Encontro de líderes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ouviu o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, antes da assinatura cerimonial de um acordo de cessar-fogo entre a Tailândia e o Camboja, que ocorreu durante a 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em Kuala Lumpur, Malásia, em 26 de outubro de 2025.
Conversas comerciais
Donald Trump afirmou estar confiante na possibilidade de chegar a um acordo com o presidente da China, Xi Jinping, com quem está previsto um encontro na próxima semana. Isso ocorre após a conclusão de conversas comerciais entre os principais oficiais econômicos de ambos os países, que resultaram em um consenso preliminar no último domingo.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, e Jamieson Greer, representante de Comércio, se reuniram com o vice-premiê chinês, He Lifeng, e o principal negociador comercial Li Chenggang durante a cúpula da ASEAN, marcando a quinta rodada de discussões presenciais desde maio.
Bessent declarou a jornalistas: "Acredito que temos uma estrutura muito bem-sucedida para que os líderes discutam na quinta-feira." Ele também mencionou que previa que o acordo adiaria os controles de exportação expandidos da China sobre minerais e ímãs raros, além de evitar uma nova tarifa de 100% sobre produtos chineses, que foi ameaçada por Trump.
Durante a conversa, Bessent destacou que Trump e Xi discutiriam as compras de soja e produtos agrícolas dos fazendeiros americanos, além da necessidade de um comércio mais equilibrado e da resolução da crise do fentanil nos Estados Unidos, que deu origem a tarifas de 20% sobre bens chineses.
Trump chegou à Malásia no domingo para participar da cúpula da ASEAN, que é a primeira etapa de uma turnê de cinco dias pela Ásia, a qual deve culminar em um encontro presencial com Xi na Coreia do Sul no dia 30 de outubro.
Após as negociações, o presidente expressou otimismo, afirmando: "Acredito que teremos um acordo com a China." Por sua vez, Li declarou que ambos os lados haviam alcançado um "consenso preliminar" e agora seguiriam seus respectivos processos internos de aprovação.
Li afirmou: "A posição dos EUA tem sido firme. Temos passado por consultas intensas e engajado em trocas construtivas explorando soluções e arranjos para abordar essas preocupações."
Trégua comercial
As duas partes buscam evitar uma escalada em sua guerra comercial após Trump ter ameaçado novas tarifas de 100% sobre produtos chineses e outras restrições comerciais a partir de 1º de novembro, como retaliação às expedições de controle de exportação significativamente ampliadas da China sobre ímãs e minerais raros.
Tanto Pequim quanto Washington reverteram a maior parte de suas tarifas de três dígitos sobre os bens um do outro, em virtude de uma trégua comercial que está programada para expirar em 10 de novembro.
Os funcionários dos EUA e da China discutiram a expansão do comércio, a extensão da trégua, questões sobre fentanil, taxas de entrada nos portos dos EUA, minerais raros, TikTok e outros tópicos importantes.
Li descreveu as discussões como "francas", enquanto Bessent as classificou de "negociações muito substanciais." Ele também mencionou que a trégua poderia ser estendida, dependendo da decisão do presidente, o que marcaria a segunda prorrogação desde sua primeira assinatura em maio.
Pautas do diálogo
Embora a Casa Branca tenha confirmado a tão aguardada reunião entre Trump e Xi, Pequim ainda não corroborou oficialmente a realização do encontro entre os dois líderes.
Durante a cúpula da ASEAN, o presidente dos EUA aludiu a possíveis reuniões com Xi tanto na China quanto nos Estados Unidos. Ele afirmou: "Nós concordamos em nos encontrar. Vamos nos reunir mais tarde na China e também nos Estados Unidos, em Washington ou em Mar-a-Lago."
Entre os tópicos que Trump planeja abordar com Xi, estão as compras de soja por parte da China, as preocupações relacionadas a Taiwan, que é governada democraticamente e que Pequim considera parte de seu território, e a libertação do magnata da mídia de Hong Kong, Jimmy Lai, que se encontra preso.
A detenção do fundador do agora extinto jornal pró-democracia Apple Daily se tornou um dos exemplos mais notáveis da repressão de direitos e liberdades em Hong Kong. Trump também manifestou que buscaria a ajuda da China nas interações de Washington com a Rússia, uma vez que a guerra de Moscou na Ucrânia está prestes a completar seu quarto ano.
Trégua frágil
As tensões entre as duas maiores economias do mundo se intensificaram nas últimas semanas, à medida que uma trégua comercial delicada, estabelecida após a primeira rodada de discussões comerciais em Genebra em maio e prorrogada em agosto, não conseguiu evitar que ambas as partes imponham novas sanções, restrições comerciais e ameaças de medidas retaliatórias mais rigorosas.
A mais recente rodada de negociações provavelmente se concentrará em torno dos controles expandidos da China sobre as exportações de terras raras, que causaram uma escassez global. Isso levou a administração Trump a considerar uma proibição de exportações de produtos alimentados por software para a China, abrangendo desde laptops até motores a jato, de acordo com um relatório da Reuters.
Um dia antes do início das negociações, os EUA iniciaram uma nova investigação tarifária sobre a "aparente falha" da China em cumprir com o acordo comercial "Fase Um" assinado em 2020.
Essa nova investigação sobre práticas comerciais desleais reforça as estratégias de Trump contra a China. Qualquer acordo resultante das conversas realizadas no último domingo terá grande fragilidade, já que a relação comercial mais importante do mundo, que movimenta anualmente 660 bilhões de dólares, permanece em risco. Em uma declaração veiculada na mídia estatal Xinhua, o vice-primeiro-ministro da China, He, expressou a esperança de que os EUA e a China busquem um entendimento mútuo.
Fonte: www.cnbc.com