Setor de Móveis Brasileiro
O setor de móveis brasileiro manifestou satisfação com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de eliminar a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas, considerando-a um avanço. Entretanto, a indústria destacou que essa medida não oferece benefícios diretos ao seu segmento.
Reação da Abimóvel
Em um comunicado divulgado na sexta-feira, 21 de agosto, a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) pode afirmar que o anúncio feito por Trump, na véspera, representa um “avanço importante nas negociações bilaterais” e fortalece o ambiente de diálogo técnico entre os dois países. No entanto, para a indústria de móveis e outros bens manufaturados, a situação permanece essencialmente a mesma.
A associação ressaltou que, do ponto de vista do setor moveleiro, a decisão deve ser interpretada como um sinal de que o diálogo está funcionando, mas ainda é considerada insuficiente para restabelecer a previsibilidade e o equilíbrio concorrencial de que o setor e a indústria brasileira necessitam.
Expectativas do Setor
O setor espera que a lógica aplicada aos produtos alimentícios seja estendida aos bens industriais. O objetivo é que seja elaborado um cronograma claro para a remoção das sobretaxas sobre móveis, madeira e outros produtos industriais brasileiros.
Benefícios Para o Agronegócio
A medida favorece especialmente o agronegócio brasileiro, englobando itens como carne, café, frutas, cacau e alguns fertilizantes. Este anúncio ocorre após a redução da tarifa adicional de 10% na semana anterior.
Impacto das Sobretaxas
Móveis, madeira processada, calçados, alumínio e outros insumos industriais continuam sujeitos às sobretaxas e às medidas vigentes. A Abimóvel explica que isso “mantém elevado o custo de acesso ao mercado norte-americano e reduz a competitividade do produto brasileiro em relação a concorrentes de outros países.”
Desafios Enfrentados
A Abimóvel enfatiza que o setor moveleiro ainda enfrenta dificuldades, como a revisão de pedidos, renegociação de contratos e a busca por novos destinos para exportações.
Coordenação nas Negociações
Welber Barral, responsável pela defesa da Abimóvel nas negociações em Washington, nos EUA, disse que a redução tarifária anunciada se concentra em commodities agrícolas, não atingindo a maioria dos bens industriais, nem mesmo o café solúvel e outros itens relacionados.
Barral também alertou sobre a continuidade da investigação da Seção 301, que pode abrir espaço para novas medidas restritivas caso não seja alcançada uma solução negociada.
Agenda Prioritária
Nesse cenário, a agenda prioritária para o Brasil continua sendo a eliminação das sobretaxas sobre produtos manufaturados, incluindo o mobiliário e toda a sua cadeia de suprimentos.
Posição do Itamaraty
Em nota, o Itamaraty declarou que “o Brasil continuará a negociar com os EUA com o objetivo de remover as tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral,” reiterando a relevância do setor industrial.
Colaboração com Autoridades
A Abimóvel reafirmou que colabora com autoridades brasileiras e americanas, disponibilizando informações técnicas sobre o setor de móveis.
O intuito é evidenciar que a manutenção das tarifas sobre móveis e insumos do segmento não contribui para a segurança econômica dos Estados Unidos e, pelo contrário, encarece os produtos para o consumidor final americano.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br