausência de números oficiais confirmados pela China podem reposicionar o mercado global, o que deslocaria a posição competitiva do Brasil.

“A dinâmica preocupa. Não existe um documento formal. A China não se pronunciou formalmente ainda. Os Estados Unidos sim. O presidente [Donald] Trump publicou em rede social e disse que a China se comprometeu a comprar mais, mas a China não falou sobre isso ainda. Não deu um número, não disse como isso vai acontecer,” destacou.

Impactos da Incerteza no Fornecimento Global de Grãos

De acordo com Sueme, tal tipo de acordo gera incertezas a respeito do papel do Brasil no fornecimento global de grãos. “Nós ocupamos o espaço deixado pelos Estados Unidos quando a China deixou de comprar. Se isso mudar, teremos que redirecionar,” alertou.

Ela também enfatizou que a diferença entre as exportações brasileiras e as norte-americanas é significativa, variando na casa dos US$ 8 bilhões para apenas US$ 1 bilhão e poucos bilhões dos Estados Unidos. “Então, é muita coisa. O mercado cresceu, a produção interna brasileira de carne bovina aumentou devido ao aumento das importações chinesas. Uma coisa está muito vinculada à outra. Qualquer perturbação nesse mercado impacta diretamente a produção interna, os preços e a renda, que já está em um cenário delicado,” completou.

O Novo Contexto do Comércio Internacional

Sueme afirmou que, atualmente, o comércio internacional não se dá mais através de negociações bilaterais tradicionais. Mesmo processos técnicos mais avançados, como a abertura do mercado de carne para o Japão e a Coreia do Sul, estão sob a influência norte-americana na construção do acesso sanitário e tarifário.

“O comércio internacional não pode mais ser discutido apenas em termos de uma relação bilateral. Precisamos considerar um contexto mais amplo e, especialmente, a influência dos Estados Unidos nesses mercados onde buscamos abrir novas oportunidades,” articulou. Além disso, complementou que “para abrir o Japão ou a Coreia do Sul, não é suficiente negociar apenas com esses países; a influência dos Estados Unidos também conta”.

Preocupações com a Carne Brasileira na China

Em relação à China, uma das maiores preocupações imediatas de Sueme é a investigação que pode resultar em salvaguardas à carne brasileira.

“A expectativa era que, agora em novembro, fosse divulgado o resultado da investigação. Nesse momento, havia uma sinalização de que poderia haver uma diminuição nas exportações para a China. Assim, o adiamento é uma sinalização positiva para nós, mas o cenário permanece o mesmo. Quando o resultado fosse divulgado, ele não seria favorável a nós. Isso preocupa bastante, pois a China é, de longe, o nosso principal mercado de carne bovina,” afirmou.

Oportunidades para Expansão de Mercados

Apesar dos riscos, Sueme defende que o Brasil tem oportunidades para expandir seus mercados, desde que consiga transformar acordos em acessos reais para os produtores.

“Neste ano, tivemos várias aberturas de mercados. Agora, precisamos apoiar os produtores para que eles aproveitem essas oportunidades. Muitas vezes, os produtores carecem de informações, como, por exemplo: ‘sou produtor de queijo, o que muda para mim?’ ou ‘sou de vinho, o que isso implica?’. O comércio internacional influencia cada vez mais o cotidiano do produtor, e essa informação precisa chegar de forma direta a ele,” salientou.

Ela ressaltou ainda que o projeto AgroBR pode ser um suporte fundamental. De acordo com Sueme, essa proposta será ampliada em parceria com o Sebrae em 2026, tendo como objetivo apoiar pequenos e médios exportadores e ampliar rodadas de negócios no Brasil com compradores internacionais.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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