Análise do Mercado de Câmbio por Luis Stuhlberger
Luis Stuhlberger, gestor da Verde Asset, ressalta que o dólar permanece como o principal ativo desalinhado dentro do mercado brasileiro, oferecendo uma oportunidade de proteção, além de posicionamento favorável ao Brasil em meio à incerteza do cenário eleitoral atual.
O gestor considera que, mesmo após a recente valorização do real, o dólar ainda está distante de seu valor justo. Ele afirma que “o câmbio ainda está extremamente fora do lugar. Apesar de o real estar próximo dos R$ 5,20, quando comparado a outras moedas, sua apreciação é menor”. Stuhlberger expressou essa análise durante um evento promovido pelo UBS BB, realizado na terça-feira, dia 27. Ele acrescentou que, para quem deseja fazer uma nova posição favorável ao Brasil, o valor justo do dólar seria em torno de R$ 4,40, indicando que “faz sentido olhar para isso agora”.
A leitura do gestor é de que o comportamento do câmbio é mais simples de interpretar quando comparado ao da bolsa de valores no curto prazo, uma vez que as ações dependem fortemente de fluxos, enquanto o dólar reage de maneira mais direta aos fundamentos macroeconômicos e às diferenças na política econômica.
Ao criar estratégias de investimento para os próximos anos, Stuhlberger mencionou que, caso decidisse montar hoje uma nova posição favorável ao Brasil, esta não envolveria ações, que já tiveram uma valorização significativa, mas focaria no mercado de câmbio, buscando níveis de preços consideravelmente mais baixos.
Dólar e Cenário Internacional
Stuhlberger também discute que os fatores que podem contribuir para a desvalorização do dólar não estão restritos ao Brasil, mas devem ser analisados dentro do contexto internacional. Ele acredita que a política econômica dos Estados Unidos continuará a pressionar a moeda americana nos próximos anos. “Trump fará o possível e o impossível para motivar a desvalorização do dólar. Ele já está conseguindo isso, e essa tendência ainda não chegou ao fim”, comentou.
Segundo o gestor, a combinação de populismo fiscal, pressão política sobre as instituições e estímulos diretos à renda nos Estados Unidos tem se tornado cada vez mais evidente. Ele observa que essa estratégia se assemelha a políticas adotadas por países emergentes, o que é incomum para uma economia do porte dos Estados Unidos.
Stuhlberger enfatizou que a instabilidade política nos Estados Unidos tende a aumentar à medida que se aproxima o período das eleições de meio de mandato, agendadas para novembro, o que pode levar Trump a intensificar o uso de medidas populistas com o objetivo de garantir apoio político. “Ele está preocupado com a eleição de meio de mandato e provavelmente utilizará medidas populistas para evitar uma derrota”, ressaltou.
Uma possível derrota eleitoral, como a perda de uma ou ambas as Casas do Congresso, deve acelerar as incertezas institucionais e fiscais, segundo a análise do gestor. “Se ele sair derrotado em um ‘midterm’, a questão passa a ser se os Estados Unidos retornarão ao que eram antes ou se o trumpismo continuará a moldar a política econômica”, avaliou Stuhlberger.
Impacto no Mercado Brasileiro
No entanto, esse contexto cria um pano de fundo que favorece a saída marginal de recursos de ativos dolarizados a nível global. Mesmo que essas movimentações sejam pequenas até o momento, elas têm causado um impacto relevante em mercados menores, como o do Brasil, explicando, em grande parte, a recente valorização da Bolsa brasileira. “Os estrangeiros detêm cerca de US$ 36 trilhões em ativos nos Estados Unidos. Se apenas 3% disso se movimentar para fora, o efeito em mercados menores será significativo”, apontou.
Dentro desse ambiente, Stuhlberger argumenta que os investidores brasileiros devem aproveitar o custo historicamente baixo do dólar para investir em instrumentos de proteção cambial. Para ele, o hedge não deve ser visto apenas como uma defesa financeira, mas também como uma estratégia que proporciona maior conforto em períodos de estresse político, como a eleição brasileira deste ano.
“Acredito na ideia de hedge emocional. O custo é muito baixo. Mesmo que o retorno seja pequeno, a satisfação é maior, já que os outros ativos continuam a se movimentar. Se a disputa eleitoral ficar em um equilíbrio de 50/50 até o final, é preferível guardar esses hedges baratos de dólar e real”, finalizou.
Fonte: www.moneytimes.com.br