Inscrições para Audiência Sobre Taxas nos EUA
As inscrições para participar da audiência decisiva sobre o futuro das taxas de 25% dos Estados Unidos, aplicáveis a uma variedade de produtos brasileiros recomendados pelo USTR (Escritório Comercial dos EUA), se encerram nesta segunda-feira, dia 22, às 23h59 no horário leste dos EUA.
Prazos Importantes
No horário brasileiro, o término das inscrições ocorrerá às 0h59 de terça-feira, dia 23. De acordo com informações no portal do USTR, o envio de comentários permanecerá aberto até o dia 1º de julho de 2026, às 23h59 do horário americano, ou seja, até 0h59 de 2 de julho no fuso horário de Brasília.
A audiência convocada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos ocorrerá no dia 6 de julho, enquanto o prazo para a definição e implementação das "medidas corretivas" contra o Brasil está estabelecido para o dia 15 de julho.
Contexto das Solicitações
As solicitações para comparecimento à audiência foram abertas em 2 de junho, um dia após o USTR publicar recomendações para a imposição de tarifas sobre todos os produtos de exportação brasileiros, com algumas exceções. A alegação para essa medida são os termos da Seção 301.
Importações que estão "sujeitas às tarifas de segurança nacional", como carnes, café, peças para aeronaves, minerais metálicos, outras frutas, especiarias e petróleo, não estão incluídas nesta imposição.
Sobre a Seção 301
A Seção 301 é uma ferramenta de política comercial que possibilita aos Estados Unidos investigar e retaliar países por práticas comerciais que consideram injustas. O documento que fundamenta o tarifaço menciona como motivos um alegado favorecimento do Pix, acordos de comércio preferenciais, a produção de etanol, o desmatamento e a insegurança jurídica no Brasil.
No que diz respeito à insegurança jurídica, o USTR afirma que “ordens judiciais secretas” foram emitidas contra empresas de tecnologia dos EUA, como X, Meta e Google, que obrigaram essas plataformas a remover conteúdos considerados políticos e a suspender perfis de residentes nos Estados Unidos.
Penalidades e Multas
Além disso, o documento menciona penalidades excessivas, incluindo multas diárias substanciais e ameaças de interrupção de operações no Brasil, como indicam os casos envolvendo a Rumble e o X, em razão do descumprimento dessas ordens judiciais.
O Pix e Suas Implicações
Sobre o Pix, a ferramenta financeira gerida pelo Banco Central é descrita como economicamente "desleal". O USTR alega que o fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do Pix gera um conflito de interesse. A instituição é acusada de privilegiar o Pix em detrimento dos serviços de pagamento dos EUA, exigindo gratuidade para pessoas físicas, limites de taxas para empresas, e a necessidade de um destaque visual nos aplicativos bancários.
O escritório comercial também expressa preocupação com a estrutura tarifária que o Brasil mantém com outros países, como México e Índia, afirmando que isso compromete a competitividade dos produtos americanos. Para eles, essas tarifas geram um incentivo financeiro para que empresas transfiram sua produção dos Estados Unidos para o México ou Índia, visando exportar para o Brasil com custos reduzidos.
Combate à Corrupção no Brasil
A recomendação também levanta questões referentes à eficácia do Brasil no combate à corrupção, mencionando a anulação de provas e sentenças da Operação Lava Jato, além da renegociação não transparente de acordos de leniência, características que são sinalizadas como violações das normas globais.
Se os argumentos apresentados forem aceitos, os Estados Unidos poderão aplicar taxas de 25% sobre os produtos brasileiros. Contudo, há entidades que alertam que, devido a outras tarifas atualmente em vigor, alguns setores poderiam enfrentar tarifas de até 37,5%.
Investigação Sobre Trabalho Forçado
Simultaneamente à recomendação tarifária de 1º de junho, uma outra investigação sobre trabalho forçado em quase 90 países foi finalizada, com o Brasil entre as nações analisadas. Segundo o USTR, esses países não estão adotando ou aplicando de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos por meio de trabalho forçado.
Nesse contexto, a proposta é que uma tarifa adicional de 12,5% seja aplicada. Quando as duas medidas forem combinadas nos produtos brasileiros exportados, a tarifa total poderá alcançar 37,5%.
Perspectivas e Opiniões
"A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo", declara Ricardo Alban, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
É importante notar que as tarifas propostas não entrarão em vigor automaticamente e precisarão passar pelas audiências designadas pelo governo americano, nos dias 6 e 7 de julho.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


