Taxas de DIs apresentam leve alta após dados de inflação nos EUA reduzirem expectativa de elevação dos juros

Curva de Juros Futuros

A curva de juros futuros finalizou o pregão desta quarta-feira, 10, apresentando uma leve alta, após o estresse das sessões anteriores, que havia levado as taxas a se aproximarem da marca de 15%. Dados relacionados à inflação nos Estados Unidos também tiveram um impacto significativo nas negociações.

Taxas de Depósito Interfinanceiro

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027, que possui um prazo mais curto, apresentou um aumento e encerrou o dia a 14,495%, comparado ao fechamento anterior de 14,480%.

Por sua vez, a taxa de DI correspondente a janeiro de 2029, de prazo médio, também encerrou as negociações com uma alta, atingindo 14,940%, em comparação aos 14,920% do fechamento anterior, o que representa um aumento de 2 pontos-base.

No que se refere à taxa de DI para janeiro de 2036, caracterizada como de longo prazo, esta também registrou um incremento de 2 pontos-base, encerrando o dia em 14,645%, uma elevação em relação aos 14,625% do fechamento realizado na última terça-feira, 9.

Performance dos Títulos do Tesouro Norte-Americano

O mercado relacionado aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, também fechou em alta nesta quarta-feira. O rendimento do título de dois anos, que é mais sensível às decisões da política monetária, ficou em 4,145%, frente ao ajuste anterior de 4,124%.

Já o retorno do título com vencimento em dez anos — que é uma referência crucial para empréstimos imobiliários, financiamentos de veículos e dívidas de cartões de crédito — subiu para 4,554%, comparado aos 4,528% registrados na última terça-feira, 9.

Reação aos Conflitos no Oriente Médio

Os contratos de DI abriram a sessão de hoje com uma alta significativa em resposta a ataques realizados pelos Estados Unidos contra o Irã durante a madrugada, que foram uma retaliação a uma suposta ofensiva iraniana a um helicóptero americano, ocorrida na terça-feira.

Logo no início da tarde desta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom mais agressivo em relação a Teerã, ameaçando um novo ataque ao país persa. Como consequência dessa escalada no conflito, os preços do petróleo aumentaram, com o contrato futuro do Brent, que é a referência para o mercado internacional, encerrando o dia com um acréscimo de 1,80%, atingindo o valor de US$ 93,1 por barril.

Preocupações com a Inflação

A nova elevação nos preços do petróleo, embora ainda esteja abaixo da faixa de US$ 100 por barril, mantém as preocupações em relação à inflação em pauta.

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) apresentou uma aceleração, passando de 3,3% para 4,2% na comparação anual, alcançando assim o nível mais elevado desde abril de 2023. Esse resultado está dentro das expectativas do mercado, oferecendo um certo alívio à curva dos Treasuries.

O dado em questão não alterou a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed), que é o banco central dos Estados Unidos, manterá os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na próxima semana. Contudo, ele adiou uma possível elevação nas taxas de outubro para dezembro deste ano.

Expectativas do Mercado Brasileiro

No Brasil, a deterioração das expectativas do mercado em relação à inflação e à política monetária continua a afetar a curva a termo. Desde o final do mês passado, diversos grandes players do mercado têm revisado suas projeções macroeconômicas, o que se deve, em parte, ao resultado robusto do Produto Interno Bruto (PIB) e outros dados que superaram as expectativas.

Além disso, os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços de energia e seu potencial reflexo na inflação figuram como fatores relevantes nas revisões em andamento. Esses fatores têm levado a estimativas de um ciclo de cortes de juros mais breve, com projeções indicando uma Selic mais alta ao final de 2026.

Projeções do Mercado para a Selic

Recentemente, o ASA ajustou sua projeção para a Selic terminal de 2026, elevando-a de 13,25% para 14,25% ao ano. Esse patamar é também previsto por instituições como o BTG Pactual e o Bank of America (BofA).

Na avaliação do economista Leonardo Costa, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do mês de junho deve marcar o término do ciclo de queda dos juros no Brasil, com uma redução de 25 pontos-base.

Por fim, a curva atual precifica a manutenção dos juros na próxima reunião do Copom desde a última sexta-feira, 5. De acordo com a atualização mais recente, as opções do Copom negociadas na B3 indicam uma probabilidade de 70% para a manutenção da Selic na próxima decisão. A probabilidade de um corte de 25 pontos-base é de 29,5%.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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