Setor de serviços enfrenta a maior queda desde a pandemia no último trimestre, mas apresenta crescimento de 3% no acumulado do ano.

Queda no Volume de Serviços no Brasil

O volume de serviços prestados no Brasil apresentou uma retração de 0,7% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o quarto trimestre de 2025, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este resultado representa a taxa mais negativa desde o segundo trimestre de 2020, quando o setor enfrentou uma queda de 16% no auge da pandemia de covid-19.

Essa diminuição interrompe uma sequência significativa de taxas positivas. A última vez em que a pesquisa havia apontado um resultado negativo em termos de comparação trimestral foi no primeiro trimestre de 2023, quando o setor sofreu um recuo de 0,5%, informou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Influências da Queda Trimestral

Março Puxa o Trimestre para Baixo

O desempenho trimestral foi afetado pela redução de 1,2% observada nos serviços em março em relação a fevereiro, após um período de estabilidade com variação de 0,0% em fevereiro. Durante o mês de março, todas as cinco atividades analisadas apresentaram recuos, sem exceção.

Os transportes lideraram as perdas com uma queda de 1,7%, o que eliminou os ganhos acumulados nos dois primeiros meses do ano. Os serviços prestados às famílias retraiu 1,5%, retornando ao patamar anterior à expansão de fevereiro. Já os serviços profissionais, administrativos e complementares apresentaram uma diminuição de 1,1%, acumulando uma perda total de 2,3% nos últimos quatro meses. O setor de informação e comunicação teve um recuo de 0,9% e outros serviços caíram 2,0%.

Turismo Registra Segunda Queda Consecutiva

O setor de atividades turísticas experimentou uma retração de 4,0% em março em comparação a fevereiro, marcando o segundo resultado negativo consecutivo, com uma perda acumulada de 5,4% nos dois meses anteriores. O segmento está operando 6,3% abaixo do pico de sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

A principal pressão sobre o setor foi consequência da diminuição na receita de serviços como transporte aéreo de passageiros, hotéis e locação de automóveis. Em comparação com março de 2025, o turismo recuou 3,9%, com perdas observadas em 11 das 17 unidades da federação investigadas.

Comparações Anuais Mantêm Sequência Positiva

Apesar do recuo trimestral, o setor de serviços registrou um crescimento de 3,0% em março de 2026 em relação a março de 2025, representando o 24º resultado positivo consecutivo neste tipo de comparação. Esse avanço foi observado em quatro das cinco atividades analisadas e registrado em 51,8% dos 166 tipos de serviços pesquisados.

O principal impulso positivo na comparação anual partiu do setor de informação e comunicação, que teve um crescimento de 7,9%. Esse aumento foi impulsionado por áreas como telecomunicações, consultoria em tecnologia da informação e serviços de hospedagem na internet. O setor de transportes cresceu 2,0% e outros serviços também apresentaram um aumento de 2,7% na mesma base de comparação.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, o setor apresentam uma alta de 2,3%. Já nos últimos doze meses, a expansão registrada foi de 2,8%, ritmo que se manteve igual ao observado em fevereiro e que é o menor desde outubro de 2024.

Análise Regional das Quedas e Crescimentos

Regionalmente, 13 das 27 unidades da federação registraram uma retração no volume de serviços em março em comparação ao mês anterior. A maior influência negativa foi exercida por São Paulo, que apresentou uma queda de 2,1%, seguido por Mato Grosso do Sul (-6,0%), Mato Grosso (-5,2%) e Pernambuco (-3,9%). Em contrapartida, o Distrito Federal teve um avanço considerável de 10,3%, enquanto o estado do Rio de Janeiro cresceu 1,8% no mesmo período.

Fonte: timesbrasil.com.br

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