Curva de Juros Futuros
A curva de juros futuros encerrou as negociações desta quarta-feira (3) com forte alta, apresentando um aumento superior a 30 pontos base nos vértices de médio prazo. Isso ocorre em meio ao crescente receio de um choque inflacionário resultante da guerra no Oriente Médio, além da expectativa de um aumento na Selic ao final de 2026.
Taxas de Depósito Interfinanceiro
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que é de curtíssimo prazo, subiu 11,5 pontos base em relação ao ajuste anterior, encerrando em 14,275%, comparado a 14,160% anteriormente.
Em relação à taxa de DI para janeiro de 2029, que é de médio prazo, as negociações finalizaram em 14,375%, um aumento de 36 pontos base em relação aos 14,015% registrados no fechamento anterior.
Por fim, a taxa de DI para janeiro de 2036, que é considerada de longo prazo, terminou o dia com uma taxa de 14,355%, em comparação aos 14,070% do fechamento da última terça-feira (2), apresentando assim um ganho de 28,5 pontos base.
Mercado de Títulos do Tesouro dos EUA
O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como Treasuries, também fechou em alta devido ao temor de pressão inflacionária e à expectativa de juros elevados nos Estados Unidos por um período prolongado.
O yield do Treasury de dois anos, que é mais sensível à política monetária, terminou em 4,082%, subindo em relação ao ajuste anterior que foi de 4,051%. Quanto ao retorno do título de dez anos, que é utilizado como referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, apresentou uma pequena queda, passando de 4,493% do ajuste anterior para 4,455% registrado hoje.
Temores de Inflação e Tensão Internacional
Os investidores em todo o mundo estão mais preocupados com a possibilidade de uma inflação elevada nos Estados Unidos, especialmente após o aumento das tensões no Oriente Médio e a divulgação de dados no setor de emprego que superaram as expectativas.
O mercado começou a considerar uma redução nas possibilidades de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, especialmente após novas declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Em uma entrevista à CNBC, Netanyahu destacou que, apesar de divergências táticas com o presidente norte-americano Donald Trump sobre como lidar com a guerra, eles concordam em diversos aspectos. Ele mencionou que Trump já havia afirmado que “haverá um retorno em grande escala à ação militar se necessário” e que o Irã “sabe disso”.
Expectativa na Curva de Juros Futuros do Brasil
No Brasil, a curva de juros futuros eliminou as apostas de cortes na Selic, tendo em vista a precificação de uma inflação mais elevada no futuro. Parte do mercado já está considerando a possibilidade de que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, programada para o dia 17 de junho, pode ser a última ocasião em que ocorrerá um corte nos juros em 2026.
Na véspera, conforme os dados consolidados mais recentes, as opções do Copom negociadas na B3 apontavam para uma probabilidade de 71% de novo corte de 25 pontos base na Selic ao fim deste mês. Em contrapartida, havia 27% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e menos de 1% de probabilidade de uma redução de 50 pontos base.
Cautela no Mercado e Proposta de Novas Tarifas dos EUA
Adicionalmente, o clima de cautela no mercado foi intensificado por uma proposta de uma nova sobretaxa tarifária dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o que estimulou a fuga de fluxo estrangeiro, segundo Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.
Recentemente, o governo Trump anunciou a intenção de impor uma nova taxa de 12,5% sobre importações do Brasil e de mais 59 países, como parte de uma nova rodada de tarifas. Se implementada, essa nova cobrança se somaria aos 25% já anunciados na segunda-feira (1º), após a conclusão de uma investigação sobre “práticas incoerentes” do Brasil em relação aos Estados Unidos.
Fonte: www.moneytimes.com.br