Acordo para Elevação do Teto do MEI
O recente acordo estabelecido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, com o Palácio do Planalto para a elevação gradual do teto do Microempreendedor Individual (MEI) gerou preocupações entre entidades do comércio e serviços.
Proposta Limitada
A proposta, que aborda uma demanda antiga do setor produtivo, foi apresentada em uma versão consideravelmente mais restrita do que o desejado pelas associações empresariais. Segundo o que está sendo negociado, o limite anual do MEI seria aumentado para R$ 110 mil em 2027, alcançando R$ 140 mil somente em 2028.
Impacto no Setor Produtivo
Nos bastidores, a interpretação é de que o governo aceitou promover alterações no MEI, mas bloqueou o avanço de um projeto mais abrangente a fim de proteger a arrecadação. Além disso, as faixas superiores do Simples Nacional, que beneficiam microempresas e empresas de pequeno porte, foram deixadas de fora desse acordo. Este ponto é visto como o mais sensível, considerando as preocupações de estados, municípios e da equipe econômica.
Críticas à Defasagem da Tabela
Os representantes do setor expressam que o escalonamento da proposta transforma a inflação em uma penalidade para o pequeno empreendedor. Com a tabela defasada, as empresas que não realmente crescem acabam sendo forçadas a sair do regime. Isso ocorre simplesmente porque seus custos e faturamento nominal aumentaram, mesmo sem um crescimento real de suas atividades.
Declarações de Representantes Empresariais
Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, enfatiza: “Atualizar o limite do MEI não significa conceder um benefício novo. Significa apenas corrigir uma defasagem que impede milhões de brasileiros de continuarem empreendendo. Adiar essa atualização para 2028 é obrigar o pequeno empreendedor a pagar a conta da inflação antes mesmo de conseguir crescer.”
Expectativas no Congresso
No ambiente do Congresso, parlamentares que estão associados ao empreendedorismo admitem, em conversas reservadas, que a configuração apresentada por Motta foi o "remédio possível" para superar a resistência do governo e dos governadores, que estão atentos à possível perda de arrecadação do ICMS e do ISS.
Pressão para Mudanças
A pressão agora deve se deslocar para a comissão especial. As entidades do setor planejam tentar reduzir o prazo de transição e reintroduzir discussões sobre algum tipo de atualização para as outras faixas do Simples. O argumento central que sustenta essa proposta é bastante claro: sem uma correção mais abrangente, a tabela defasada continuará a atuar como um obstáculo invisível para aqueles que buscam expandir suas atividades em 2026 e 2027.
Fonte: veja.abril.com.br


