Testemunho do Secretário de Defesa dos EUA
O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o presidente Donald Trump não necessita da aprovação do Congresso para reiniciar ataques ao Irã, mesmo tendo ultrapassado o limite de 60 dias estipulado por lei federal.
A declaração de Hegseth ocorreu durante uma audiência na Comissão de Apropriações do Senado, após a administração Trump ter superado o prazo de 60 dias exigido pela Resolução de Poderes de Guerra de 1973 para solicitar autorização do Congresso para o uso da força militar. Anteriormente, a administração informou que as hostilidades com o Irã haviam cessado, o que a isentaria de buscar essa autorização.
Autoridade Presidencial para Retomar Ataques
Apesar disso, Hegseth declarou, em resposta a questionamentos da senadora Lisa Murkowski, do Alasca, que Trump teria a autoridade necessária para reiniciar os ataques, caso ele considerasse isso essencial. “Caso o presidente decida recomeçar, teríamos todas as autoridades necessárias para fazê-lo”, disse Hegseth.
Murkowski pressionou Hegseth ainda mais, questionando se seria “útil para o presidente se deixasse claro que, de fato, o Congresso forneceu uma AUMF (Autorização para o Uso da Força Militar)?” Hegseth respondeu que, em sua visão, o presidente possui todas as autoridades necessárias de acordo com o Artigo 2 da Constituição dos Estados Unidos, que define os poderes presidenciais.
Contexto do Orçamento e Situação no Irã
Hegseth estava no Capitólio para testemunhar sobre o pedido de orçamento, que é massivo e se aproxima de US$ 1,5 trilhões, para o ano fiscal de 2027. No entanto, o conflito com o Irã dominou as discussões durante as audiências, especialmente considerando que os Estados Unidos e o Irã continuam em desacordo nas negociações para encerrar o conflito, em meio a um frágil cessar-fogo.
O conflito, que já se encontra em seu terceiro mês, provocou uma alta nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos e fez com que os preços do petróleo subissem globalmente, à medida que o Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma importante via de transporte que antes respondia por 20% do petróleo mundial.
Interpretação da Resolução de Poderes de Guerra
De acordo com a Resolução de Poderes de Guerra, Trump é obrigado a buscar o consentimento do Congresso para o uso sustentado da força militar que ultrapasse 60 dias. No entanto, a administração argumenta que a lei é inconstitucional e que o presidente possui a autoridade para conduzir operações militares com base no Artigo 2 da Constituição.
No dia 1º de maio, Trump informou ao Congresso que as hostilidades haviam cessado, data que teria sido o prazo para a autorização do Congresso. Contudo, Murkowski aparentemente expressou preocupação com a interpretação da administração sobre a lei.
“A Resolução de Poderes de Guerra é bastante clara; exige que o presidente encerre as hostilidades dentro de 60 dias, a menos que haja autorização do Congresso”, afirmou. “Parece que as hostilidades não terminaram.”
Fonte: www.cnbc.com