Sob pressão, Oncoclínicas (ONCO3) aprova um novo aumento de capital bilionário; ações caem 12% na B3.

Aumento de Capital da Oncoclínicas: Aprovação e Consequências

Em meio a uma série de controvérsias, a Oncoclínicas (ONCO3) obteve a aprovação dos acionistas em uma assembleia realizada na quarta-feira, dia 8, para realizar o terceiro aumento de capital em um período de dois anos. Após seguir uma trajetória de expansão, a companhia se viu na necessidade de recalibrar seus planos de negócios para lidar com dificuldades financeiras que afetaram suas operações.

Detalhes do Aumento de Capital

O aumento de capital planeja injetar até R$ 2 bilhões na empresa, por meio da emissão de até 666.666.667 novas ações, com preço de emissão estipulado em R$ 3 por ação. A companhia estabeleceu um valor mínimo de R$ 1 bilhão para a homologação do aumento de capital.

A operação, aprovada na assembleia, resulta em uma diluição significativa para aqueles acionistas que não decidirem investir novos recursos na companhia. Em resposta a essa notícia, as ações da Oncoclínicas (ONCO3) fecharam o pregão desta quarta-feira na B3 com uma queda expressiva de quase 12%, cotadas a R$ 3,24. O valor de mercado da empresa atualmente está em torno de R$ 2,26 bilhões.

Condições Adicionais para Investidores

A proposta inclui a concessão de bônus de subscrição como incentivo adicional para os compradores, oferecendo um bônus de subscrição para cada nova ação adquirida. Fontes próximas ao tema informaram ao Money Times que o valor mínimo estipulado de R$ 1 bilhão para o aumento de capital seria suficiente para equilibrar o endividamento da Oncoclínicas em relação ao seu tamanho. Um aumento de R$ 2 bilhões, por outro lado, colocaria a empresa em uma situação financeira mais confortável.

Contudo, o mercado está cauteloso em relação à empresa, que já realizou capitalizações anteriores com o Banco Master. Recentemente, houve uma tentativa de reestruturação pela Starboard, que gerou especulações sobre a continuidade do fundador da companhia, Bruno Ferrari, como CEO.

Críticas ao Preço das Ações

No anúncio referente ao aumento de capital, realizado em meados de setembro, especialistas questionaram o preço proposto de R$ 3, levantando preocupações sobre se esse valor seria justo para evitar uma diluição não justificada dos acionistas minoritários. Esse montante representa um dos níveis mais baixos das ações ONCO3 na bolsa desde 2025 e desde o IPO, em 2021.

Em contrapartida, a necessidade do aumento de capital foi definida como “latente”, pois a companhia possui uma dívida líquida de R$ 3,9 bilhões, com uma alavancagem de aproximadamente 4 vezes, e um covenant com medição anual em 3,5 vezes.

O covenant é uma ferramenta utilizada no mercado financeiro que estabelece condições específicas para que um empréstimo continue em vigor nos termos acordados. Quando não é cumprido, o credor tem o direito de cobrar a dívida.

Histórico e Conturbada Trajetória da Oncoclínicas

A Oncoclínicas foi criada há 15 anos em Belo Horizonte (MG) e inicialmente se estabeleceu com foco no tratamento oncológico. No entanto, após o IPO em 2021, a empresa ampliou suas operações para incluir clínicas que realizavam diagnósticos e tratamentos mais complexos, como radioterapia e quimioterapia. Para apoiar a continuidade de sua expansão, a empresa começou a adquirir hospitais. Contudo, esse movimento não surtiu efeitos positivos, já que a companhia carece de experiência na gestão de áreas hospitalares que vão além da oncológica.

A consequência dessa mudança foi a deterioração dos resultados financeiros da companhia, que aumentou sua alavancagem e elevou o consumo de caixa. Dentre as estratégias adotadas para reverter a situação, dois hospitais foram vendidos e um projeto em andamento foi cancelado. Além disso, a empresa abandonou planos de formar uma joint venture na Arábia Saudita.

Fontes próximas à Oncoclínicas afirmam que, nas próximas semanas, a empresa deverá anunciar a venda de um terceiro hospital, com conversas já avançadas para essa transação, bem como a suspensão da construção dos outros dois hospitais. A nova estratégia busca uma reorientação para o foco principal da companhia, mas o mercado ainda demonstra hesitação quanto à eficácia das medidas para resolver os problemas enfrentados.

Desafios e Patrimônios Conturbados

Em relatório datado de 2 de outubro, o JP Morgan considerou o plano de venda de ativos da Oncoclínicas como uma medida de curto prazo, que não aborda questões estruturais relacionadas à governança nem melhora a posição competitiva da empresa no mercado. Os analistas do banco norte-americano classificam as ações da Oncoclínicas como “underweight”, o que é equivalente à recomendação de venda.

Os resultados da empresa também enfrentaram pressão proveniente da Unimed-Rio, que, na época do IPO, era responsável por 20% da receita e passou a atrasar pagamentos devido à própria situação financeira. Isso dificultou ainda mais a sustentabilidade financeira da Oncoclínicas, que, de acordo com fontes, tem uma dívida associada à Unimed que chega a R$ 800 milhões e, desde agosto, não recebe mais pagamentos dessa operadora.

Repetição de Capitalizações e Polêmicas Envolvendo o Banco Master

A Oncoclínicas, desde o início de 2023, já realizou três aumentos de capital, sendo que os dois últimos geraram polêmicas que alarmaram o mercado. No ano passado, o aumento de capital teve a participação polêmica do Banco Master, que se tornou âncora dessa operação, a um preço de R$ 13 por ação, enquanto a ação estava sendo negociada a cerca de R$ 7 na mesma época. Atualmente, o Banco Master possui 15,18% das ações ordinárias da Oncoclínicas.

É importante destacar que, com o novo aumento de capital, a participação do Banco Master deverá ser diluída, visto que a instituição enfrenta dificuldades financeiras e não possui capacidade para investir novos recursos na empresa. A relação da Oncoclínicas com o Banco Master também constitui um ponto de controvérsia no mercado. Especialistas indicam que, caso uma parte significativa do caixa da empresa seja aplicada em ativos de maior risco, como CDBs do banco, a acessibilidade a esses recursos pode não ser viável no momento.

Um analista ainda declarou que, se isso se concretizar, “será uma política de tesouraria e de governança deplorável”.

No segundo aumento de capital, R$ 1 bilhão foi proveniente diretamente do Banco Master e R$ 500 milhões foram investidos pelo CEO Bruno Ferrari. Como resultado, a empresa estabeleceu uma conta no Banco Master para acessar os recursos, tendo acordado um cronograma de saques deste montante, conforme informação de uma fonte consultada pelo Money Times.

Esse cronograma deve ser concluído no final do ano e, conforme a fonte, está sendo respeitado. A Oncoclínicas mantém um monitoramento próximo do cronograma no banco, e a maior parte do valor já foi transferida, apesar de haver alguns pequenos atrasos.

Proposta da Starboard e Futuro da Companhia

No mês de setembro, a Oncoclínicas refutou uma proposta de reestruturação financeira apresentada pela Starboard Asset, com a justificativa de que os termos oferecidos não seriam do melhor interesse dos acionistas. A pesquisa realizada pelo Money Times revelou que a abordagem da Starboard foi considerada insatisfatória, dado que buscavam enfatizar excessivamente o problema da companhia para justificar a necessidade de um investimento.

A proposta também incluía a questão da saída de Bruno Ferrari, fundador e atual CEO da Oncoclínicas. Com a rejeição desta proposta, Ferrari permanecerá à frente da empresa, embora mudanças em sua liderança não sejam descartadas no futuro.

Ferrari ocupou o cargo de presidente do conselho até 2021 e assumiu a liderança da empresa após o aumento de capital, com a meta de acelerar aquisições e integrações. No entanto, as circunstâncias atuais exigem uma abordagem diferente, segundo fontes de mercado.

Com a estratégia de priorizar a contenção do crescimento e foco nos processos, espera-se que Ferrari retorne ao conselho, enquanto um sucessor é escolhido para implementar a nova direção da companhia. Entretanto, essa transição pode não ocorrer nos próximos meses, podendo levar mais de um ano para ser efetivada.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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