Trump apresenta novo plano para Ormuz, mas mercado permanece cético.

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Congestionamento de Petroleiros no Estreito de Ormuz

O mundo encontra-se à procura de uma solução para a crise gerada pelo congestionamento de petroleiros no Estreito de Ormuz. O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou que conseguiu guiar dois navios americanos para fora da região na segunda-feira (4). Entretanto, a iniciativa, denominada “Projeto Liberdade”, não parece ser a solução definitiva para a atual crise energética.

Apesar do anúncio, os preços da energia não sofreram queda significativa. Os futuros do petróleo subiram para mais de US$ 100 por barril e, posteriormente, atingiram novos patamares. Isso ocorreu em um cenário onde navios e infraestrutura energética importante no Oriente Médio foram alvo de ataques, levantando incertezas sobre a durabilidade do cessar-fogo.

Além disso, os preços futuros da gasolina também registraram alta, sinalizando que o aumento nos custos nos postos de combustível pode agravar-se antes de mostrar sinais de melhora. Atualmente, o mercado demonstra ceticismo quanto à capacidade do Projeto Liberdade em permitir a liberação do grande volume de energia retida no Oriente Médio.

Uma Missão Incompleta

O ceticismo em relação ao Projeto Liberdade reflete algumas realidades críticas:

  1. A missão não se trata de uma escolta: O Projeto Liberdade visa “restaurar a liberdade de navegação” no Estreito de Ormuz e contará com mais de 100 aeronaves e 15.000 militares, conforme informação do Comando Central dos EUA. Embora a iniciativa mostre um foco em reabrir a importante via, não há garantia de que as forças armadas dos EUA acompanharão efetivamente os navios. Uma autoridade americana comentou, em entrevista, que esta não será uma missão de escolta.
  2. O Irã considera a iniciativa uma violação do cessar-fogo: As autoridades iranianas reagiram rapidamente, argumentando que o Projeto Liberdade constitui uma infringência do frágil cessar-fogo com os Estados Unidos e, como resposta, parecem ter intensificado suas ações na região.
  3. Desconfiança no setor marítimo: A insegurança criada por ataques aos navios no Estreito de Ormuz gerou hesitações entre executivos do setor de transporte marítimo. A disposição dos proprietários de petroleiros em arriscar a passagem pela região é incerta, dados os recentes acontecimentos.

O que o Mercado Deseja

De acordo com analistas do setor petrolífero, o Projeto Liberdade está longe de ser uma medida que vai reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, uma ação que será fundamental para que o petróleo volte a fluir de forma suficiente pela região e, dessa maneira, reduza significativamente os preços. O Eurasia Group advertiu que, sem a “adesão” do Irã ou sem um significativo destacamento naval, a tentativa de liberação da navegação poderá encontrar dificuldades.

A consultoria destaca que o plano dos EUA não deve causar mudanças substanciais no tráfego marítimo pela região em um horizonte próximo. Essa análise alinha-se com a perspectiva de Bjørn Højgaard, CEO da Anglo-Eastern, que ressaltou a necessidade de ambos os lados manifestarem disposição para desbloquear a situação. Ele enfatizou que ações unilaterais não alterarão a realidade no mar a menos que haja um acordo mútuo.

Novos Ataques na Região

A situação torna-se ainda mais desafiadora com a ocorrência de novos ataques na área. Durante uma troca de tiros na segunda-feira, as forças americanas destruíram embarcações iranianas em resposta a agressões contra bens norte-americanos. Um navio associado à Coreia do Sul foi danificado por uma explosão no estreito, ainda sem uma explicação conclusiva, o que ressalta os riscos para embarcações que planejam efetuar a travessia. Um grande incêndio em uma instalação petrolífera dos Emirados Árabes Unidos foi atribuído a drones iranianos, danificando a Zona Industrial Petrolífera de Fujairah, que serve para contornar o Estreito de Ormuz.

O Risco da Gasolina a US$ 5

Os futuros do petróleo americano inicialmente caíram após a divulgação do Projeto Liberdade, mas rapidamente reverteram a tendência. O preço do West Texas Intermediate (WTI) subiu para US$ 107,46 o barril, enquanto o petróleo Brent também apresentou alta, atingindo US$ 114 o barril. Os futuros da gasolina nos Estados Unidos aumentaram 4%, correspondente a 15 centavos por galão.

Na semana anterior, os preços no varejo dispararam, alcançando um novo recorde de crise de US$ 4,46 por galão, o mais alto em quase quatro anos. Especialistas, como Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, indicaram que é possível que os preços da gasolina cheguem a US$ 5 por galão se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por mais um mês.

170 Milhões de Barris de Petróleo Retidos

O mercado se mantém atento para ver se o tráfego pelo Estreito de Ormuz pode ser acelerado nos próximos dias. A expectativa é de que algumas embarcações retidas no Golfo, transportando suprimentos essenciais, consigam finalmente transitar. No entanto, o Projeto Liberdade, em seus estágios iniciais, parece não ter a capacidade necessária para resolver rapidamente o congestionamento na região.

Estima-se que cerca de 170 milhões de barris de petróleo, combustível de aviação, diesel e outros produtos refinados estão retidos no Oriente Médio a bordo de 166 navios petroleiros. Segundo analistas, poderia ser um processo complicado liberar os petroleiros carregados e permitir com que os vazios retornem, já que as rotas marítimas tradicionais não estão sendo utilizadas por razões de segurança.

A Kpler, uma empresa de dados de mercado, prevê que a normalização do tráfego no estreito pode levar até três meses após sua reabertura total.

Ainda Esperando por Ajuda

As autoridades americanas têm procurado acalmar os consumidores contritos devido à alta dos preços da gasolina. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a ajuda “está a caminho” e comentou que alguns dos maiores petroleiros retidos transportam aproximadamente 2 milhões de barris cada. Bessent expressou otimismo de que o Projeto Liberdade permitirá a entrega desse petróleo ao mercado em breve.

Segundo ele, “o mercado estará bem abastecido” e se mostrou confiante de que, ao final do processo, a oferta de petróleo será abundante. Contudo, a promessa da OPEP de aumentos na produção é considerada predominantemente simbólica, dado que o estreito permanece fechado. A quantia adicional prometida pela OPEP é também insignificante comparada à perda diária de 14 milhões de barris devido ao conflito.

Além disso, os 170 milhões de barris retidos no estreito representam uma quantidade pequena em comparação com os 900 milhões de barris que os analistas estimam terem sido perdidos devido à guerra – um número que cresce a cada dia em que o Estreito de Ormuz permanece fora de operação.

David Goldman e Kristie Lu Stout, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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