Tarifas de Trump e tensão com o Irã aumentam a incerteza global e remodelam o comércio entre Brasil e EUA

Tarifas de Trump e tensão com o Irã aumentam a incerteza global e remodelam o comércio entre Brasil e EUA

by Ricardo Almeida
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Instabilidade Geopolítica e Seus Efeitos no Mercado

Um novo episódio de instabilidade geopolítica surge no cenário mundial, com uma escalada recente envolvendo o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Irã. Essa situação gera impasses e discussões sobre trégua e novas medidas de endurecimento, impactando diretamente o mercado de petróleo e seus derivados, que historicamente apresenta alta sensibilidade a choques dessa natureza. A instabilidade nas normas do direito internacional, intensificada pelo enfraquecimento das instituições multilaterais, aumenta a incerteza e afeta a dinâmica das relações econômicas globais.

Efeitos do Tarifação Comercial

No âmbito das relações comerciais, os desdobramentos do chamado “tarifaço” ainda estão se fazendo sentir. Desde o anúncio da ofensiva tarifária em 2 de abril de 2025, conhecido como Liberation Day, a política comercial dos Estados Unidos tem alternado entre medidas restritivas e flexibilizações. No início desse processo, tarifas sobre aço, alumínio e produtos provenientes da China foram aumentadas, afetando diretamente o Brasil, que é um exportador significativo no setor siderúrgico. Apesar disso, experiências anteriores indicavam que havia espaço para negociação ao longo do tempo.

Novos Contornos na Política Tarifária

A evolução do cenário tarifário tomou novos rumos nos meses subsequentes. No dia 9 de julho, foi anunciado um adicional de 40% sobre as tarifas para o Brasil, com exceções a cerca de 700 produtos. Em novembro, ocorreu uma reversão parcial, com a eliminação de tarifas para diversos produtos agrícolas em nível global e a introdução de medidas específicas que beneficiaram o agronegócio brasileiro. Com a chegada de 2026, a instabilidade institucional se agravou: em 20 de fevereiro, a Suprema Corte declarou ilegais as tarifas do Liberation Day, porém, poucos dias depois, em 26 de fevereiro, uma nova tarifa de 10% foi imposta com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, justificada pelo risco à balança de pagamentos.

Comportamento Errático na Política Comercial

Esses movimentos reiteram o caráter errático da política comercial vigente. Richard Baldwin, em um artigo recente, sugere que Donald Trump não desmantelou o sistema comercial mundial, mas sua estratégia pautada em avanços e recuos, popularmente conhecida como TACO (Trump Always Chickens Out), acabou por incentivar a busca por novos mercados e parceiros comerciais. A percepção de que os Estados Unidos se tornaram um parceiro “não confiável” desestimula transações comerciais.

Recuo nas Exportações Brasileiras

A alteração nessa dinâmica é confirmada por cifras. As exportações brasileiras para os Estados Unidos já apresentavam uma leve retração, mas essa diminuição tornou-se mais acentuada. Entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, houve uma redução de 0,8% em valor. Ao comparar o primeiro trimestre de 2026 com o primeiro trimestre de 2025, a queda foi de 18,7%. A avaliação setorial revela um movimento generalizado de declínio: dos 28 setores analisados, 24 enfrentaram queda nas exportações para o mercado norte-americano.

Compensações e Perdas Setoriais

Desse total, 15 setores conseguiram compensar parcialmente a perda ao aumentar as vendas para outros destinos, enquanto 9 setores registraram retração tanto nos Estados Unidos quanto no restante do mundo. Os quatro setores que conseguiram ampliar exportações para os Estados Unidos foram: equipamentos de informática, máquinas e aparelhos elétricos, além de máquinas e equipamentos e outros tipos de transportes.

Alterações na Pauta Exportadora

A recomposição da pauta exportadora do Brasil também indica mudanças significativas. Observou-se um aumento de participação para máquinas e equipamentos elétricos, que cresceram 4,2 pontos percentuais, com também avanços registrados em fumo, máquinas e equipamentos e produtos de informática. Em contrapartida, setores como móveis, pesca, madeira e minerais não metálicos passaram por perdas expressivas, com quedas superiores a 10 pontos percentuais.

Desempenho Geral das Exportações Brasileiras

Apesar das quedas nas vendas destinadas aos Estados Unidos, o desempenho total das exportações brasileiras se mostrou positivo. Excluindo o mercado norte-americano, as exportações cresceram 12,4% entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. No entanto, a redistribuição entre os setores denota uma perda de relevância para grande parte das atividades exportadoras.

Transformações na Geografia do Comércio Exterior

Num contexto mais amplo, a geografia do comércio exterior brasileiro está passando por transformações significativas. A participação dos Estados Unidos nas exportações do Brasil caiu de 12,5% para 9,5% no período analisado, enquanto a China aumentou sua participação de 25,5% para 29,0%. Essa mudança ocorre em desacordo com um dos objetivos principais da política comercial de Trump, que consiste em reduzir a influência chinesa na América Latina.

(fgv)

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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