Juro elevado e investimentos no campo
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, membro do partido Republicanos-PR, afirmou que o juro efetivamente pago pelo produtor rural, considerando o spread bancário, ultrapassa 20% ao ano. Ele destacou que essa situação tornou “praticamente impossível” a realização de novos investimentos no setor rural.
Impactos financeiros na produção
Durante sua participação virtual no Seminário LIDE Agronegócio, Lupion enfatizou que o aperto financeiro já está causando impactos diretos na produção agrícola e, consequentemente, pode gerar efeitos em cadeia que afetam o emprego, a renda e a atividade econômica nas regiões interioranas do Brasil.
Desafios enfrentados pelo produtor
De acordo com o deputado, a combinação de preços em queda das commodities, custos elevados de insumos, frete pressionado e tensões geopolíticas têm deixado a situação financeira dos produtores “extremamente apertada”. Ele afirmou: “É praticamente impossível fazer investimentos. E não fazer investimentos significa que não vamos conseguir superar gargalos históricos, como armazenagem, transporte e infraestrutura”.
Tensões geopolíticas e seus efeitos
O deputado ainda ressaltou que, mesmo o Brasil não estando diretamente envolvido em conflitos internacionais, os efeitos globais já têm atingido fortemente o setor agrícola. Ele mencionou as pressões sobre fertilizantes e combustíveis que têm origem em regiões como o Estreito de Ormuz, além das tensões envolvendo países tais como Irã, Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e Canadá. “Nós só não tivemos as bombas aqui, mas os impactos são fortíssimos e atingem diretamente o setor”, declarou.
Efeitos na rentabilidade e no comércio local
Lupion avaliou que a perda de rentabilidade do produtor tende a se espalhar para além da propriedade rural. Com margens de lucro reduzidas, o agricultor se vê forçado a cortar investimentos, adiar a compra de máquinas e enfrentar dificuldades para custear a próxima safra. Este cenário pode travar a modernização das propriedades e impactar o comércio e os serviços em municípios que dependem da atividade agrícola.
Ele afirmou: “O Brasil real, o Brasil do interior, depende do produtor rural. Se ele vai bem, gera emprego e renda e movimenta a economia local”.
Endividamento no campo
Lupion também apontou o aumento do endividamento no setor agrícola, ressaltando a dificuldade enfrentada pelos produtores para realizar a reestruturação financeira. Segundo ele, muitos agricultores não estão encontrando alternativas viáveis para reorganizar suas dívidas e retomar investimentos. Isso pode tornar o ano de 2026 desafiador para a atividade, especialmente diante das incertezas que cercam a segunda safra de milho.
Críticas ao ambiente de políticas públicas
O parlamentar ainda criticou o ambiente de políticas públicas vigente, mencionando a alta carga tributária, o custo elevado do frete e a falta de diálogo com o governo federal como fatores adicionais que estão exercendo pressão sobre o setor. Para Lupion, medidas como a redução de tributos, a ampliação da mistura de biodiesel e a diversificação das rotas de suprimento de fertilizantes e combustíveis poderiam aliviar parte dos custos enfrentados pelos produtores.
Ele concluiu: “Quando o produtor recebe menos, investe menos, tem dificuldade de custeio e isso vira uma bola de neve. A gente estaria em uma situação muito melhor se não enfrentasse tantos gargalos, inclusive governamentais.”
Fonte: www.moneytimes.com.br


