Suzano Lucra no 4T, Anuncia Recompra de Até 6,5% das Ações e Revela Ebitda de R$ 5,58 Bilhões

Resultados Financeiros da Suzano S.A.

A Suzano S.A. (BOV:SUZB3), reconhecida como a maior produtora de celulose de eucalipto globalmente, divulgou na terça-feira, 10 de fevereiro, seus resultados referentes ao quarto trimestre. O EBITDA ajustado da empresa alcançou R$ 5,58 bilhões, o que representa uma queda de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, apesar de estar em linha com as previsões do mercado. A companhia também anunciou um programa de recompra de ações que prevê a recompra de até 6,5% das ações em circulação, correspondente a aproximadamente 40 milhões de papéis, reforçando sua estratégia de alocação de capital.

Desempenho Operacional

Apesar de um desempenho operacional que revela uma retração, os resultados demonstraram sinais de resiliência. O mercado aguardava um EBITDA em torno de R$ 5,4 bilhões, conforme indicam dados da LSEG. A Suzano conseguiu atenuar parte da pressão cambial e da redução nos preços médios da celulose, impulsionando suas vendas em volume e reduzindo significativamente o custo em caixa, que registrou o menor nível desde o final de 2021.

No quarto trimestre, a receita líquida foi de R$ 13,1 bilhões, uma diminuição de 8% em comparação ao ano anterior, mas acima da expectativa média de R$ 12,5 bilhões. O volume de vendas de celulose apresentou um crescimento de aproximadamente 4%, atingindo 3,4 milhões de toneladas, enquanto o preço médio da celulose teve uma diminuição de 8% no mesmo período. O lucro líquido foi de R$ 116 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 6,7 bilhões registrado no quarto trimestre de 2024, impulsionado por efeitos cambiais positivos que impactaram o resultado financeiro.

Custo de Produção e Alavancagem Financeira

Um dos indicadores relevantes foi o custo em caixa de produção de celulose, que é uma métrica fundamental para o setor. Sem considerar as paradas para manutenção, esse custo teve uma redução de 3,6%, passando para R$ 778 por tonelada. Quando incluídas as paradas, houve uma diminuição de 8%, com custo chegando a R$ 809 por tonelada. Em dezembro, a empresa encerrou com uma alavancagem financeira de 3,2 vezes em dólar, comparada a 2,9 vezes ao final de 2024.

A geração de caixa operacional por tonelada no segmento de celulose foi de R$ 937/t no quarto trimestre de 2025, refletindo um aumento de 1% em relação ao terceiro trimestre, devido à diminuição no capital de manutenção por tonelada. Quando comparado com o quarto trimestre de 2024, a geração de caixa operacional sofreu uma redução de 28%, decorrente da diminuição do EBITDA por tonelada e do aumento do capital de manutenção por tonelada.

Produção de Celulose e Estratégia de Mercado

Além dos resultados numéricos, a Suzano comunicou que manterá, em 2026, um volume de produção de celulose destinado ao mercado cerca de 3,5% abaixo da capacidade nominal anual. Segundo a administração da empresa, retomar o volume marginal de produção não garantiria o retorno desejado neste momento, demonstrando uma postura de disciplina operacional e foco na rentabilidade, aspectos fundamentais para investidores atentos às margens, à geração de caixa e à sustentabilidade do balanço financeiro.

Custos e Despesas

No quarto trimestre de 2025, o custo de produção variável em caixa foi de R$ 6.299 milhões, ou R$ 1.623 por tonelada. Comparado ao terceiro trimestre, esse custo registrou um aumento de 8%, principalmente devido ao incremento do volume vendido de celulose e papel, unido ao impacto das paradas programadas para manutenção. A empresa conseguiu suavizar esses efeitos com a queda no custo em caixa da produção de celulose, redução das despesas de logística, além de uma desvalorização de 1% do dólar em relação ao real, influenciando os itens expostos à moeda estrangeira. Na análise por tonelada, a variação no indicador foi praticamente constante, em virtude dos mesmos fatores, exceto pela variação nos volumes.

Adicionalmente, a comparação com o terceiro trimestre mostrou um aumento de 22% nas despesas gerais e administrativas em base caixa, explicado principalmente por despesas relacionadas à remuneração variável, serviços prestados por terceiros (incluindo consultorias e auditorias) e maiores gastos com mão de obra, em grande parte devido a despesas associadas a reestruturações, conforme parte do Programa de Aceleração de Competitividade. Essa mesma análise é aplicável à elevação de 13% na comparação por tonelada.

Investimentos e Dívida

No quarto trimestre de 2025, os investimentos em capital (considerando regime de caixa) somaram R$ 2.906 milhões. Essa quantia apresenta uma redução de 21% em relação ao terceiro trimestre, refletindo, de maneira significativa, o menor desembolso na categoria de Terras e Florestas. A primeira parcela correspondente ao contrato com a Eldorado Brasil Celulose S.A., estimada em R$ 878 milhões, foi paga no trimestre anterior. Esta operação envolve a permuta de ativo biológico correspondente a 18 milhões de metros cúbicos de madeira em pé, localizados no Mato Grosso do Sul. Assim, não houve desembolsos relacionados a essa operação no quarto trimestre, e a segunda parcela, no montante de R$ 439 milhões, está prevista para 2026. Essa circunstância foi, em parte, compensada por maiores desembolsos na categoria de manutenção, especialmente industrial, devido à maior concentração de projetos desenvolvidos neste período, além de um aumento no desembolso referente ao Projeto Cerrado, em consonância com os cronogramas de gastos e bônus de desempenho acordados com fornecedores.

A geração de caixa operacional, que é medida pelo EBITDA ajustado menos o capital de manutenção (em regime de caixa), totalizou R$ 3.667 milhões no quarto trimestre de 2025, apresentando estabilidade em relação ao terceiro trimestre e uma diminuição de 28% comparado ao mesmo período do ano anterior, motivada pela redução do EBITDA por tonelada e pelo aumento no capital de manutenção por tonelada.

Dívida Líquida e alavancagem financeira

Em 31 de dezembro de 2025, a dívida líquida da Suzano era de R$ 69,4 bilhões, correspondente a US$ 12,6 bilhões, em comparação a R$ 69,1 bilhões, ou US$ 13,0 bilhões, em 30 de setembro de 2025. Para informações mais detalhadas, é possível consultar a seção sobre Evolução da Dívida Líquida. O índice de alavancagem financeira foi de 3,2x em 31 de dezembro de 2025, enquanto em 30 de setembro de 2025 esse valor era de 3,1x. Quando analisado em dólar, conforme a fórmula estabelecida na política financeira da Suzano, o mesmo indicador foi de 3,2x em 31 de dezembro de 2025, diminuindo em relação a 3,3x em 30 de setembro de 2025.

Negociação das Ações da Suzano

As ações da Suzano (BOV:SUZB3) encerraram na bolsa de valores brasileira a terça-feira, 10 de fevereiro, cotadas a R$ 51,17, apresentando uma queda de 0,43%. Durante o dia de negociação, os papéis oscilaram entre uma mínima de R$ 51,05 e uma máxima de R$ 52,08, após uma abertura a R$ 51,40, com um volume superior a 3,5 milhões de ações. Esse movimento reflete uma interpretação mista do mercado, considerando que os resultados operacionais foram consistentes, houve uma melhora no lucro líquido e o anúncio de recompra das ações, embora ainda enfrentem a pressão dos preços internacionais da celulose e do câmbio.

A Suzano (SUZB3) opera nos segmentos de celulose e papel, sendo uma referência global na produção de celulose de eucalipto. A empresa realiza exportações para diversos mercados e compete com grandes players do setor de papel e celulose. Listada na bolsa de valores brasileira, a Suzano integra importantes carteiras, como o Ibovespa (BOV:IBOV), e é frequentemente analisada por investidores interessados em commodities, dividendos, resultados trimestrais e geração de caixa.

Fonte: br.-.com

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