Taxas no Estreito de Ormuz geram preocupações no mercado de petróleo

Introdução

O Irã e os Estados Unidos têm constantemente buscado um entendimento sobre o controle do Estreito de Hormuz, uma rota chave para o transporte de petróleo.

O papel de Omã como mediador

A reputação de Omã em manter uma posição neutra rendeu ao país o apelido de “Suíça do Oriente Médio.” No entanto, Omã, situado ao sul do Estreito de Hormuz, está utilizando uma estratégia diplomática intencionalmente opaca nas discussões sobre tarifas para essa via marítima crítica. Analistas afirmam que os mercados apresentam um “ponto cego” em relação ao que pode acontecer nas negociações.

Omã tem atuado como um intermediário chave em crises regionais, sendo um dos poucos países em que tanto Teerã quanto Washington confiam. Os EUA estão interessados em garantir que o fluxo de passagem pelo estreito se reinicie após seu bloqueio durante o conflito, o que gerou uma crise energética global.

Localizado na costa sudeste da Península Arábica e fazendo fronteira com o Irã, Omã participava de negociações conjuntas com o Irã sobre uma nova ordem de segurança marítima. Existem relatos de que os dois países poderiam avançar na implementação de tarifas de trânsito, embora Omã tenha afirmado que qualquer acordo respeitará o direito internacional. A possibilidade de um sistema financeiro em uma via que normalmente lida com cerca de 20% do petróleo mundial gerou preocupação.

Taxas no Estreito de Hormuz

Os analistas consultados pela CNBC indicam que a capacidade de Omã de impor taxas de serviço está circunscrita a limites legais rigorosos, uma vez que a passagem no estreito é regulada pelo princípio da passagem em trânsito, que não permite que países cobrem embarcações pelo trânsito. Contudo, a imposição de taxas de serviço pode ser uma maneira de contornar essa restrição.

Neil Quilliam, especialista do Chatham House, ressalta que os mercados costumam considerar o risco de interrupção, mas prestam menor atenção ao risco de governança, criando um ponto cego nesse aspecto.

Dania Thafer, diretora executiva do Gulf International Forum, think tank baseado em Washington, afirmou que a posição de Omã sobre a cobrança de taxas ou a implementação de um sistema de pedágio é deliberadamente indefinida. Na ocasião, Thafer comentou:

“Você tem uma potência regional como o Irã, e uma potência global, os EUA, pressionando Omã. Portanto, eles estão tentando utilizar um certo grau de ambiguidade estratégica para permanecer o mais afastados possível do conflito e não minar essas potências tão influentes.”

A opinião dos mercados sobre a situação

Se os países do Golfo e importantes atores internacionais aprovarem a proposta, Thafer acredita que Omã provavelmente avançará com algum tipo de sistema de taxas no Estreito de Hormuz. Ela acrescentou que, embora a implementação de taxas ou pedágios seja vista como uma decepção política, os mercados reagiriam conforme as condições permitissem a passagem segura de embarcações.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Omã não estava disponível para comentar quando contatado pela CNBC.

O dilema de Omã entre o Irã e Washington

Os Estados Unidos se opõem veementemente à implementação de quaisquer pedágios no Estreito de Hormuz. O governo do presidente Donald Trump anteriormente ameaçou impor sanções “agressivas” contra Omã se o país fosse visto ajudando o Irã a estabelecer um sistema de cobrança. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou em uma postagem nas redes sociais em 28 de maio que “todas as nações devem rejeitar totalmente quaisquer esforços do Irã para perturbar o livre fluxo do comércio.”

De acordo com os termos do memorando de entendimento assinado entre os EUA e o Irã em 17 de junho, Teerã não pode impor pedágios às embarcações durante o período de 60 dias de negociações para encontrar um acordo definitivo.

Entretanto, o Irã está focado na possibilidade de obter reconhecimento internacional de seu controle sobre o Estreito de Hormuz. Um relatório da Reuters cita duas fontes seniores iranianas sobre a capacidade de cobrar taxas de embarcações que tenham como destino ou origem o Golfo.

Andrew Leber, pesquisador do Carnegie Middle East Program, observou que a reputação de Omã como mediador “a deixou cada vez mais presa” entre as exigências do Irã por algum tipo de pedágio no estreito e as demandas dos Estados Unidos para que isso não ocorra. Ele explicou:

“Como resultado, temos visto diplomatas omanenses balançarem entre insistir que nenhuma taxa será cobrada e sugerir que embarcações poderão ser solicitadas a pagar uma taxa que será chamada de outra forma.”

Os interesses de Omã

Leber destacou que o desafio para Omã reside em sua geografia, que lhe confere um interesse direto no que acontece em relação ao Estreito de Hormuz. O país possui razões de segurança e interesses financeiros tanto em apoiar o plano do Irã quanto em cobrar algum tipo de taxas, desde que também obtenha uma parte desse valor. Ele afirmou:

“É altamente provável que Omã continue a coassinar algum tipo de plano de taxa de serviço iraniano ou adote uma abordagem mais amena até que isso a coloque em conflito direto com seus vizinhos árabes ou com os Estados Unidos.”

O ponto cego dos mercados de petróleo

Neil Quilliam observa que a combinação da geografia e da diplomacia confere a Omã influência sobre as regras, procedimentos e arranjos futuros que regulamentarão o Estreito de Hormuz. Ele afirmou:

“Os mercados tendem a avaliar o risco de interrupção, mas prestam menos atenção ao risco de governança. Isso cria um ponto cego.”

Ele acrescentou que mudanças na forma como o estreito é gerenciado, mesmo que graduais e negociadas, poderão alterar custos, requisitos de conformidade e dinâmicas de seguro, sem um evento de segurança dramático.

Fonte: www.cnbc.com

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