Tarifas dos EUA terão impacto reduzido no PIB brasileiro, mas a escalada de riscos permanece

Tarifas dos EUA terão impacto reduzido no PIB brasileiro, mas a escalada de riscos permanece

by Editoria Bolsa e Mercado
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Impacto das Novas Tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil

As novas tarifas que os Estados Unidos estão considerando impor sobre produtos brasileiros devem ter um efeito limitado sobre o crescimento econômico do Brasil. No entanto, um potencial agravamento das tensões comerciais entre os dois países pode acarretar consequências mais significativas para a inflação, os investimentos e o ambiente de negócios.

Avaliação de Cassiana Fernandez

A análise foi apresentada por Cassiana Fernandez, economista-chefe para a América Latina do J.P. Morgan, durante um painel realizado pelo LIDE sobre as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos nesta terça-feira, 9 de junho. O tema ganhou relevância recentemente, após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ter finalizado a investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, proferindo a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre algumas importações brasileiras.

Detalhes da Proposta de Tarifa

A proposta ainda passará por um processo de consulta pública e negociação diplomática antes de uma decisão final, que está prevista para ser anunciada em 15 de julho. Entre os aspectos levantados pelos EUA estão questões como o sistema de transferências instantâneas conhecido como Pix, o comércio digital, a propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol, e a luta contra a corrupção e o desmatamento ilegal.

Apesar do endurecimento da abordagem americana, a economista ressaltou que a relação entre Brasil e Estados Unidos deve ser compreendida em um contexto mais amplo que abrange além do comércio.

Relação Estratégica

“A relação Brasil-Estados Unidos é estratégica e multidimensional”, afirmou Cassiana. Ela destacou que essa relação combina diversos elementos, como comércio, investimento, tecnologia, energia, serviços financeiros e cadeias industriais integradas.

A economista explicou que, se as medidas forem implementadas conforme as discussões atuais, a tarifa média aplicável pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderá aumentar, passando dos já existentes 11% a 12% para cerca de 19%. Isso levaria em conta as exceções já previstas para itens como café, carne bovina, terras raras, suco de laranja, partes de aeronaves e equipamentos específicos.

Impacto Macroeconômico

Mesmo com a perspectiva de aumento das tarifas, Cassiana avaliou que o impacto macroeconômico esperado tende a ser reduzido. Ela sublinhou que as exportações brasileiras para os Estados Unidos correspondem atualmente a menos de 10% do total das vendas externas do país, representando algo próximo de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, o Brasil tem registrado sucessivos recordes de exportações, fruto da diversificação dos mercados compradores.

“Nenhuma grande instituição revisou suas projeções de PIB para o Brasil em razão do anúncio das tarifas”, comentou.

Escalada Comercial

Na visão de Cassiana, o principal risco não reside na implementação das tarifas, mas na possibilidade de uma resposta por parte do Brasil que poderia desencadear um ciclo de retaliações comerciais. Segundo ela, tal cenário teria o potencial de aumentar os custos para empresas e consumidores, pressionar a inflação e complicar o trabalho do Banco Central em um momento em que as taxas de juros ainda estão elevadas e a inflação se mostra resistente.

“O maior risco é a escalada”, enfatizou.

Necessidade de Negociações

A economista defendeu que as negociações entre Brasília e Washington devem ter como foco a diminuição das fricções comerciais, sem prejudicar o ambiente de investimentos nos dois países. No momento, Brasil e Estados Unidos contam com um grupo de trabalho bilateral, criado após um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em maio, na Casa Branca. O objetivo desse grupo é buscar uma solução negociada para as tarifas e a investigação da Seção 301.

Investimento Estrangeiro Direto

Cassiana acredita que o principal ativo da relação bilateral nos dias atuais não é o comércio, mas sim o investimento estrangeiro direto. Os dados apresentados por ela indicam que o fluxo de investimento direto estrangeiro para o Brasil deve alcançar cerca de 3,3% do PIB em 2026, dos quais aproximadamente 19% terão origem nos Estados Unidos.

De acordo com a análise da economista, esses investimentos são essenciais para a geração de empregos, transferência de tecnologias, modernização da infraestrutura e expansão da capacidade produtiva do Brasil.

“A agenda Brasil-Estados Unidos deve focar em proteger o ambiente de investimento direto como um ativo estratégico”, declarou.

Cassiana também ressaltou a importância do avanço em novos acordos comerciais e a diversificação dos mercados de destino para as exportações brasileiras, mencionando o acordo entre Mercosul e União Europeia como uma das possibilidades para ampliar as oportunidades do país.

Relevância da Relação Econômica

Ao encerrar sua contribuição, Cassiana reiterou que a disputa tarifária vigente não deve obscurecer a relevância da relação econômica mais ampla entre Brasil e Estados Unidos. “A relação transcende a discussão comercial que está sob estresse no curto prazo. O investimento direto externo é a âncora estrutural, e é isso que deve ser preservado ao longo do tempo”, concluiu.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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