Trump propõe regulação nacional unificada para IA e pressiona estados em relação ao financiamento

Ordem Executive de Trump sobre Inteligência Artificial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quinta-feira, 11 de outubro, uma ordem executiva cujo objetivo é impedir a regulamentação estadual da inteligência artificial. Além disso, Trump anunciou a intenção de reter verbas federais destinadas à expansão de banda larga em estados que implementarem leis consideradas prejudiciais à competitividade americana nesse setor tecnológico.

Centralização da Aprovação

Durante a declaração, Trump comentou: “Queremos ter uma fonte central de aprovação”, enquanto estava acompanhado por seus conselheiros de alto escalão, incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Ele argumentou que a presença de 50 regimes regulatórios diferentes poderia ser um obstáculo ao crescimento de uma indústria em início de desenvolvimento.

A ordem afirmava que, para que as empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos se sobressaiam, é crucial que elas tenham a liberdade de inovar sem serem sobrecarregadas por regulamentações excessivas. Além disso, o texto destacava que a diversidade de regulamentações dificulta o cumprimento das normas, o que é especialmente desafiador para startups que buscam operar no mercado.

A Importância da Inteligência Artificial

Trump tem se posicionado a favor da inteligência artificial, tratando-a como uma tecnologia de importância crítica, e tem colaborado estreitamente com empresas americanas para fomentar investimentos nesse setor, enquanto a China também tem avançado significativamente. Contudo, críticos apontam que um desenvolvimento sem limites pode expor os cidadãos americanos a riscos.

A ordem executiva também é uma manifestação do ataque mais abrangente da administração Trump contra iniciativas voltadas ao combate à discriminação. O documento critica estados como Colorado, que tentaram impedir que linguagens discriminatórias sejam integradas em modelos de IA, argumentando que tais iniciativas poderiam gerar “viés ideológico” e produzir resultados imprecisos.

Implicações Financeiras da Ordem

A ordem fornece ao governo de Trump ferramentas para lidar com regulamentações estaduais que sejam vistas como excessivamente rígidas. O assessor de inteligência artificial da Casa Branca, David Sacks, indicou que a administração não se oporá a regras que se concentrem em questões de proteção infantil.

Adicionalmente, a ordem estipula que o Secretário de Comércio deve avaliar legislações estaduais em busca de incompatibilidades com as diretrizes de IA definidas por Trump. Caso sejam encontradas tais incompatibilidades, os estados podem ter seu acesso a um fundo de 42 bilhões de dólares, destinado à Equidade de Banda Larga, Acesso e Implantação, bloqueado.

Críticas à Ordem Executiva

O deputado democrata Don Beyer, que co-preside um comitê bipartidário dedicado à inteligência artificial, expressou preocupações de que essa ordem pode sufocar reformas de segurança que foram aprovadas em diversos estados, criando um ambiente legal desfavorável, descrito como um “Velho Oeste” para empresas de IA, colocando, assim, a população americana em risco.

Beyer também alertou sobre a possibilidade de a ordem violar a 10ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, a qual afirma que poderes não especificamente atribuídos ao governo federal pertencem aos estados ou ao povo.

Padrões Nacionais e Combate às Restrições Estaduais

A ordem sugere que a Administração Trump colabore com o Congresso para desenvolver um padrão nacional que clarifique as proibições sobre leis estaduais que conflitem com a política federal. Este padrão deve incluir a proteção de crianças, a prevenção de censura, o respeito a direitos autorais e a salvaguarda de comunidades.

Até que um tal padrão seja estabelecido, a ordem determina que medidas sejam tomadas para conter as legislações mais rígidas e excessivas que surgem nos estados, as quais podem ameaçar a inovação no setor tecnológico.

Legislações Estaduais em Evolução

Grandes corporações de inteligência artificial, incluindo a OpenAI — responsável pelo ChatGPT —, a Google da Alphabet, a Meta e a firma de capital de risco Andreessen Horowitz, advogam que a regulação do setor deve estar a cargo do governo federal, e não dos estados.

Entretanto, líderes estaduais de ambos os principais partidos políticos afirmam que precisam de autoridade para impor limites à IA, especialmente considerando as repetidas falhas do Congresso em aprovar legislações que abordem a regulamentação da indústria tecnológica.

No mês passado, o estado de Nova York tornou-se o primeiro a promulgá-las uma lei que exige que varejistas online que utilizem “precificação de vigilância” divulguem o uso de algoritmos e dados pessoais dos usuários. Califórnia e os legisladores em Washington estão em processo de considerar proibições a métodos conhecidos como “precificação personalizada”.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, que faz parte do partido republicano, propôs uma carta de direitos da inteligência artificial que inclui diretrizes sobre privacidade de dados, controles parentais e proteção ao consumidor.

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, que lidera um estado com várias grandes empresas de IA, sancionou neste ano um projeto de lei que exige que desenvolvedores de IA de grande porte apresentem planos detalhados sobre como pretendem mitigar riscos que possam ser catastróficos. Além disso, outros estados têm aprovado normas que proíbem imagens sexuais geradas por IA sem consentimento, assim como deepfakes políticos não autorizados.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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